Inverno prolongado arrefece vendas de cerveja

Enquanto o tempo não aquece, o mercado das cervejas vai-se ressentindo. Nos primeiros quatro meses do ano, as vendas de cerveja recuaram 4% em relação ao mesmo período do ano passado.

Os dados são da Nielsen Sports, a divisão da Nielsen que avalia o comportamento dos consumidores no que se refere ao consumo de desporto. Em antecipação do Mundial 2018, a empresa analisou o mercado de cervejas em Portugal, bem como a relação entre esta categoria e os grandes eventos desportivos.

Apesar de os números do primeiro quadrimestre não serem animadores, de acordo com a Nielsen Sports as cervejas continuam a ser uma das categorias mais dinâmicas do mercado de bens de grande consumo, tendo registado no último ano móvel (de Abril de 2017 a Abril de 2018) vendas totais de 1.094 milhões de euros. Este valor resulta da soma das vendas nos canais de distribuição moderna (285 milhões de euros) e Horeca (805 milhões de euros), sendo que ambos os canais cresceram 4% em termos homólogos. «Esta é a categoria mais importante de grande consumo no mercado português. E é uma categoria atípica porque é consumida mais fora de casa do que dentro de casa», afirmou esta manhã Tiago Aranha, client development manager da Nielsen, numa apresentação aos jornalistas.

Em volume, o mercado cresceu 5% até Abril deste ano, para um total de 394 milhões de litros vendidos. Números que consolidam a tendência de retoma do mercado, que já vem desde 2015. Não obstante, o mercado das cervejas continua ainda aquém dos níveis que se registavam antes da crise financeira (em 2011, o mercado totalizou vendas na ordem dos 434 milhões de litros). Os dados da Nielsen revelam ainda que mais de três em cada quatro lares portugueses (77%) consomem cerveja, gastando, em média, 46 euros por ano.

«O ano de 2017 foi o ano de maior crescimento dos anos recentes, por vários factores: pelo bom tempo, porque a Selecção Portuguesa foi campeã europeia e porque existe uma oferta mais variada de cervejas. O mercado português continua a ser essencialmente um duopólio, mas existem nichos de mercado (como as cervejas artesanais) a crescer a dois dígitos», adianta Tiago Aranha.

Qual o impacto dos eventos desportivos?

O mercado das cervejas é também altamente sazonal. De acordo com a Nielsen, entre os anos de 2015 e 2017, em média, 40% das vendas de cerveja ocorreram entre os meses de Junho e Setembro.

Regra geral, é também durante este período que ocorrem os grandes eventos desportivos, nomeadamente os Jogos Olímpicos, o Europeu e o Mundial de Futebol. Para apurar o seu impacto no consumo de cerveja, a Nielsen Sports analisou os últimos anos em que estes eventos ocorreram (2012, 2014 e 2016) e conclui que, em todos estes anos, a performance do mercado foi superior durante os meses de competição em relação ao resto do ano. Por exemplo, em 2012, um ano “negro” para o mercado de cervejas, que quebrou 10%, a categoria caiu “apenas” 5,6% no mês de Junho, enquanto se disputava o Euro 2012 na Polónia e Ucrânia.

A Nielsen Sports ressalva, no entanto, que é difícil estabelecer um nexo de causalidade entre a performance do mercado de cervejas e a ocorrência deste tipo de eventos desportivos, uma vez que há uma série de outros factores (como as condições climatéricas) que podem impactar o mercado. «Não é por causa destes eventos que o mercado vai apresentar variações significativas, mas é inegável que estes eventos têm um impacto positivo. Sem eles, a quebra [em 2012] teria sido mais significativa», frisa o client development manager da Nielsen.

A dinâmica promocional tem também tido um papel importante neste mercado: cerca de 70% das vendas de cerveja são feitas em campanhas promocionais.

Texto de Daniel Almeida

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