Num momento em que o mercado da comunicação vive uma forte pressão por resultados imediatos, automação e volume, a SoraiaPedroso Boutique de Comunicação posiciona-se num registo diferente: proximidade, estratégia e envolvimento direto em cada projeto. Fundada por Soraia Pedroso da Costa, a agência nasceu da perceção de uma lacuna no mercado — a ausência de acompanhamento verdadeiramente estratégico e personalizado por parte das estruturas tradicionais. Mais do que uma agência, o projeto assume-se como uma boutique de comunicação, onde cada cliente é trabalhado de forma próxima e onde o pensamento estratégico antecede sempre a execução.
Por Sandra M. Pinto
Em entrevista, a fundadora reflete sobre a origem do projeto, a evolução da agência nos últimos dois anos e os desafios de crescer num setor cada vez mais competitivo e fragmentado. Entre a consolidação de uma identidade própria e a gestão criteriosa do crescimento, a SoraiaPedroso procura afirmar-se num mercado onde, mais do que fazer mais, importa fazer melhor.
O que esteve na origem da criação da SoraiaPedroso – Boutique de Comunicação e que oportunidade de mercado identificou neste posicionamento?
Ao longo do meu percurso, fui percebendo que muitas marcas não sentiam verdadeiramente o acompanhamento das agências. Havia execução, mas faltava pensamento. Havia presença, mas pouca proximidade real. E, muitas vezes, a comunicação era tratada como uma tarefa — e não como uma ferramenta estratégica de negócio.
Foi aí que senti que havia espaço para fazer diferente. Comecei como consultora, muito próxima dos clientes, a trabalhar lado a lado com as equipas, a pensar antes de executar. E rapidamente percebi que essa forma de trabalhar — mais envolvida, mais estratégica e mais personalizada — era exatamente aquilo que muitas marcas procuravam, mas não estavam a encontrar.
A agência surge, depois, de forma natural, para dar estrutura a essa abordagem. Mais do que uma oportunidade de mercado, foi uma decisão consciente: criar uma boutique que não cresce em volume, mas em qualidade. Onde cada cliente é acompanhado de forma próxima, onde a estratégia vem antes da execução e onde a comunicação é pensada com intenção — não apenas para estar presente, mas para gerar impacto real.
O conceito de “boutique de comunicação” tem sido cada vez mais utilizado. Como define o vosso modelo e o que o diferencia no contexto das agências em Portugal?
O conceito de “boutique” tem vindo a ganhar espaço, mas também alguma diluição. Hoje, muitas estruturas assumem esse posicionamento, mas na prática continuam a operar com a mesma lógica das agências tradicionais — apenas com menos dimensão. Para mim, ser boutique não é uma questão de tamanho, é uma questão de abordagem.
Na SoraiaPedroso Boutique de Comunicação, isso traduz-se numa relação muito próxima com cada cliente, num envolvimento real nos projetos e, sobretudo, numa forma de trabalhar onde a estratégia vem sempre antes da execução.
Não entramos apenas para fazer. Entramos para perceber, questionar e alinhar. Só depois construímos.
Essa lógica muda tudo — desde a forma como definimos prioridades até ao tipo de resultados que conseguimos alcançar. Reflete-se também na forma como crescemos e estruturamos a equipa, ajustando-nos a cada projeto para garantir que o acompanhamento continua próximo, ágil e alinhado com aquilo que cada cliente precisa.
Isso permite-nos atuar verdadeiramente como parceiros estratégicos, e não como fornecedores de serviços. Num mercado onde há cada vez mais oferta, acreditamos que a diferença não está no que se diz que se faz, mas na forma como se trabalha no dia a dia.
Como é que a visão inicial da agência evoluiu ao longo destes dois anos de atividade?
A visão inicial mantém-se muito próxima daquilo que é hoje a agência — mas tornou-se mais clara, mais estruturada e, acima de tudo, mais consciente. Quando comecei, havia já uma intenção muito forte de fazer comunicação de forma diferente: mais próxima, mais estratégica e mais alinhada com os objetivos reais dos clientes. Mas, como em qualquer projeto, há sempre um processo de validação e ajuste.
Ao longo destes dois anos, aquilo que fui percebendo é que essa forma de trabalhar não só fazia sentido para mim, como fazia ainda mais sentido para o mercado do que eu própria antecipava. Muitos clientes procuravam exatamente isso: alguém que pensasse com eles, que questionasse e que trouxesse direção — não apenas execução.
A evolução da agência foi, por isso, muito natural. Passámos de uma estrutura mais individual para uma equipa, ganhámos espaço físico, consolidámos processos e afinámos a forma como nos posicionamos.
Mas o mais importante é que nunca perdemos o essencial: a proximidade, o pensamento estratégico e a forma como nos envolvemos em cada projeto. Hoje, sinto que estamos exatamente onde faz sentido estar — com uma base sólida, uma visão clara e ainda muito espaço para crescer com critério.
Que balanço faz do crescimento da agência em termos de clientes, setores e tipologia de projetos?
O balanço é muito positivo — sobretudo pela consistência com que fomos crescendo. Mais do que olhar para o número de clientes, valorizo o tipo de projetos que fomos construindo ao longo deste percurso. Trabalhamos hoje com marcas de diferentes setores — como imobiliário, retalho, consumo, saúde, seguros ou fundações — o que nos permite ter uma visão mais abrangente do mercado e trazer insights cruzados para cada estratégia.
Ao mesmo tempo, temos conseguido acompanhar empresas em diferentes fases de crescimento — desde negócios em fase de afirmação até marcas já consolidadas — sempre com o mesmo nível de envolvimento e exigência.
Em termos de tipologia de projetos, houve também uma evolução natural. Começámos muito centrados na assessoria de imprensa, que continua a ser o core da agência, mas hoje trabalhamos cada vez mais numa lógica integrada, onde a comunicação é pensada de forma transversal — desde conteúdo a posicionamento, passando por presença digital e estratégia.
Mais do que crescimento em volume, o que sentimos é um crescimento em maturidade — na forma como escolhemos os projetos, na forma como os desenvolvemos e no tipo de impacto que conseguimos gerar para os clientes.
Que marcas têm procurado a SoraiaPedroso – Boutique de Comunicação e que necessidades de comunicação e marketing mais frequentemente apresentam?
Temos vindo a trabalhar com marcas muito diferentes entre si, mas que acabam por ter algo em comum: procuram mais do que execução — procuram pensamento estratégico e envolvimento real.
São, muitas vezes, empresas em fase de crescimento ou consolidação, que sentem necessidade de estruturar melhor a sua comunicação, ganhar notoriedade ou alinhar a forma como se apresentam no mercado com aquilo que realmente são enquanto negócio.
Mas também trabalhamos com marcas já estabelecidas — algumas com forte presença no mercado — que procuram uma abordagem mais próxima e personalizada, sobretudo em momentos de reestruturação, reposicionamento ou necessidade de maior alinhamento estratégico.
Em termos de necessidades, há um padrão claro: muitas chegam até nós com comunicação dispersa, pouco consistente ou demasiado reativa. Falta estrutura, direção e intenção. O nosso trabalho começa precisamente aí — organizar, clarificar e definir uma estratégia que faça sentido a longo prazo. Só depois passamos à execução.
No fundo, não procuram apenas visibilidade. Procuram relevância. E isso muda completamente a forma como se trabalha a comunicação.
No atual contexto do mercado, o que tem sido determinante para a agência conquistar e manter clientes?
No contexto atual, onde há muita oferta e muitas soluções disponíveis, o que tem sido determinante para nós é a forma como nos posicionamos desde o primeiro momento. Não entramos com propostas genéricas nem com soluções pré-formatadas. Entramos para perceber o negócio, questionar e alinhar expectativas. E isso cria, desde o início, uma relação diferente.
A conquista de clientes tem vindo muito dessa abordagem — mais estratégica, mais envolvida e, sobretudo, mais honesta.
Já a retenção está muito ligada à consistência. À capacidade de acompanhar de forma próxima, de antecipar necessidades e de manter um nível de exigência elevado ao longo do tempo.
Mas há um fator que considero decisivo: a confiança. Quando um cliente sente que há pensamento por trás de cada ação, que há fundamento nas decisões e que há alguém verdadeiramente envolvido no seu crescimento, a relação deixa de ser transacional e passa a ser de parceria. E é isso que temos vindo a construir.
Que decisões estratégicas considera mais relevantes para a consolidação do projeto até agora?
Houve várias decisões importantes ao longo deste percurso, mas talvez a mais relevante tenha sido manter o foco naquilo que queríamos ser desde o início — mesmo quando isso significava crescer de forma mais gradual.
Nunca quisemos ser uma agência de volume. Sempre quisemos ser uma agência com intenção. E isso influenciou muitas das decisões que fomos tomando. Desde logo, a forma como escolhemos os projetos e os clientes com quem trabalhamos — privilegiando relações onde conseguimos acrescentar valor real.
Depois, a decisão de estruturar a agência no momento certo: reforçar a equipa, abrir um espaço físico e consolidar processos, não por pressão de crescimento, mas por necessidade de garantir qualidade e consistência no serviço.
E, por fim, a forma como fomos afinando o nosso posicionamento. Perceber claramente quem somos, como queremos trabalhar e o que não queremos ser foi fundamental para atrair os clientes certos e construir relações mais sólidas.
No fundo, mais do que decisões isoladas, foi uma linha de pensamento consistente — crescer com intenção, e não apenas por oportunidade.
Como é que a agência articula criatividade, estratégia de marketing e construção de marca no trabalho com os clientes?
Para nós, criatividade, estratégia de marketing e construção de marca não são áreas separadas — são partes de um mesmo processo.
Tudo começa na estratégia. Antes de pensar em ideias ou ações, é essencial perceber o negócio, o posicionamento, os objetivos e o contexto em que a marca está inserida. Sem isso, a criatividade pode até ser interessante, mas dificilmente será eficaz.
A partir daí, a criatividade entra como ferramenta — não como ponto de partida, mas como forma de traduzir a estratégia em algo relevante, diferenciador e com impacto.
E é essa articulação que permite construir marca de forma consistente. Não através de ações isoladas, mas através de uma linha de comunicação coerente, que se reflete em todos os pontos de contacto — dos media ao digital, do conteúdo ao discurso.
No fundo, o que procuramos é garantir que tudo o que é feito tem um propósito claro e contribui para um objetivo maior. Quando há esse alinhamento, a comunicação deixa de ser apenas visível — passa a ser memorável.
De que forma acompanham as marcas na definição ou reposicionamento do seu branding e narrativa?
O ponto de partida é sempre a escuta. Antes de qualquer proposta ou definição, é essencial perceber a marca em profundidade — o negócio, o contexto, os objetivos e, muitas vezes, até as dúvidas que ainda não estão totalmente claras internamente.
Muitas das marcas que nos procuram estão precisamente nesse momento: sabem que precisam de ajustar o seu posicionamento ou a forma como comunicam, mas ainda não têm isso totalmente estruturado.
O nosso papel é ajudar a organizar esse pensamento. Clarificar o que a marca quer ser, como se quer posicionar e que narrativa faz sentido construir a partir daí.
Esse trabalho é feito de forma muito próxima e colaborativa — questionando, alinhando e, muitas vezes, desafiando. Porque reposicionar não é apenas mudar o discurso, é garantir que há coerência entre aquilo que a marca é, o que diz e o que faz.
Só depois dessa base bem definida é que passamos à construção da comunicação — seja ao nível da assessoria de imprensa, do conteúdo ou da presença digital.
No fundo, ajudamos as marcas a ganhar clareza. E quando há clareza, a comunicação torna-se naturalmente mais consistente, mais relevante e mais eficaz.
Que papel assume hoje o marketing estratégico no posicionamento da SoraiaPedroso – Boutique de Comunicação enquanto agência?
O marketing estratégico tem um papel central — não apenas no trabalho que desenvolvemos para os clientes, mas também na forma como posicionamos a própria agência.
Desde o início, houve uma preocupação clara em construir uma marca com identidade, coerência e intenção. Não queríamos ser mais uma agência no mercado, mas sim uma estrutura com uma forma de pensar e trabalhar bem definida.
Isso reflete-se em todas as decisões: desde o posicionamento enquanto boutique, à forma como comunicamos, aos projetos que trabalhamos e até ao ritmo a que crescemos.
Hoje, o marketing estratégico permite-nos garantir consistência — na mensagem, na presença e na perceção que o mercado tem da agência. Mais do que estar presente, interessa-nos estar bem posicionados. E isso exige um trabalho contínuo de alinhamento, reflexão e ajuste — exatamente o mesmo que fazemos com os nossos clientes.
Quais são as principais tendências em branding, comunicação e marketing que estão a influenciar o vosso trabalho?
Hoje, há uma tendência clara para uma comunicação mais consciente e mais intencional. Durante muito tempo, o foco esteve muito na presença — estar em todo o lado, comunicar constantemente. Mas o que vemos cada vez mais é uma necessidade de parar, estruturar e comunicar com mais clareza.
Outra tendência relevante é a valorização da autenticidade. As marcas já não podem construir narrativas desligadas daquilo que realmente são. Há uma exigência maior de coerência entre discurso e ação — e isso obriga a um trabalho mais profundo de branding.
Também sentimos uma crescente procura por abordagens mais integradas. A comunicação deixou de funcionar em silos — hoje, tudo está interligado: imprensa, digital, conteúdo, posicionamento.
No fundo, o que estas tendências mostram é uma mudança de paradigma: menos volume, mais intenção. E é exatamente nesse espaço que a nossa forma de trabalhar ganha mais relevância.
Como é que equilibram um modelo de proximidade e personalização com a necessidade de escala e crescimento do negócio?
Esse equilíbrio é, provavelmente, um dos maiores desafios — e também uma das nossas principais prioridades. Desde o início que ficou claro que crescer não podia significar perder proximidade ou cair numa lógica mais massificada. Por isso, a forma como crescemos é muito pensada.
A chave está na estrutura e na forma como organizamos a equipa. À medida que a agência evolui, vamos ajustando os recursos a cada projeto, garantindo que existe sempre acompanhamento próximo e alinhado — independentemente da dimensão do cliente ou do trabalho.
Ao mesmo tempo, há um cuidado grande na forma como integramos novos projetos. Não no sentido de limitar o crescimento, mas de garantir que conseguimos manter o nível de exigência e envolvimento que nos define.
Crescer, para nós, não é fazer mais por fazer. É conseguir fazer melhor, com mais consistência e com mais impacto. E isso implica tomar decisões com critério — mesmo quando isso significa crescer de forma mais estruturada e não apenas mais rápida.
Que desafios tem encontrado na gestão de uma agência independente num mercado cada vez mais competitivo e exigente?
Um dos principais desafios é, sem dúvida, a forma como o mercado se tornou mais exigente, mas também mais disperso. Hoje existe muita oferta — desde grandes estruturas a freelancers — e nem sempre é fácil para as marcas perceberem a diferença entre execução e pensamento estratégico. Isso obriga-nos a fazer um trabalho constante de clarificação do nosso posicionamento e do valor que entregamos.
Outro desafio está na gestão do crescimento. Sendo uma agência independente, todas as decisões têm impacto direto na operação — desde a escolha dos projetos à estrutura da equipa. Isso exige um equilíbrio permanente entre ambição e consistência.
Mas, ao mesmo tempo, essa independência é também uma vantagem. Permite-nos tomar decisões de forma mais consciente, manter o foco naquilo que acreditamos e construir a agência à nossa medida — sem pressões externas para crescer a qualquer custo.
No fundo, mais do que responder à competitividade do mercado, o desafio tem sido manter coerência. Saber quem somos, como queremos trabalhar e garantir que isso se reflete em tudo o que fazemos. E isso, hoje, acaba por ser também aquilo que mais nos diferencia.
O que considera ser hoje o principal fator de diferenciação da agência no ecossistema de comunicação em Portugal?
Acredito que a principal diferenciação está na forma como pensamos antes de fazer. Num mercado onde há muita execução e muita pressão para estar presente, muitas vezes a comunicação acontece sem uma base estratégica clara. E isso reflete-se nos resultados.
Na SoraiaPedroso Boutique de Comunicação, o nosso ponto de partida é sempre o pensamento. Entramos nos projetos para perceber, questionar e alinhar — e só depois avançamos para a execução. Isso traduz-se numa relação mais próxima com os clientes, numa comunicação mais intencional e, acima de tudo, em decisões com critério. Não procuramos fazer mais. Procuramos fazer melhor — com mais clareza, mais consistência e mais impacto. E, no final, é isso que acaba por fazer a diferença.
Que tipo de projetos mais têm marcado estes dois anos de atividade?
Mais do que projetos isolados, o que tem marcado estes dois anos são sobretudo processos de construção e evolução de marca.
Temos acompanhado empresas em momentos-chave — desde fases de lançamento e afirmação no mercado até processos de reposicionamento e reestruturação da comunicação. E é nesses momentos que conseguimos acrescentar mais valor.
Projetos onde foi necessário parar, repensar a estratégia, organizar a narrativa e definir um caminho mais claro — antes de avançar para a comunicação propriamente dita.
Também têm sido muito relevantes os projetos de assessoria de imprensa contínua, onde o desafio não é apenas gerar visibilidade, mas construir presença e credibilidade de forma consistente ao longo do tempo.
No fundo, são projetos que exigem envolvimento, pensamento e continuidade. E são esses que mais nos interessam — porque é aí que a comunicação deixa de ser pontual e passa a ter um impacto real no negócio.
Quais são os próximos objetivos estratégicos para a agência a curto e médio prazo?
Os próximos objetivos passam, acima de tudo, por consolidar o caminho que temos vindo a construir.
A curto prazo, queremos continuar a reforçar a estrutura da agência — ao nível da equipa, dos processos e da capacidade de resposta — garantindo que conseguimos acompanhar o crescimento sem comprometer a qualidade e a proximidade que nos definem.
Ao mesmo tempo, há uma intenção clara de continuar a trabalhar projetos cada vez mais estratégicos, onde possamos estar envolvidos desde a base e contribuir de forma mais estruturada para o posicionamento das marcas.
A médio prazo, o foco passa por afirmar ainda mais a SoraiaPedroso Boutique de Comunicação como uma referência neste modelo de trabalho — uma agência reconhecida não pela dimensão, mas pela forma como pensa, acompanha e entrega.
Mais do que crescer por volume, queremos crescer com intenção — com os clientes certos, os projetos certos e uma estrutura cada vez mais sólida.














