"Hora de dormir": Youtube e TikTok reforçam lembretes para adolescentes ficarem offline. Mas será que resulta?

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Revista Marketeer
06/03/2025
12:09
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O YouTube está a ampliar globalmente os lembretes automáticos para que os adolescentes façam pausas e desliguem os ecrãs antes de dormir. O recurso, que já era automático para menores nos Estados Unidos desde 2023, agora será exibido em tela cheia e ativado por padrão em todo o mundo. A iniciativa surge num contexto de preocupações crescentes sobre o impacto das redes sociais na saúde mental dos jovens.

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A prática de alertas para o descanso e desconexão dos telemóveis tem-se tornado comum, com o TikTok a implementar também medidas semelhantes. No entanto, será que este alerta para a “hora de ir dormir” funciona?

Jon-Patrick Allem, professor de ciências sociais e comportamentais na Rutgers School of Public Health, duvida da sua eficácia, considerando que “será eficaz para uma pequena proporção de pessoas, mas o ónus ainda é do usuário em desligá-lo”. Ou seja, como estas notificações podem ser ignoradas com um simples toque, a sua capacidade real de mudar comportamentos é limitada.

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“Essas são coisas cosméticas que podem funcionar para algumas pessoas, mas não vão realmente mudar o comportamento do utilizador”, refere o especialista.

Soluções paliativas ou mudanças  reais?

O YouTube introduziu os primeiros lembretes de “faça uma pausa” em 2018, com um sistema opt-in. Em 2020, adicionou os alertas “hora de dormir”, enviando milhares de milhões de avisos ao longo dos anos. O TikTok seguiu o exemplo e, desde 2023, ambas as plataformas tornaram essas notificações obrigatórias para menores de 18 anos nos EUA. Agora, a expansão global do recurso pelo YouTube reforça a sua intenção de mitigar os impactos do consumo excessivo de conteúdo.

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Muitos especialistas apontam que tais medidas são insuficientes. “Não há consequência se um indivíduo age ou não age nesse prompt”, refere Jon-Patrick Allem.

As discussões sobre regulação das redes sociais têm ganhado força, impulsionadas por livros como The Anxious Generation, de Jonathan Haidt, e pela recente mobilização global em torno da saúde mental digital.

Apesar de ser um passo na direção certa, a expansão dos lembretes do YouTube parece mais um gesto simbólico do que uma solução definitiva. Como alerta Allem: “Poderíamos considerar configurações padrão que fossem programadas para limitar o uso, em vez de permitir uso ilimitado. Tudo isso pode ser feito facilmente, mas não é porque vai afetar e reduzir o crescimento e o lucro.”




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