Herança de Karl Lagerfeld deixada à gata Choupette é alvo de contestação: em causa estão 200 milhões de euros

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06/02/2026
10:00
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Herança de Karl Lagerfeld deixada à gata Choupette é alvo de contestação: em causa estão 200 milhões de euros

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A herança deixada por Karl Lagerfeld está novamente no centro de uma controvérsia legal. Sete anos após a morte do célebre criador de moda, surgiu uma contestação ao seu testamento que poderá alterar o destino dos cerca de 200 milhões de euros que compõem o seu património.

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O designer alemão, que morreu em Paris a 19 de Fevereiro de 2019, aos 85 anos, deixou a maior parte da sua fortuna a pessoas do seu círculo mais próximo: o assistente de longa data Sébastien Jondeau, o afilhado Hudson Kroenig, os modelos Brad Kroenig e Baptiste Giabiconi, bem como à sua famosa gata Choupette, começa por relembrar o independent.

De acordo com informações avançadas pela imprensa alemã, um alegado requerente desconhecido terá colocado em causa a validade do testamento, redigido em Abril de 2016. Caso a contestação seja aceite, parte da herança poderá ser redistribuída pelos sobrinhos e sobrinhas de Lagerfeld, os seus únicos familiares vivos.

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Entre os herdeiros mais mediáticos está Choupette, a gata Birmanesa que se tornou um verdadeiro ícone. Após a morte do designer, o animal ficou sob a responsabilidade da antiga governanta Françoise Caçote, herdando também uma casa com jardim e uma quantia estimada em 1,5 milhões de dólares.

Conhecida pelo seu estilo de vida luxuoso, Choupette viajava em jatos privados, tinha chef pessoal, guarda-costas e duas empregadas, e partilhava refeições com Lagerfeld, que mandava preparar vários pratos diários exclusivamente para ela. A conta de Instagram dedicada à gata ultrapassa os 270 mil seguidores.

“Ela manda em tudo”, afirmou Lagerfeld numa entrevista ao The Guardian em 2014. “Acorda-me às sete da manhã para lhe dar ração fresca. Não come comida da noite anterior. Recebe propostas para anúncios, mas isso está fora de questão.”

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No ano passado, Françoise Caçote explicou à revista Hello! que continua a escolher cuidadosamente os trabalhos publicitários em que Choupette participa. “Sempre teve um temperamento de princesa. E com a idade, isso só se acentua”, disse, referindo-se à gata, hoje com 14 anos.

Apesar de o futuro de Choupette não parecer ameaçado, a situação legal do testamento é mais delicada. Christian Boisson, responsável pela execução do testamento, terá informado os familiares sobreviventes sobre a contestação em curso.

Como Lagerfeld residia em França, aplica-se a lei sucessória francesa, que protege herdeiros directos. Não tendo tido filhos e tendo as duas irmãs falecido antes dele, uma eventual anulação do testamento abriria caminho para que os sobrinhos reclamassem parte da herança.

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A relação do designer com a família foi sempre distante. Terá visto a irmã pela última vez em 1974, embora em 1992 tenha desenhado o vestido de noiva da sobrinha Caroline Wilcox, enviado para os Estados Unidos a bordo do Concorde. Ainda assim, os familiares americanos raramente fizeram parte do universo da moda que Lagerfeld habitava, nenhum marcou presença na Met Gala de 2023, dedicada ao seu legado.

Um dos sobrinhos, Roger Johnson, camionista de longo curso no Connecticut, afirmou anteriormente que não espera herdar nada. “Mesmo que acontecesse, acho que recusaria”, disse. “O dinheiro não é importante para mim. Sou apenas uma pessoa normal.”

A decisão final caberá agora aos tribunais, num processo que promete relançar o debate sobre heranças, afetos e a rigidez da lei face à vontade expressa de uma das figuras mais marcantes da moda contemporânea.




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