A utilização de inteligência artificial (IA) nas redações está a crescer de forma significativa, sobretudo como ferramenta de apoio ao trabalho diário dos jornalistas. No entanto, permanece uma clara resistência à utilização de conteúdos gerados por IA no âmbito das relações públicas, como propostas de temas ou comunicados de imprensa.
De acordo com o mais recente relatório State of the Media, da Cision, cerca de 1.900 jornalistas em 19 mercados, apenas 21% dos profissionais afirmam não utilizar IA — uma descida face aos 33% registados no ano anterior. Na região Ásia-Pacífico, esse valor é ainda mais baixo, fixando-se nos 11%.
A principal vantagem apontada pelos jornalistas é a poupança de tempo. A IA é sobretudo utilizada em tarefas de bastidores, como a criação de ângulos para notícias e perguntas de entrevista (48%), investigação e verificação de factos (43%) e transcrição ou resumo de conteúdos áudio (41%). Este cenário posiciona a IA como um verdadeiro “copiloto” no processo jornalístico, sem substituir o papel central do jornalista na construção da notícia.
Apesar desta adoção crescente, os profissionais mostram-se cautelosos quanto à utilização da IA na comunicação com os media. Mais de metade dos inquiridos (53%) afirma ser contra a receção de conteúdos de relações públicas gerados automaticamente, apontando como principais preocupações a falta de relevância, o excesso de linguagem promocional e a ausência de fontes fiáveis. Apenas 21% manifestam uma posição favorável.
O relatório sublinha ainda que a confiança continua a ser o principal desafio da profissão. Num contexto marcado pela desinformação e pela proliferação de conteúdos sintéticos, metade dos jornalistas identifica a verificação de factos e o combate à desinformação como prioridades críticas. Ao mesmo tempo, 43% admitem dificuldades em lidar com o impacto crescente da IA no setor.
Embora a tecnologia esteja a acelerar processos e a transformar rotinas, o papel humano mantém-se essencial. A capacidade de interpretar informação, fazer as perguntas certas e estabelecer relações de confiança continua a ser vista como insubstituível.
Segundo o relatório, “o futuro do jornalismo passará por um equilíbrio entre o uso eficiente da tecnologia e a preservação dos valores fundamentais da profissão, como a credibilidade, a precisão e a proximidade com o público”.












