Na Vilarinha ainda se contam estrelas

O projecto foi pensado e criado por João Pedro Cunha, desde sempre com uma forte relação com o mar – ao ponto de termos tido o privilégio de comer percebes “gigantes” apanhados pelo próprio.

Texto de M.ª João Vieira Pinto

Em Maio, tinha ido ao Monte da Vilarinha. Uma série de contratempos levou a que não tivesse passado lá mais que umas horas, uma noite. Mas João Pedro Cunha, o mentor e fundador do projecto, foi insistindo para que voltasse. E ainda bem que o fez. Regressei em meados de Setembro, para ficar com a certeza que o Monte da Vilarinha é lugar a pôr na agenda. Mas isto só para quem o fim-de-semana ou as férias não são sinónimo de destinos de massa e hotéis com centenas de quartos. É que, por ali, o que se oferece e se vive é precisamente o contrário. Há silêncio – claro que em Agosto poderá apanhar famílias com crianças, mas as gargalhadas e barulhos dos mais pequenos quase só se fazem ouvir ao pequeno-almoço –, há uma imensidão de estrelas para contar, há verde e recantos, há todo um gosto em receber por parte de Nuno Milho (a mais recente contratação do Monte, e que faz toda a diferença no serviço) e um chef nepalês, com histórias únicas que nos faz chegar à mesa.

Onde é que fica o Monte da Vilarinha? Ainda no parque natural da Costa Vicentina, bem junto à Carrapateira, no meio do campo, mas a minutos de praias como o Amado, a Corduama ou a Bordeira. E não tem propriamente quartos, tem casas, de tipologias diversas, em diferentes zonas do terreno, mas todas construídas com materiais da região, com grande destaque para a taipa (usada mesmo em jeito de pormenor decorativo, como cabeceiras de cama), xisto e madeira. Percebe agora por que é que não é para todos? Mas se for dos que gosta do género (como eu), meta-se no carro e vá.

O projecto foi pensado e criado por João Pedro Cunha, desde sempre com uma forte relação com o mar – ao ponto de termos tido o privilégio de comer percebes “gigantes” apanhados pelo próprio – e que é ainda responsável pelo restaurante Azenhas do Mar, em Sintra. Começou há 14 anos, com um pequeno núcleo de casas. Foi alargando e “sofisticando”, mas mantendo a essência e a simplicidade do lugar. Agora, o que encontra por ali são casas que estão na sua maioria equipadas com cozinha e tudo o que possa precisar para uma qualquer refeição, aquecimento central – o chão é de tijoleira refractora, que aquece no Inverno –, zona de refeições, terraço, barbecue (só algumas) e zona de estar com televisão e sofás.

Há serviço de pequeno-almoço (necessário reservar o horário pretendido, mas também pode ser pedido para casa com um custo adicional de 10 euros), zona de piscina exterior, parque infantil e utilização de bicicletas, sem pagar. Marcando com 24 horas de antecedência, há a possibilidade de se encomendar jantar gourmet.

E apesar de não ter actividades no próprio espaço, tem, contudo, parcerias locais, que garantem a oferta desde aulas de surf, passeios a cavalo, passeios por trilhos no meio da natureza, yoga, massagens ou workshop de cozinha.

Este artigo foi publicado na edição de Outubro de 2021 (n.º 303) da Marketeer.

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