Quatro anos depois da estreia oficial, o Ballet do Douro quer afirmar a cultura portuguesa como uma das principais matérias-primas da sua criação artística. A companhia sediada em Vila Nova de Gaia apresenta a temporada 2026/27 com novas produções inspiradas na literatura, no património, nas figuras e nas paisagens nacionais, sem deixar de lado alguns dos grandes clássicos do bailado.
Sob direção artística de Sílvia Boga, o Ballet do Douro procura conciliar uma identidade profundamente ligada a Portugal com uma vocação internacional. A companhia reúne bailarinos de diferentes geografias, incluindo Japão, Ucrânia, Austrália, Canadá, Itália e Estados Unidos da América, e pretende levar as suas criações a públicos dentro e fora do país.
Entre as novidades da temporada está “Cantos de Camões”, nova criação de Sílvia Boga inspirada na obra e na dimensão humana de Luís de Camões. A viagem, o amor, o exílio, a perda e a procura de compreender o mundo são alguns dos temas transformados em movimento, numa tentativa de aproximar a obra camoniana dos públicos contemporâneos.
O território português assume também protagonismo em “Douro, Alma de Fogo”, produção criada no contexto dos 25 anos da classificação do Alto Douro Vinhateiro como Património Mundial. A obra parte da paisagem e da história da região, mas sobretudo da dimensão humana associada ao rio, à vinha, à terra e às várias gerações que moldaram o território.
A temporada inclui ainda “Amadeo”, uma criação dedicada a Amadeo de Souza-Cardoso. A obra tem assinatura da coreógrafa polaca Anna Hop, que se estreia em Portugal com este projeto, propondo uma leitura através do movimento da energia, irreverência e inquietação associadas ao artista português.
A aposta traduz a estratégia da companhia de cruzar criadores internacionais com temas e referências nacionais, criando obras capazes de partir de uma identidade portuguesa para estabelecer diálogo com públicos de diferentes geografias.
A programação mantém, em paralelo, uma forte ligação ao grande repertório. “Quebra-Nozes”, um dos títulos de maior sucesso da companhia, regressa à temporada, continuando a aposta na aproximação de novos públicos ao bailado clássico. Também “Giselle”, uma das obras fundamentais do repertório romântico, integra a programação, combinando exigência técnica e interpretativa com uma história de amor, traição e redenção que continua a atravessar gerações.
A relação com os públicos estende-se ainda para lá das salas de espetáculo. O Ballet do Douro mantém projetos como “Arte no Património”, que cruza dança, música e arquitetura em monumentos e jardins históricos, “Contos de Portugal e do Mundo”, dirigido ao público infantil e familiar, e “Ressonâncias”, formato pensado para espaços não cénicos e que combina dança, música ao vivo e palavra.
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