Lidl: Um compromisso que se vive todos os dias

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Marketeer
13/01/2026
11:45
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Lidl: Um compromisso que se vive todos os dias

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A sustentabilidade torna-se hoje um eixo estruturante no retalho, influenciando operações, produtos e o impacto das empresas nas comunidades.

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A o longo dos últimos anos, a sustentabilidade ganha centralidade numa parte crescente das empresas, mas, no universo do retalho, assume um peso particular. Para Vanessa Romeu, directora de Corporate Affairs do Lidl Portugal, este tema não é uma opção, mas «um imperativo moral e estratégico». Em entrevista à Marketeer, a responsável afirma que esta visão está hoje integrada em todas as decisões do dia-a-dia e reflecte-se na forma como a organização estrutura processos, define prioridades e mobiliza equipas.

Segundo explica, a visão de criação de valor vai muito além do preço inscrito na prateleira, abrangendo o planeta, as comunidades e os clientes. Esta abordagem articula-se com a assinatura “O Lidl Vale Mesmo a Pena”, que vinca uma ideia de valor que ultrapassa o racional económico e se estende à dimensão social e ambiental. Vanessa Romeu reforça que «todos têm um papel essencial a desempenhar» no compromisso com a sustentabilidade. Colaboradores de loja e entrepostos participam na separação de resíduos e doações diárias; equipas de escritório, direcção, administração e o próprio CEO participam na definição dos recursos e políticas necessárias para alcançar as metas da empresa.

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A partir desta premissa, a entrevistada enquadra o papel do retalho na transição para um consumo mais responsável. A empresa, afirma, procura estar «na linha da frente», promovendo escolhas sustentáveis e tornando essas opções fáceis e acessíveis aos consumidores. Esta estratégia materializa-se na aposta em matérias-primas certificadas, como cacau, café, chá, peixe ou marisco, garantindo práticas de produção responsáveis. A redução do plástico virgem é outra das frentes activas, traduzida tanto na aposta em embalagens mais circulares como na integração de plástico reciclado nas marcas próprias. Em paralelo, o combate ao desperdício alimentar torna-se prioritário, assente em optimização logística e no programa Realimenta, que canaliza excedentes para instituições sociais.

A lógica é clara: incorporar critérios de sustentabilidade nos processos de compra, para que o consumidor «não tenha de pagar mais para fazer a escolha certa».

AMBIENTE E CADEIAS RESPONSÁVEIS

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Entre as várias áreas de actuação, a redução do impacto ambiental assume particular relevância. Vanessa Romeu destaca que os próximos anos serão decisivos para proteger os ecossistemas nacionais, e recorda que a empresa actua neste campo há muito tempo. Um dos exemplos mais sólidos é a utilização de electricidade 100% verde desde 2019, reforçada pela instalação de painéis fotovoltaicos em mais de uma centena de lojas e centros logísticos. Paralelamente, tem sido promovida uma mobilidade mais sustentável, com postos de carregamento eléctrico em mais de 260 lojas, e com a meta de atingir uma frota totalmente eléctrica até ao final do actual ano fiscal. A nível internacional, recorda a meta de zero emissões líquidas de gases com efeito de estufa até 2050.

Na área da economia circular, Vanessa Romeu resume a evolução: mais de 70% dos resíduos produzidos são hoje valorizados através de reciclagem, reutilização ou compostagem, enquanto os resíduos enviados para aterro caíram para menos de 28% nos últimos dois anos. Mantém-se ainda o compromisso com objectivos de reciclabilidade e redução de plástico nas embalagens de marca própria.

Ao nível da biodiversidade, a empresa aposta de forma crescente em certificações que asseguram condições de produção responsáveis, como Global G.A.P., GRASP, Rainforest Alliance, Fairtrade, MSC, ASC e Bio. Hoje, disponibiliza um cabaz cada vez mais diversificado de produtos sustentáveis a preços acessíveis, incluindo mais de 750 certificações em produtos de marca própria.

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Entre os projectos estruturantes, sobressai o Re-Store Portugal, desenvolvido em parceria com a WWF. O programa, alinhado com a nova Lei Europeia do Restauro da Natureza, permitiu o mapeamento de nove áreas prioritárias de intervenção – como a Serra do Caldeirão, a Serra da Estrela ou o Parque Nacional Peneda-Gerês – e prevê o financiamento do restauro de 30 hectares neste último.

A sustentabilidade, reforça a responsável, começa muitas vezes na origem dos produtos. Por isso, a empresa rege-se por um código de conduta rigoroso, que integra preocupações ambientais e sociais logo na primeira fase da cadeia de valor. «Para nós, este é um tema fundamental», afirma, explicando que auditorias regulares e certificações como Global G.A.P. e GRASP asseguram condições de segurança, higiene e saúde dos trabalhadores. Além disso, as equipas mantêm contacto próximo com os fornecedores e todos os artigos são sujeitos a controlos de qualidade ao longo de todo o percurso até à loja.

IMPACTO SOCIAL E COMBATE AO DESPERDÍCIO

A dimensão social é outro dos pilares estruturantes da estratégia. Vanessa Romeu relembra que, desde que chegou a Portugal, há 30 anos, a empresa procurou consolidar uma relação próxima com as comunidades onde actua. O compromisso materializa- se em acções, programas e parcerias orientadas para o desenvolvimento social e para apoiar quem mais precisa.

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Um desses programas é o “Mais Ajuda”, criado para estimular soluções inovadoras para desafios sociais. Desde o seu lançamento, já distribuiu mais de 1,2 milhões de euros a 30 projectos de inovação nas áreas da infância, terceira idade, educação e habitação. O Realimenta, focado na doação de excedentes alimentares ainda em condições de consumo, é outro dos eixos centrais. Só em 2024, permitiu apoiar 128 mil beneficiários através de mais de quatro mil toneladas de alimentos doados em parceria com 735 instituições sociais.

Além disso, a empresa mantém parcerias com entidades de referência, apoiando famílias através de doações monetárias, campanhas de recolha de bens e material escolar. Em 2024, o total doado ascendeu a 7,8 milhões de euros, abrangendo organizações como o Banco Alimentar, Refood, Cruz Vermelha Portuguesa ou os Bombeiros Voluntários.

No âmbito das comemorações do 30.º aniversário, a empresa ofereceu brinquedos a 30 alas pediátricas de unidades públicas de saúde em todo o país, beneficiando cerca de 18 mil crianças por ano. Neste Natal, a empresa doa ainda um euro por cada embalagem vendida de postas ou lombos de bacalhau certificado MSC das marcas próprias a três instituições que apoiam seniores – Associação Coração Amarelo, Cruz Vermelha Portuguesa e RUTIS –, contribuindo para iniciativas que promovem autonomia, bem-estar e integração social.

O desperdício alimentar ocupa também um lugar de destaque. A abordagem, explica a responsável, é transversal à cadeia de valor. Entre as medidas implementadas está o programa “Bom Demais para Deixar para Trás”, que aplica descontos a produtos próximos do prazo de validade. Quando já não é possível vender, o programa Realimenta assegura a doação; se não for possível doar, os excedentes de pão, carne ou peixe são convertidos em ração para animais.

A gestão da frescura – da entrega diária ao trabalho do Responsável de Frescos – e a venda a granel, que permite ao cliente comprar exactamente a quantidade de que necessita, são outras vertentes essenciais. Desde 2011, o programa “Turma Imbatível” sensibiliza crianças para o consumo responsável e já chegou a mais de 190 mil alunos. A empresa participa ainda em campanhas de sensibilização sobre datas de validade e é signatária do movimento Unidos Contra o Desperdício.

No sector do retalho, onde o preço desempenha um papel crítico, o equilíbrio entre sustentabilidade e acessibilidade é inevitavelmente desafiante. Vanessa Romeu sublinha que a sustentabilidade não é um custo, mas «uma necessidade de negócio » e parte do ADN da empresa. A eficiência logística, o trabalho com fornecedores e a escala europeia permitem oferecer produtos de qualidade ao melhor preço, mantendo ao mesmo tempo investimentos constantes nas áreas ambiental e social.

A directora de Corporate Affairs do Lidl Portugal reforça que cerca de 80% da oferta é de marcas próprias, o que permite negociar grandes volumes e garantir padrões de qualidade elevados. A abordagem combina visão global com execução local, adaptando-se às realidades específicas de cada mercado. «A sustentabilidade vale mesmo a pena», afirma, sublinhando que, ao comprar na empresa, o cliente poupa e, ao mesmo tempo, contribui para proteger o planeta – «quer tenha consciência disso ou não».

Este artigo faz parte do Caderno Especial “Sustentabilidade e Responsabilidade Social”, publicado na edição de Dezembro (n.º 353) da Marketeer.




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