Já há uma petição contra o sistema Volta. E mais de 15 mil pessoas já assinaram

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21/07/2026
10:52
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Já há uma petição contra o sistema Volta. E mais de 15 mil pessoas já assinaram

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Cerca de três meses depois da entrada em funcionamento do Sistema Volta, a contestação ao novo modelo de depósito e reembolso de embalagens parece continuar a aumentar, tendo inclusive sido lançada uma petição pública que pede o fim do sistema e a criação de um modelo alternativo de gestão de embalagens.

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Intitulada Pelo Fim do Sistema ‘Volta’ e pela Criação de um Modelo Justo de Gestão de Embalagens, esta petição já ultrapassou (à hora de publicação deste texto) as 15 mil assinaturas (15.293), número suficiente para garantir a apreciação em plenário da Assembleia da República, caso cumpra os restantes requisitos legais.

A iniciativa parte da ideia de que o sistema  veio introduzir mais custos, burocracia e dificuldades no processo de compra e devolução de embalagens de bebidas. Os promotores da petição defendem que o atual modelo representa um retrocesso na experiência do consumidor, criticando, entre outros aspetos, a necessidade de guardar embalagens vazias até à devolução, a existência de filas nos pontos de recolha e o pagamento antecipado do depósito, que apenas é recuperado mediante a entrega das embalagens.

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A iniciativa surge numa altura em que o Sistema Volta ainda dá os “primeiros passos” e em que o setor das bebidas atravessa um período de adaptação. A rede conta atualmente com cerca de 2.500 pontos de recolha, devendo crescer para cerca de 3.000, enquanto produtores, retalhistas e consumidores ajustam novos hábitos de consumo e reciclagem.

Recorde-se que a discussão em torno do Sistema Volta gerou também outra polémica com o lançamento, pela Água das Caldas de Penacova, de uma garrafa de 3,1 litros, formato que, por ficar acima do limite de três litros definido pela legislação, não está abrangido pelo sistema de depósito. A decisão gerou um intenso debate no setor, levando o fundador da marca a garantir, em entrevista à Marketeer, que a nova embalagem “não foi pensada para contornar nada“, mas sim para disponibilizar “mais um produto ao mercado”.

Leia também: Depois da polémica da garrafa de 3,1 litros: concorrentes rejeitam seguir caminho fora do Volta

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Apesar disso, a iniciativa motivou reações de concorrentes como a Água Monchique e a Água do Vimeiro, que reconheceram a legalidade da solução, mas defenderam que o setor deve evitar estratégias suscetíveis de fragilizar a mensagem de sustentabilidade associada ao Sistema Volta.

Desde o arranque do Sistema Volta, a SDR Portugal tem insistido que a implementação representa uma mudança estrutural de hábitos e que a adaptação irá exigir tempo. Numa entrevista recente à Marketeer, Lia Oliveira, diretora de marketing e comunicação da SDR Portugal, descreveu aquilo que considera ser “o início de uma mudança comportamental”, defendendo que os primeiros indicadores são positivos e que o sucesso do sistema dependerá da participação gradual dos consumidores.

Também Pedro Pimentel, diretor-geral da Centromarca, reconheceu que a introdução do depósito e reembolso trouxe um novo fator de incerteza para a indústria das bebidas, admitindo que muitas empresas continuam com dificuldades em prever o comportamento dos consumidores perante este novo modelo.

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Enquanto isso, a petição continua a ganhar assinaturas e demonstra que, para uma parte significativa dos consumidores, a discussão em torno do Sistema Volta está longe de encerrada. O debate já não se limita assim aos operadores do setor ou às marcas de bebidas, começando agora a ganhar uma eventual dimensão política, podendo chegar ao Parlamento caso o processo cumpra todos os trâmites previstos na lei.






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