Aos 91 anos, Giorgio Armani está a preparar, com discrição e estratégia, a transição de liderança no grupo de luxo que fundou em 1975. Sem pressas nem ruturas, o icónico designer italiano revelou que o processo de sucessão será gradual, orgânico e centrado na continuidade da identidade da marca. À frente deste novo capítulo está Leo Dell’Orco, braço-direito de Armani e responsável pela linha masculina, que ganha agora protagonismo nos bastidores da moda internacional.
Pela primeira vez em meio século, Armani não marcou presença no final dos seus desfiles em Milão e Paris, devido a uma breve hospitalização. No seu lugar, foi Dell’Orco quem subiu à passerelle, simbolizando um passar de testemunho já em curso. Em entrevista ao Financial Times, Armani afirmou claramente: “Os meus planos de sucessão consistem numa transição gradual das responsabilidades que sempre assumi para o Leo Dell’Orco, os membros da minha família e a equipa de trabalho”.
Esta sucessão, preparada discretamente há quase uma década, tem como pilar a Fundação Giorgio Armani, criada em 2016. A estrutura garante a preservação dos valores da marca, a continuidade dos postos de trabalho e inclui regras específicas, como a impossibilidade de entrada em bolsa durante os cinco anos seguintes à eventual morte do fundador.
Diferente das casas que integram grandes grupos como a LVMH ou a Kering, o grupo Armani continua a ser totalmente independente, com Giorgio Armani como único proprietário, CEO e diretor criativo. Esta independência é, segundo o próprio, um dos grandes ativos da empresa e será respeitada no novo modelo de gestão, que contará também com o envolvimento de sobrinhas, sobrinhos e colaboradores próximos.
A sucessão não é apenas uma questão interna, acontece num contexto em que o setor do luxo enfrenta desafios globais. Em 2024, o grupo registou uma quebra de 5% nas receitas, atingindo os 2.300 milhões de euros. A Europa manteve-se como o maior mercado (49% das vendas), seguida pelos Estados Unidos (22%) e pela Ásia-Pacífico (19%), onde a desaceleração da economia chinesa deixou marcas.
Ainda assim, Armani prepara um momento simbólico: em setembro de 2025, durante a Semana da Moda de Milão, celebrará os 50 anos da marca com uma exposição na Pinacoteca di Brera, a primeira que o museu dedica à moda. Um verdadeiro “testamento em vida”, como o próprio já deixou entender.
Com o olhar voltado para o futuro, Leo Dell’Orco posiciona-se como herdeiro natural da visão estética e criativa de Armani, representando a continuidade de uma marca que se tornou sinónimo de sofisticação atemporal, trajes desestruturados e elegância silenciosa. A sua crescente presença pública nos últimos meses é, para muitos, o ensaio geral de uma nova era no grupo Armani.












