Com mais de 90 mil visitantes no primeiro ano, o Wondersense deixa uma lição às marcas: as emoções vendem mais do que a publicidade

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Rafael Ascensão
29/07/2026
16:05
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Com mais de 90 mil visitantes no primeiro ano, o Wondersense deixa uma lição às marcas: as emoções vendem mais do que a publicidade

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Um espaço pensado para estimular os cinco sentidos, mas que acabou também por conquistar um sexto: o algoritmo das redes sociais. Um ano depois da abertura, o Wondersense, no Porto, soma mais de 90 mil visitantes de 116 nacionalidades, numa trajetória que, segundo o seu CEO, Vasco Antunes, foi impulsionada menos pela publicidade tradicional e mais pelo conteúdo criado pelos próprios visitantes.

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Para o responsável, o sucesso do museu imersivo é também um reflexo de uma mudança mais profunda nos hábitos de consumo. “As pessoas recordam muito mais aquilo que vivem do que aquilo que veem”, afirma, defendendo que a crescente valorização das experiências em detrimento dos bens materiais está a alimentar um mercado que deverá continuar a crescer nos próximos anos.

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Ao longo do primeiro ano, cerca de 70% dos visitantes foram portugueses, um dado que surpreendeu a equipa e que contraria a ideia de que o projeto vive apenas do turismo. Agora, a estratégia passa por manter a aposta no público nacional, sem deixar de reforçar a captação de visitantes estrangeiros.

Embora reconheça o papel determinante do Instagram e do TikTok na notoriedade do Wondersense, Vasco Antunes garante que o conceito nunca foi desenvolvido apenas para gerar fotografias ou vídeos virais. “A prioridade sempre foi criar espaços impactantes e tornar a experiência realmente imersiva, estimulando e desafiando todos os sentidos“, explica. Ainda assim, admite que a equipa sabia que os ambientes criativos, coloridos e inesperados teriam um forte potencial de partilha nas redes sociais.

Esse efeito acabou por superar expectativas, com o CEO a referir que as redes sociais tiveram um papel “muito importante” na notoriedade do Wondersense, sobretudo porque “a maioria do conteúdo nasce de forma espontânea através dos próprios visitantes”. “Esse tipo de recomendação tem uma enorme credibilidade e ajuda-nos a chegar a novos públicos. No entanto, acreditamos que esse crescimento só acontece porque existe uma experiência consistente. As redes sociais despertam a curiosidade inicial, mas a experiência é que supera expectativas e gera recomendação” destaca.

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A sala dos espelhos, a piscina de bolas, as cabines suspensas, a sala de tubos ou as cabines olfativas estão entre os espaços mais partilhados online mas Vasco Antunes desvaloriza a procura pela “instalação mais viral”. “Mais do que isso, interessa-nos perceber que praticamente todos os visitantes encontram um momento que querem guardar e partilhar. Esse comportamento é um excelente indicador de que a experiência está a criar impacto emocional”.

“Quando há um bom produto, são os próprios visitantes que se tornam os seus melhores embaixadores”

Para o CEO, o primeiro ano confirmou também uma máxima frequentemente repetida no marketing: quando existe um produto diferenciador, os próprios consumidores tornam-se os principais promotores da marca. Depois de uma fase inicial em que a comunicação foi essencial para dar a conhecer o projeto, o crescimento foi sendo sustentado sobretudo pelo passa-palavra e pelo alcance orgânico nas redes sociais.

Sofia Antunes (Diretora de Operações), Vasco Antunes (CEO) e Bárbara Antunes (Diretora de Marketing)

“A comunicação foi importante para dar a conhecer o projeto na fase de lançamento, mas o crescimento foi muito impulsionado pelo passa-palavra e pelo conteúdo orgânico. Quando há um bom produto, são os próprios visitantes que se tornam os seus melhores embaixadores“, diz.

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A experiência emocional acaba por ser, na sua opinião, o principal fator diferenciador, uma vez que “as pessoas querem sentir coisas”. “Não basta criar um espaço bonito, é preciso surpreender, envolver emocionalmente e proporcionar momentos de interaçãoDepois, a própria versatilidade da experiência, que está preparada para receber portugueses, turistas, crianças e adultos, potencia os programas entre amigos e em família, que são, normalmente, memórias especiais que guardamos connosco”, descreve.

“Quando uma marca consegue envolver emocionalmente o público deixa de comunicar apenas uma mensagem e passa a proporcionar um sentimento”

Numa altura em que cada vez mais empresas investem em ativações e experiências imersivas para fortalecer a relação com os consumidores, Vasco Antunes acredita que existem aprendizagens relevantes a retirar do percurso do Wondersense, sendo que a principal lição é a de que “as pessoas recordam muito mais aquilo que vivem do que aquilo que veem”.

Quando uma marca consegue envolver emocionalmente o público, despertar os sentidos e criar momentos de interação genuína, deixa de comunicar apenas uma mensagem e passa a proporcionar um sentimento. É essa ligação emocional que gera afinidade, recomendação e fidelização“, diz.

O potencial do espaço para acolher ativações de marca começa, aliás, a despertar interesse junto de empresas, para o desenvolvimento de ações de team buildings, estando também atualmente em cima da mesa novas parcerias e projetos especiais. “O nosso objetivo é estabelecer parcerias que acrescentem valor à experiência do visitante e façam sentido para ambas as partes. Acreditamos que existe muito potencial para ativações, eventos e projetos especiais que privilegiem a interação e a criatividade“, aponta.

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Um mercado em crescimento

Apesar da crescente oferta de experiências imersivas, Vasco Antunes acredita que existe espaço para novos conceitos, desde que apresentem uma proposta diferenciadora. No caso do Wondersense, essa diferenciação passa por colocar os cinco sentidos no centro da visita e por cruzar arte, tecnologia, design e criatividade num percurso pensado para estimular diferentes formas de sentir.

Para o segundo ano de atividade, a estratégia inclui reforçar a captação de turistas internacionais – que atualmente representam cerca de 30% dos visitantes, com Espanha (6,5%), França (6%), Estados Unidos (3%) e Reino Unido (2%) entre os principais mercados emissores -, sem abdicar do foco no público português.

O conceito continuará também em evolução, através da introdução de novidades que “mantenham a experiência dinâmica” e com o aproveitamento de datas especiais para a promoção de ativações temáticas ou parcerias estratégicas. “Queremos que quem regressa encontre sempre algo diferente para descobrir, mantendo intacta a essência do conceito”, sublinha o responsável,

Olhando para o futuro, Vasco Antunes antecipa um crescimento continuado deste mercado – e a sua afirmação como “uma das grandes tendências de lazer” – impulsionado pelo turismo, pela procura crescente por experiências em detrimento de bens materiais e por uma utilização cada vez mais abrangente destes espaços.

Além da vertente do entretenimento, acredito que estas experiências terão também um papel cada vez mais relevante na promoção do bem-estar, da inclusão e da acessibilidade“, conclui, destacando o potencial das experiências imersivas para pessoas no espetro do autismo e para visitantes com diferentes limitações sensoriais, cognitivas ou motoras.






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