Menos filas e mais experiências no Lisb-On

O Lisb-On regressa, na próxima semana, ao Parque Eduardo VII, em Lisboa, e promete oferecer ao público uma experiência melhorada. Miguel Ângelo Fernandes, produtor do evento, conta à Marketeer o que mudou no festival, como foram facilitados os acessos e a importância que tem para o turismo da capital portuguesa.

Marcado para entre os próximos dias 9 e 11, o Lisb-On leva ao parque nomes como Jungle, Dixon, Sensible Soccers e Surma. Este ano, que é já a terceira edição do festival, o Lisb-On volta a apoiar a Casa dos Animais de Lisboa, unindo música e solidariedade.

Miguel Angelo Fernandes 1

O Lisb-On vai já na terceira edição. Qual o balanço?

Com a primeira edição materializámos uma ideia, até então projecto, que apesar de uma afluência abaixo da expectactiva (em muito graças a um “cataclismo” no primeiro dia) serviu para arregimentar de forma militante uma legião de fãs que se tornaram embaixadores do conceito.

Em 2015, esgotámos nos dois dias e percebemos que havia necessidade de corrigir  alguns aspectos. Sentimos as dores de crescimento e olhámos de imediato para a terceira edição com a vontade de continuar a crescer. Ver o conceito e a marca Lisb-On assumir-se no panorama, mantendo a escala e à custa de alguns aspectos diferenciadores, dá-nos a perspectiva de balanço positivo e promissor.

O que diferencia o Lisb-On de outros festivais lisboetas?

O Lisb-On #Jardim Sonoro passou este ano a ser uma festa de três dias, com a cidade de Lisboa como palco. Começa por ser um evento diurno, organizado com o objectivo de receber um máximo de cinco mil pessoas por dia e destaca-se pela preocupação com a envolvência do espaço, qualidade dos serviços, cartaz e relação com o público.

Mas se estes são aspectos comuns a muitos eventos, acredito que há cinco características que nos diferenciam: o horário – tirando proveito das condições naturais, começamos de dia, com a abertura de portas às 13h30 e o arranque das actuações às 14h00; o local – um jardim no coração de Lisboa, central para qualquer que seja o acesso escolhido e que reforça a importância de a experiência acontecer num local emblemático da cidade (Parque Eduardo VII) e não nos arredores; a data – que resultou da vontade de criar um “espaço” próprio que não colidisse com outros eventos e ainda com sabor a Verão (o segundo fim-de-semana de Setembro – 9, 10 e 11 – assinala o regresso das férias para muitos e, por Lisboa ser cada vez mais uma cidade “all-season”, mantém níveis altos de projecção turística); o associativismo – com tanta oferta, Lisboa já é uma excelente experiência de música, cultura e diversão (desafiámos os players existentes, em regime pro bono para que juntos pudéssemos promover um fim-de-semana que ilustra a diversidade, a qualidade e o potencial que, graças a eles, a cidade seguramente, já tem); e a responsabilidade social – o Lisb-On como iniciativa pensada para a cidade, assume expressivamente o apoio a uma causa social e um assunto que também é da cidade. Apadrinhámos a causa e apoiamos a Casa dos Animais de Lisboa. Este ano, para além dos apoios que temos assumidos regularmente, voltamos a lançar o repto a todos os que nos visitarem a fazerem um donativo, do valor que quiserem. Adicionalmente, no recinto, o remanescente das pulseiras que cada participante decide deixar reverte para a Casa dos Animais sob a forma de rações.

Quais as novidades para este ano?

Mudámos a entrada do recinto para o lado da ala central do Parque Eduardo VII, para assegurar mais e melhores acessos a funcionar em permanência e desejavelmente sem congestionamentos.

Teremos uma bilheteira a funcionar no recinto logo a partir de terça-feira (dia 6 de Setembro), para permitir comprar o bilhete ou trocar o passe de três dias pela pulseira antecipadamente e, assim, evitar filas.

Também para acelerar a entrada, os portadores de bilhetes diários não necessitam de pulseira, podem dirigir-se directamente para a porta. Dentro do recinto, utilizamos o sistema cashless nas duas vertentes possíveis: pulseira para portadores de passe e cartões para portadores de bilhetes diários.

Reforçámos os serviços em todas as frentes (estruturas de bar, carregamentos e staff nas diferentes secções). A oferta no food-court também será mais diversificada.

Qual o peso do Lisb-On para o turismo em Lisboa?

Acreditamos que o Lisb-On desempenha um papel importante na dinamização turística da cidade e temos dados concretos a partir da análise da venda nas bilheteiras digitais. Em 2014, vendemos bilhetes em 10 países e 26 cidades, representando um total de  8% das vendas.

Em 2015, esgotámos os dois dias ao vender bilhetes em mais de 25 países e 120 cidades diferentes do mundo. Ou seja, 15% das vendas foram para o mercado internacional, com particular enfoque na Europa.

Acresce que no mercado nacional, as vendas com origem noutros distritos que não Lisboa, também nos dão a ideia de que há mais pessoas a passarem o fim-de-semana na capital por causa do Lisb-On e isso também é turismo.

Depois da meia-noite, o festival continua nos espaços dos associados. Como são escolhidos os bares/restaurantes/galerias parceiras? E como surgiu este modelo dividido?

Depois das actuações no Parque Eduardo VII, a festa continua pela noite fora em vários pontos da cidade, fazendo com que Lisboa tenha ainda mais vida do que habitualmente.

O público do festival é convidado a percorrer um roteiro nocturno pelos espaços dos associados do Lisb-On onde se incluem bares, hotéis, galerias de arte, lojas vintage, hostels e restaurantes com diferentes programações concebidas especificamente para as três noites do festival.

Estes associados são referências da oferta de entretenimento, clubbing ou gastronomia e são escolhidos por estarem em sintonia com os valores do festival e terem como missão ao longo do ano fazer de Lisboa uma cidade excitante.

Todos os anos, o Lisb-On apoia uma causa social. De que forma a música e a solidariedade se conjugam?

Promovido em parceria com a Câmara Municipal de Lisboa, o Lisb-On #Jardim Sonoro mantém a responsabilidade social que caracterizou as edições anteriores e conta com apoio de figuras públicas como Inês Castelo-Branco e Leonor Poeiras. Esta terceira edição continua o projecto solidário e reforça a ligação à Casa dos Animais de Lisboa numa nova campanha que tem como objectivo a angariação de fundos para esta instituição.

Na edição de 2015, a Câmara Municipal de Lisboa e o LISB-ON angariaram um total de 15. 223,71 euros que foram convertidos em ração para cães e gatos, o que representa um aumento de cerca de 50% relativamente ao valor conquistado em 2014.

O Lisb-On conta com um orçamento reduzido para a comunicação. De que modo contornam esta situação?

Conseguindo motivar um grupo de pessoas (ímpares na qualidade individual) que sentem o Lisb-On como algo que vem de dentro, sabendo que somos um projecto low-budget.

Em 2014, com o Mário de Belém, o Rui Aguiar e o Pedro Carvalhinho, a ideia desenvolveu-se a partir de inputs que obedeceram à vontade de apresentar algo “fora da caixa”, numa atitude de desconstrução em que “menos é mais”. Escolhemos personagens que fazem parte do imaginário lisboeta, juntámos uma pitada de non-sense e uma sonoplastia que foi igualmente pensada a partir de sons característicos de Lisboa.

Para além do reconhecimento e de um prémio (Portugal Festival Awards – Melhor Comunicação), também ganhámos a noção de que a campanha era difusa e pouco esclarecedora para quem se apresentava numa primeira edição.

Foram esses aspectos que quisemos corrigir em 2015 e com a Partners a opção principal foi a de “passar conceito” de forma subliminar e quase informativa. Por outras palavras, mantendo a ambição original, ser mais esclarecedores sobre o que é o Lisb-On #Jardimsonoro.

Este ano partimos da intenção de ser disruptivos, arriscámos ao ficcionar uma narrativa, dando-lhe um ar sério do tipo documentário. Novamente com o expertise da Partners, nasceu o “Hair Gardener”, um barbeiro que soube adaptar-se ao facto de receber clientes a quem crescia flora em vez de cabelo. Em comum estes clientes tinham o facto de ter passado por uma experiência musical em Setembro e em Lisboa. Foi até agora a campanha que mais partilhas e comentários recebeu.

Quais as marcas parceiras da edição deste ano do festival?

A Câmara Municipal de Lisboa é o nosso parceiro institucional, o que nos permite alavancar a ideia de que uma cidade “cool” sai reforçada promovendo eventos como o Lisb-On.

A Heineken está connosco desde a primeira edição e, a cada ano, reforça a vontade de construir activações tailor-made, que resultam do conhecimento tanto do nosso ADN como do público a que nos dirigimos. Este ano, a Heineken conseguirá fazer-nos viver a nossa música, sobretudo em momentos de silêncio.

Também desde a primeira hora, a Delta Q soube acompanhar a nossa ambição de reforçar a experiência e, com a naturalidade de quem bebe um café, este ano apresenta uma solução não intrusiva para viver mais o Lisb-On.

A Schweppes e a Jameson, pela segunda vez consecutiva, demonstram como ser o tónico para qualquer festa e que para além de um destilado há um modo de vida, respectivamente.

A Seat, no Lisb-On pela segunda vez também, vai lembrar-nos de quão bom pode ser voltar à rotina.

A relação com o hotel The Oitavos assegura-nos o melhor da hospitalidade, típica de um povo, num cenário edílico para uma entourage exigente que parte sempre muito bem impressionada.

A SIC, a Vodafone FM e a GPS ajudam-nos a amplificar a mensagem, divulgando o conceito, conteúdos e pormenores tanto de carácter geral como informativos.

Texto de Filipa Almeida

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