Guilherme Valente jubila-se e entrega a Gradiva à Guerra e Paz Editores

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03/10/2025
17:59
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Após 45 anos à frente da Gradiva, o editor Guilherme Valente anunciou a sua jubilação, encerrando um dos mais marcantes capítulos da edição literária e científica em Portugal. Fundador da editora em 1980, Valente construiu ao longo de quase meio século um catálogo singular, que uniu divulgação científica de excelência, grandes nomes da ficção internacional e obras fundamentais do pensamento português.

A Gradiva destacou-se por apostar, de forma pioneira, na divulgação científica acessível e rigorosa, dando origem a vocações e alimentando o gosto pela ciência entre gerações de leitores. Foi também a editora portuguesa de autores premiados e consagrados como Kazuo Ishiguro, Ian McEwan e Umberto Eco, além de dar espaço a vozes nacionais como Eduardo Lourenço, António José Saraiva, Luís Filipe Thomaz e José Rodrigues dos Santos — este último um verdadeiro fenómeno editorial nas últimas duas décadas.

No momento da despedida, Guilherme Valente sublinha a importância de garantir a continuidade e a identidade da Gradiva: «Ciente do património editorial que edificámos, do seu valor literário e científico, entendi que era tempo de passar o testemunho». A escolha recaiu sobre a Guerra e Paz Editores, liderada por Manuel S. Fonseca, com quem será formalizado, em breve, o acordo que entrega a gestão da Gradiva a esta chancela.

Valente justifica a decisão com um misto de realismo e esperança: «Se eu tivesse menos 10 anos, veria a crise cultural e intelectual atual como um estímulo para novos combates. Hoje vejo-a como uma razão para confiar a missão a quem tenha o talento, entusiasmo e vitalidade para continuar esse combate.»

Manuel S. Fonseca, por sua vez, assume o novo desafio com entusiasmo e sentido de responsabilidade: «O desafio que Guilherme Valente me põe nas mãos parece-me um sonho. Assumo um compromisso: manter a identidade da Gradiva como uma casa editorial de referência». E promete fazer nascer novos projetos editoriais à altura do legado deixado por Valente.

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A passagem de testemunho marca não um fim, mas uma renovação. Com o apoio da equipa que acompanhou Guilherme Valente ao longo destas décadas, a Gradiva continuará, nas palavras do próprio, “na sua essência, sem solução de continuidade, o que foi sempre”.

A concretização do acordo entre a Gradiva e a Guerra e Paz será comunicada oficialmente em breve.




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