A forma como os consumidores utilizam, mantêm e descartam os seus smartphones pode ter um impacto muito maior na carteira do que se pensava. Um novo estudo da Fraunhofer Áustria, encomendado pela plataforma refurbed, revela que adotar práticas mais sustentáveis pode resultar numa poupança de até 76% ao longo de seis anos.
A investigação analisou o ciclo de vida de um smartphone de gama média (avaliado em 575 euros) em três cenários distintos: economia circular — com reutilização e recondicionamento; padrão médio europeu — utilização durante alguns anos seguida de inatividade; e o modelo linear — baseado na substituição frequente e descarte.
Os resultados mostram que manter um dispositivo em circulação é claramente mais vantajoso. No cenário de economia circular, o custo total de propriedade ao longo de seis anos é de 959 euros (cerca de 160 euros por ano). Já no padrão médio europeu sobe para 1294 euros, enquanto no modelo de substituição constante atinge os 3834 euros.
Ou seja, práticas como prolongar o uso, revender ou optar por equipamentos recondicionados podem reduzir significativamente os encargos — com poupanças que chegam a um quarto face ao comportamento médio e muito superiores quando comparadas com o consumo mais intensivo.
Para além da componente financeira, o estudo destaca também o impacto ambiental associado a cada modelo de consumo. No cenário mais sustentável, as emissões de CO₂ ficam nos 83 kg durante seis anos. No uso médio europeu, esse valor praticamente duplica, e no modelo linear dispara para 684 kg.
A mesma tendência verifica-se no consumo de matérias-primas críticas, como o cobalto: 38 gramas no modelo circular, 115 gramas no padrão médio e 346 gramas no cenário de substituição frequente.
Uma das principais conclusões do estudo é que o maior impacto não está na compra inicial, mas sim no que acontece depois. “Todos os dispositivos têm um custo ambiental à partida. O que realmente pesa é a forma como são utilizados e descartados”, explica Paul Rudorf, autor do estudo.
Prolongar a vida útil do equipamento e garantir a sua correta reciclagem são, assim, fatores determinantes tanto para reduzir custos como para minimizar o impacto ambiental.
O estudo surge numa altura em que Portugal reforça o compromisso com a economia circular, através do Plano de Ação para a Economia Circular 2030. As conclusões apontam no mesmo sentido: práticas mais sustentáveis podem traduzir-se em benefícios económicos concretos.
Kilian Kaminski, cofundador da refurbed, sublinha que “repensar os hábitos de consumo não é apenas uma questão ambiental, mas também uma decisão financeiramente inteligente”.
No essencial, a mensagem é simples: usar durante mais tempo, reparar, revender ou reciclar corretamente não só ajuda o planeta, como pode representar uma poupança relevante para os consumidores.












