Há lugares onde se vai para provar vinho e há lugares onde o vinho pode ser apenas o ponto de partida. Na Taboadella, no coração do Dão, uma quinta com mais de 15 séculos de história junta 42 hectares de vinha, uma adega de arquitetura contemporânea, gastronomia, artesanato e uma villa com a chancela Relais & Châteaux. O objetivo é transformar o território numa experiência para todos os sentidos.
Propriedade da família Amorim, a Taboadella procura afirmar-se como um destino de enoturismo onde produção vitivinícola, património e hospitalidade convivem numa mesma proposta. A história da propriedade remonta ao século I, período de que permanece um dos testemunhos mais antigos da produção de vinho na região: um lagar escavado num penedo monolítico de natureza rupestre.
Séculos depois, a paisagem é marcada também por uma adega de arquitetura contemporânea, construída com materiais naturais como madeira e cortiça e assinada pelo arquiteto Carlos Castanheira, que conta com uma varanda de onde é possível observar os 42 hectares de vinha que constituem uma mancha única, rodeada por floresta.
É precisamente neste contraste entre passado e futuro que assenta parte da identidade da Taboadella: preservar a ligação ancestral ao território e ao vinho do Dão, mas reinterpretá-la através de uma experiência contemporânea.
Da prova de vinhos à experiência de território
A Wine House funciona como uma das portas de entrada para esta experiência. Instalada no antigo celeiro da propriedade, entretanto reconstruído pela arquiteta Ana Vale, a loja e sala de provas permite conhecer os vinhos da Taboadella e descobrir diferentes interpretações das castas e do terroir da região.
Há várias experiências disponíveis, desde as provas Villae às Terroir e Grande Villae, acompanhadas por produtos gastronómicos da região, como queijos da Serra da Estrela, podendo ainda os visitantes adquirir os vinhos a preço de produtor e uma seleção de produtos gourmet e de artesanato local.
Mas a proposta não termina à porta da adega. A Taboadella disponibiliza visitas às vinhas e à adega, Wine Tours numa carrinha Bedford de 1964 e até a possibilidade de participar num dia de vindima. Há também propostas gastronómicas, como menus de degustação, brunches na varanda da adega e passeios até ao Rio Côvo.
A lógica é alargar a experiência do vinho a outras dimensões do território, por isso, a programação inclui ainda workshops de cestaria, produção de queijo e doces, cerâmica, preparação de chás e infusões ou atividades relacionadas com outras tradições locais.
Uma quinta onde também se pode dormir
Um dos elementos diferenciadores da proposta é a Casa Villae 1255, antiga casa medieval da propriedade que foi transformada num alojamento de oito quartos e tornou-se, segundo a Taboadella, a primeira quinta produtora de vinho no Dão a integrar a rede Relais & Châteaux.
Com 720 metros quadrados, a casa pode ser reservada em regime de exclusividade, por um mínimo de duas noites, permitindo acolher famílias, grupos de amigos ou grupos empresariais.
O projeto de interiores, também assinado por Ana Vale, procura preservar a ligação à identidade local através dos materiais e objetos utilizados. Entre eles estão lãs naturais, burel e os tradicionais cobertores de papa da Serra da Estrela, bem como referências ao passado da propriedade, incluindo pedras provenientes do antigo lagar romano.
Os quartos têm vista para a vinha ou para a adega e a casa inclui ainda salas de estar, sala de jantar, cozinha e uma área exterior – a chamada “ramada” – virada para a vinha. A experiência inclui pequeno-almoço, cesta de boas-vindas, limpeza, visita à adega e às vinhas e possibilidade de solicitar produtos de mercearia regional. Os hóspedes podem também acrescentar serviços como refeições privadas com chef, aulas de yoga ou pilates e outras experiências personalizadas.
Do vinho ao artesanato: a marca como território
A estratégia da Taboadella passa ainda pela valorização de produtores e artesãos locais, com a Wine House a reunir uma seleção de produtos que procura prolongar a experiência para lá do vinho e dar visibilidade à cultura material e gastronómica do Dão. Entre os exemplos estão peças de cerâmica de Maria do Amparo e de Sérgio Amaral, o tradicional Cobertor de Papa produzido em Maçainhas, o Queijo Serra da Estrela e outros produtos regionais.
A seleção inclui ainda chocolates da Chocolateria Delícia Viseu, aguardente de maçã Bravo de Esmolfe, fumeiros, Bolo Negro e Broa de Loriga.
A lógica é a de construir uma experiência de território: o vinho nasce da vinha e do solo, mas a identidade da região também está presente naquilo que se come, bebe, produz e cria. Na vinha, essa filosofia traduz-se em 27 parcelas de sequeiro, solos graníticos, viticultura de montanha e intervenção mínima nos solos. A vinificação por gravidade e a enologia de precisão procuram, por sua vez, preservar a tipicidade das castas e o carácter ancestral do Dão.












