Miguel Raposo Magalhães (NOS Publicidade): «É altura das marcas entrarem no cinema pois está a captar audiências de forma muito relevante»

Notícias
Maria João Lima
27/02/2025
20:19
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Miguel Raposo Magalhães (NOS Publicidade): «É altura das marcas entrarem no cinema pois está a captar audiências de forma muito relevante»

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Falar e ouvir falar sobre cinema durante uma manhã foi o que juntou, hoje, profissionais de agências de meios, de agências de publicidade, marketeers e actores numa das salas da NOS no Colombo, em Lisboa.

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Pelo terceiro ano a NOS realizou o Brand Activation Day juntando um painel de profissionais para discutir “o Futuro do Cinema e o Cinema do Futuro”.

Em jeito de pontapé de saída dos trabalhos Miguel Raposo Magalhães, director da NOS Publicidade, garantiu: «O cinema está vivo e recomenda-se.» Recordou que 2019 foi o melhor ano de sempre de cinema em termos de attendance e salientou que 2024 não esteve longe dos números de 2019. «Prevê-se que 2025 seja mais perto ou igual do que foi 2019», acrescentou, destacando que é mais do que altura das marcas entrarem a sério num meio que está a captar as audiências de forma muito relevante. Audiências que, conta, mudaram um pouco, uma vez que até 2019 a audiência era mais sénior, sendo hoje mais nova com o target 15-34 muito activo no cinema. «São boas notícias para as marcas uma vez que são targets que não conseguem apanhar com facilidade.»

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À margem do evento, a Marketeer conversou com Miguel Raposo Magalhães sobre as mudanças que este meio teve nos anos mais recentes e também sobre o que está para chegar.

Há dois anos fizeram o lançamento desta área de activação de marca. Que balanço fazem destes dois primeiros anos de actividade? 

O balanço é positivo. Temos duas vertentes na activação de marca. É muito importante para captação de anunciantes / marcas para o cinema, mas tem uma dificuldade: é de investimento produtivo – ou seja, essencialmente o dinheiro que entra vai para a produção – e consome muitos recursos. As equipas não são gigantes e nós fazemos tudo in house. Há um patamar que nós não queremos ultrapassar porque, aliás, não conseguimos. Não tem tanto a ver com margem, mas muito mais com a capacidade de nós entregarmos bem. Por isso, a quota mantém-se em termos daquilo que são as nossas receitas.

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Mantem-se nos 20%?

Sim, nos 20%, sendo que cresceu tudo como um todo. Os 20% não são iguais aos 20% de 2023. Conseguimos ter uma activação por semana. Em meses que sejam espectaculares há fins-de-semana em que temos duas ou três, mas já é crítico. Por isso acho que a quota, em termos daquilo que é o nosso mix de investimentos, não se vai alterar. Não vai passar muito disto por uma questão de capacidade das equipas e dos recursos que isto consome.

Quando as marcas estão a ser activadas no foyer ou dentro das salas, elas estão também no ecrã?

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Pode haver ou não uma ligação, mas tipicamente há. Não fazemos, por natureza, activações sem ter uma ligação com ecrã. Por exemplo, para este evento do Brand Activation Day, a BMW tinha os encostos de cabeça dentro da sala, lá fora o naming da sala e na entrada da sala, nos écrans, passa o filme da marca, desaguando (em contextos normais) no anúncio no écran antes da exibição do filme.

A Audi, por exemplo, patrocina o evento dos Óscares que temos amanhã aqui [no Colombo]. Terá carros expostos lá em baixo. A Audi é um bom exemplo de uma marca que tem feito um esforço para estar always on no cinema. Tem corrido bem porque já vamos no segundo ano em que eles estão o ano todo a comunicar no cinema e são muito activos. Por isso é sinal que lhes corre bem em termos de comunicação e que o target de cinema faz fit com o target deles.

Temos tido também, evidentemente, marcas da área infantil muito coladas aos filmes infantis. A Lego é um exemplo, a Mimosa tem estado muito presente também e tem sido um parceiro essencial para o crescimento desta área.

Essas activações, como falámos já no ano passado e como tínhamos falado há dois anos, são maioritariamente nas grandes cidades como Lisboa, Porto, Braga…?

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Podemos ir a qualquer lado, basta a marca querer. Mas são maioritariamente nas grandes cidades. Tipicamente estamos nos cinemas de maior attendance, portanto Lisboa, Porto e Braga.

Durante a conversa do Brand Activation Day referiram que os números do cinema têm estado bons, mas que o investimento das marcas não está a acompanhar. O que falta para encurtar esse gap entre as coisas estarem a melhorar e as marcas perceberem que está a melhorar?

O que acontece é que a attendance está a crescer mais do que cresce o investimento publicitário. O nosso mundo da publicidade é muito conservador e as marcas para fazerem o shift demoram algum tempo. O nosso trabalho é um bocadinho ingrato no sentido de que temos que estar muito tempo para as pessoas (nomeadamente as agências e as marcas) nos ouvirem. Isso é um trabalho de anos. Diria que 2025 vai ser muito importante nesse aspecto.

Temos inscrito em orçamento o mesmo número que fizemos em 2019. É muito ambicioso. Acho que é possível. Mas precisamos que as agências e que as marcas acreditem em nós e que venham connosco para dentro dos cinemas.

Não é agradável, mas diria que é normal que a curva do investimento publicitário demore um bocadinho mais tempo.

As marcas que têm feito esse investimento em cinema, seja no ecrã, seja na activação, têm-se mantido, além da já referida Audi?

Sim, a Audi e a NOS, mas neste caso está no seu elemento e no seu ADN. Depois temos marcas que entram e saem e que é táctico e que também faz sentido. Isto não é uma queixa. A Lego e a Mimosa são dois exemplos. As infantis estão muito coladas aos filmes infantis. Quando sai um Rei Leão ou um Inside Out colam-se e bem porque sabem que vai haver buzz à volta disso!

Mas em boa verdade, para além disso, não temos marcas que estejam consistentemente em cinema.

O naming das salas é uma realidade?

É uma possibilidade, mas tem sido pouco usada. Fizemos agora com a BMW. Quando dizemos naming podemos ir um bocadinho mais à frente. Já fizemos com um pórtico na entrada da sala que identifica e que em vez de ser a sala 7 é a sala Lego. Já começámos a ter chamadas nos écrans dos foyers. Há um produto um bocadinho mais alargado do que havia há três ou quatro anos e que transforma isto num produto muito atractivo e cheio de potencialidades.

Durante a manhã foi referido que as audiências do cinema mudaram e que a faixa etária dos jovens adultos (entre os 15 e os 34 anos) esté a crescer. O que é que contribuiu para isso?

No pós-pandemia, os seniores não voltaram por duas razões: inicialmente pela questão da segurança e por uma questão de hábito. Perderam o hábito. Mas acho que não é alheio o facto de os conteúdos, coincidentemente, terem sido mais para um target mais novo do que para um target mais sénior. Estamos a fazer um trabalho para que voltem e vão voltar. Não tenho dúvida disso. Basta haver conteúdos para voltarem.

É espectacular que o target mais novo cá esteja porque é o mais difícil de contactar e nós temo-lo aqui sentado, sem ver o telemóvel (como assumiram no vox pop), a olhar para um ecrã gigante, a absorver tudo o que nós temos para dizer. É um target mais novo, mas queremos ter todos os segmentos aqui.

Até porque os mais seniores conseguem ir ao cinema em horários diferentes dos mais novos. Mas como estão a tentar captar esse público mais sénior que perdeu o hábito, se fechou em casa e que, se calhar se agarrou às plataformas?

O essencial são os conteúdos. Havendo conteúdos exclusivos em cinema para os seniores, eles vão voltar porque o tema da segurança já lá vai.

O que há de novo na área de brand activation para este ano que não havia há um ou dois anos?

Não existe ainda, mas estamos a trabalhar junto da NOS Audiovisuais para poder alargar um bocadinho para dentro da produção. Mas aí temos dificuldades ainda maiores porque temos que estar no início da produção. E não estamos a falar de produções internacionais, evidentemente, embora se possa fazer alguns apontamentos, não no filme, mas associando-se ao filme e estando dentro de algumas promos a ele ligadas.

O tema da produção portuguesa é um tema que nós vamos querer trabalhar. Há uma oportunidade aí para as marcas entrarem de forma que eu nunca vi em Portugal. Vamos querer que aconteça para ajudar a produção e para nos ajudar a nós.

Texto de Maria João Lima

*A jornalista escreve segundo o Antigo Acordo Ortográfico




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