A proliferação de conteúdos gerados por inteligência artificial (IA) está a colocar a descoberto um novo risco para a indústria musical e as plataformas de streaming estão no epicentro do problema. Segundo uma investigação recente do The Guardian, os artistas estão a ser confrontados com a publicação de músicas geradas por IA utilizando os seus nomes sem autorização ou qualquer ligação real.
O caso do compositor de jazz Jason Moran tornou-se um dos exemplos mais ilustrativos, tendo o artista descoberto um EP publicado sob o seu nome que não reconhecia e que, segundo descreveu, nem sequer incluía piano, instrumento central na sua carreira.
Mas este não é um caso isolado, com diversos músicos – incluindo artistas ativos, bandas e até nomes já falecidos – a terem sido alvo deste tipo de falsificação digital. O fenómeno é impulsionado pela facilidade crescente de criação musical com ferramentas de IA generativa, que permitem produzir e distribuir conteúdos em escala, muitas vezes com capas, nomes e estilos que imitam artistas reais.
Na prática, trata-se de uma nova forma de “deepfake musical”, onde identidade e autoria são facilmente manipuladas. Para além da questão reputacional, há um incentivo económico claro, estimando-se que a fraude associada a streams falsos – muitas vezes gerados ou amplificados por bots – represente até 2 mil milhões de dólares em receitas desviadas na indústria musical.
Ao utilizar nomes reconhecidos, os conteúdos falsos aumentam a probabilidade de serem ouvidos, gerando receitas indevidas e prejudicando diretamente artistas legítimos. O Spotify já reconheceu o problema e afirma ter removido milhões de faixas consideradas spam ou fraudulentas, além de desenvolver ferramentas para dar maior controlo aos artistas sobre os seus perfis.
Ainda assim, muitos músicos consideram que a responsabilidade está a ser transferida para os próprios criadores, que acabam por ter de monitorizar constantemente a sua presença digital para identificar abusos.












