Documentos internos da Meta, revelados recentemente pela Reuters, sugerem que a empresa pode estar a gerar cerca de 16 mil milhões de dólares anuais com anúncios fraudulentos e promoções de produtos proibidos, o que representa aproximadamente 10% da receita global da companhia, publica o Social Media Today.
O relatório indica que, todos os dias, as plataformas do grupo, incluindo Facebook e Instagram, exibem cerca de 15 mil milhões de anúncios classificados como “de alto risco”, contendo sinais claros de fraude. Apesar de inúmeras queixas de utilizadores, os documentos sugerem que a Meta não só está ciente do problema como poderá estar a ignorá-lo, devido ao elevado impacto financeiro destes anúncios na sua receita publicitária.
Além disso, o sistema de personalização de anúncios da Meta reforça este fenómeno: utilizadores que interagem com anúncios fraudulentos tendem a ver ainda mais conteúdos similares, aumentando a exposição a potenciais fraudes. A empresa, no entanto, afirma que só remove anúncios suspeitos quando consegue confirmar a fraude “com 95% de precisão”.
Do ponto de vista do marketing, este cenário é preocupante para anunciantes. O aumento de anúncios fraudulentos pode inflacionar os custos de publicidade nas plataformas da Meta, refletindo-se diretamente no retorno sobre investimento de campanhas legítimas.
A problemática das fraudes digitais é global: segundo a Global Anti-Scam Alliance, vítimas em todo o mundo perderam mais de um trilião de dólares no último ano, com 23% dos adultos a serem afetados, valor que sobe para 41% na América do Sul e África.
A Meta refuta a interpretação negativa dos documentos, salientando que não foram preparados para uso público e que os sistemas de deteção de fraudes reduziram em 58% as denúncias de anúncios fraudulentos em 2025. Contudo, especialistas alertam que reguladores internacionais podem investigar a companhia, podendo surgir multas significativas caso os dados se confirmem, com impacto direto na reputação e nos investimentos da empresa em publicidade digital.












