M’Arrecreo: o italiano onde os italianos vão

O plano estava delineado: conhecer os novos pratos do M’Arrecreo, que recentemente chamou (de volta) para a cozinha um chef napolitano – Gennaro Langella –  e que está a preparar uma reformulação do menu com direito a receitas como Parmegiana de Melanzana ou Bruschetta de queijo de cabra. Mas quis o destino que o nosso destino fosse outro.

Chegámos à Rua de São Pedro de Alcântara, mesmo junto ao miradouro com o mesmo nome, em Lisboa, por volta das 19h, mesmo a tempo de explorar o restaurante antes do frenesim habitual de sexta-feira à noite e de os turistas começarem a fazer fila em busca de uma mesa. Fomos recebidos por Pedro Azevedo, responsável pelo projecto – que começou dentro do Bairro Alto e entretanto se mudou para uma rua com mais exposição e “foot traffic” –, e percebemos desde logo que o M’Arrecreo não é um restaurante italiano. É uma pizzaria especializada na técnica napolitana e, por isso mesmo, não poderíamos deixar de seguir as sugestões de quem sabe e colocar à prova o forno Di Vicino (que atinge temperaturas de 500º e é construído com pedra de origem vulcânica).

O M’Arrecreo é certificado pela Associazione Verace Pizza Napoletana, descrita pelo chef Gennaro Langella como uma das mais antigas de Nápoles, tendo sido criada em 1984 e contando, actualmente, com mil membros em todo o Mundo, cinco delegações e seis escolas. E foi precisamente numa destas escolas que Gennaro Langella conheceu Pedro Azevedo, dando-lhe formação e construindo uma relação que o traria a Lisboa.

Mas vamos, então, àquilo que nos levou ao M’Arrecreo: a gastronomia. Já com o cocktail do dia – um Mojito de Framboesa – no copo (7 euros), somos brindados com o couvert, nada mais do que Foccaccia genovesa com pesto caseiro preparado diariamente (3 euros). Servida ainda quente e com todos os sabores de que estamos à espera, é o início ideal para esta viagem, que tem como paragem seguinte a Burrata com carpaccio de beterraba (10  euros) – um clássico com um twist que poderá ser do agrado também de quem não come carne. Em vez do tradicional presunto, este queijo típico da região de Puglia surge acompanhado por finas fatias de beterraba cujo sabor é suavizado com a ajuda de mel.

Seguimos para as pizzas com a Tronchetto (15 euros), que surge numa forma diferente do habitual. Não é bem uma pizza, também não é calzone, não sabemos bem como descrever, mas certo é que as voltas dadas à massa permitem que os diferentes queijos surjam como topping e recheio. A saber: mozarela flor di late, provola affumicata, emmental e parmesão. Para enaltecer todos estes sabores, juntam-se ainda tomate cherry, rúcula e prosciutto di Parma. Para os mais audazes, o picante caseiro é uma opção a considerar, mas aconselhamos cautela.

Segundo nos explica Pedro Azevedo, as pizzas são mesmo a estrela da casa e não defraudam as expectativas nem envergonham a herança a que pretendem prestar tributo. Ou não fosse o M’Arrecreo um dos sítios, em Lisboa, mais procurados por italianos que querem matar as saudades de casa.

Terminámos com a Panna Cotta de frutos vermelhos (3,50 euros), que se revelou ser uma excelente opção até para quem não é o maior fã desta sobremesa. E não se esqueça de pedir o licor da casa para finalizar, que, contam-nos, é uma receita especial do clássico Limoncello, que aqui se apresenta mais leve e com 10 especiarias.

Texto de Filipa Almeida

Fotos de Maria Mattos

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