Lola regressa a Portugal em parceria com a Normajean

Não mudam as instalações nem a equipa. Não há participações envolvidas e o lema é colaboração. A Normajean é a nova parceira da Lola em Portugal, mas não estamos perante uma fusão (ainda que o nome passe a ser Lola Normajean): «É uma espécie de casamento sem comunhão de bens», indica Rodrigo Silva Gomes, CEO da Normajean (à esquerda na foto). Num almoço com jornalistas, o responsável afirmou que a parceria permitirá novos voos e um salto em frente: «O mercado português está demasiado pequeno. O talento é tão grande que merece mais.»

O regresso da agência latina, do universo Mullen Lowe, ao mercado português é o resultado de cerca de um ano de conversas e planeamento. Chegaram a pensar voltar ao País através de um aquisição mas decidiram que o melhor era abrandar o ritmo. Fecharam acordo de representação com a Normajean e, juntas, pretendem ajudar a internacionalizar marcas portuguesas: no prazo de três anos, a Normajean espera que um terço da sua carteira de clientes corresponda a marcas com presença além-fronteiras, segundo avança Rodrigo Silva Gomes. Para isso contribuirão os recursos mas também os valores da Lola, com destaque para a abertura e vontade contínua em inovar e estabelecer relações emocionais entre as marcas e pessoas (mais do que consumidores, como frisa Miguel Simões, CEO da Lola, à direita na foto).

A Lola compromete-se também a partilhar com a Normajean potenciais projectos, ou seja, qualquer briefing global que receba dos seus clientes poderá ser respondido também pela agência portuguesa. Haverá um cruzamento constante entre equipas, sendo que a Lola tem escritórios em Espanha, França e Alemanha, num total de cerca de 400 pessoas.

Miguel Simões garante que não querem ser a maior agência, mas sim uma das melhores. A Lola é uma boutique criativa e é assim que se quer manter. «Não somos só doers, somos uma comunidade de thinkers», cuja missão é gerar valor na vida das pessoas ao mesmo tempo que resolve problemas de negócio das marcas: «Os clientes precisam de uma agência que os ajude a pensar e não a fazer.»

Ainda sobre a parceria, Rodrigo Silva Gomes confessa que a agência que ajudou a fundar esteve sempre orgulhosamente só mas que mudou de ideias, tendo o convite para criar laços com a Lola partido da própria Normajean. O executivo aproveita para sublinhar que a novidade não passa de uma coincidência numa altura em que algumas agências independentes – nomeadamente a BAR e a Partners – se juntam a grandes redes. Na sua opinião, aliás, este é um erro motivado por dinheiro.

No caso da parceria com a Lola, o interesse é outro. Além de apoiar a internacionalização de insígnias portuguesa, o objectivo é também trabalhar clientes globais que queiram uma visão local. O acordo inclui ainda uma joint-venture para a compra de media brands, disponibilizando um novo serviço aos clientes e garantindo que a barreira entre media e criatividade cai por terra.

Neste momento, as duas agências já estão a trabalhar clientes em conjunto mas não podem revelar quais, uma vez que são fruto de concursos e as regras assim o exigem. Confirmam apenas que entraram na pool de agências digitais da Unilever.

A pressa da SEAT

Quando a Lola abriu portas em Portugal, em 2013, fê-lo por causa de um grande cliente, a SEAT. Miguel Simões admite que foi um lançamento apressado e que parte do fracasso da agência a isso se deveu. Terminada a relação com a fabricante automóvel, a Lola não tinha as condições necessárias, ou seja, clientes para manter a operação. «Deixou de ter sentido existir. Nasceu mal», resume o responsável.

Agora, a Lola reaparece por cá com mais calma e ponderação. «Não foi com presa como na primeira vez», garante Miguel Simões. Envolvidos neste processo estão também Sérgio Lobo, director criativo da Normajean, e Chacho Puebla, Chief Creative Officer da Lola.

Texto de Filipa Almeida

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