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Group Gate: Entre a proximidade e a escala: os novos modelos de comunicação

CadernosNotícias
Marketeer
05/05/2026
09:30
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05/05/2026
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A comunicação das marcas está a tornar-se mais integrada, exigindo modelos que articulem estratégia, criatividade e execução

Num mercado marcado pela consolidação de grandes redes internacionais, continuam a emergir modelos independentes que procuram afirmar-se pela proximidade, agilidade e capacidade de resposta integrada. É neste contexto que se posiciona o Group Gate, um grupo português que tem vindo a reforçar a sua presença e a diversificar a sua actuação na área da comunicação.

Em entrevista à Marketeer, Marta Machado, CEO do Group Gate, explica como a independência estratégica, a integração de serviços e a aposta em talento e tecnologia estão a moldar a evolução do grupo, num sector cada vez mais exigente e orientado para resultados.

O Group Gate afirma-se como um grupo com capital 100% nacional. Que impacto concreto tem essa independência nas decisões estratégicas e na relação com os clientes?

A independência permite-nos pensar o negócio de forma verdadeiramente integrada e centrada no cliente, sem condicionamentos externos.

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Num grupo como o Group Gate, isso traduz-se em decisões mais rápidas, maior liberdade estratégica e uma cultura de proximidade que valoriza relações de longo prazo. Mais do que uma questão de estrutura accionista, é uma questão de mindset, nós construímos soluções à medida, pensadas a partir da realidade de cada marca e do mercado onde esta actua.

Num mercado dominado por grandes redes internacionais, quais são as principais vantagens e limitações de operar como uma estrutura portuguesa independente?

A principal vantagem é a agilidade e a capacidade de adaptação. Por outro lado, o desafio está na escala e na percepção de mercado. Por vezes, ainda existe a ideia de que só os grandes grupos internacionais têm capacidade global, algo que hoje já não é necessariamente verdade.

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O grupo tem vindo a consolidar várias áreas – media, criatividade, PR, digital. O que explica este crescimento?

Este crescimento resulta de uma leitura clara do mercado de que as marcas precisam de uma comunicação cada vez mais articulada e consistente entre canais. O Group Gate evoluiu para responder a essa realidade, integrando competências e construindo uma oferta que acompanha todo o ecossistema de comunicação. Tratou-se de alinhar a estrutura com as necessidades dos clientes.

A empresa apresenta-se como uma “gestora de canais de comunicação” e não apenas como agência de meios. O que muda, na prática, nesta abordagem para os clientes?

Muda a lógica de trabalho. Em vez de vários parceiros a operar de forma isolada, o cliente passa a ter uma visão única e coordenada da sua comunicação. Isso traduz-se em maior consistência, eficiência e, sobretudo, impacto, porque todas as disciplinas trabalham para o mesmo objectivo.

A integração de serviços – media, digital, PR, eventos – é hoje quase um standard no sector. Como evitam que essa integração se torne apenas uma proposta comercial e não uma verdadeira vantagem estratégica?

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A integração só cria valor quando acontece de forma estrutural, nas equipas, nos processos criativos e na forma como se define a estratégia. No Group Gate, trabalhamos com equipas multidisciplinares desde o início dos projectos e com objectivos comuns. Sem isso, a verdadeira integração não existe, e, nesse caso, é uma proposta comercial.

O Group Gate tem presença em Espanha desde 2009. Como é que essa experiência internacional influencia a forma como trabalham marcas portuguesas?

Ter presença fora de Portugal permite-nos trazer uma visão mais ampla, identificar tendências mais cedo e aplicar aprendizagens de diferentes mercados. Por outro lado, isso também ajuda as marcas a pensar para além do contexto local.

Sendo uma empresa portuguesa com ambição internacional, que papel pode Portugal desempenhar como hub estratégico na área da comunicação e media?

Portugal tem vindo a afirmar-se, sobretudo, pelo talento, criatividade e capacidade de execução. Num contexto global, podemos posicionar-nos como um parceiro ágil, capaz de desenvolver projectos com qualidade internacional.

O grupo tem vindo a consolidar várias áreas, da criatividade à comunicação e relações públicas. Até que ponto essa lógica de grupo responde a necessidades reais do mercado e não apenas a uma tendência de expansão?

Responde claramente a uma necessidade do mercado. As marcas procuram cada vez mais coerência, e sobretudo eficiência e simplificação de processos. Um modelo de grupo bem estruturado permite dar essa resposta, desde que exista essa verdadeira integração.

Num contexto em que o investimento publicitário está cada vez mais fragmentado e orientado para performance, como se equilibra eficácia de curto prazo com construção de marca?

Resultados imediatos são importantes, mas só têm sustentabilidade se forem suportados por construção de marca. A chave está em planear cada investimento com objectivos claros em ambas as dimensões.

O Group Gate foi distinguido como Great Place to Work. De que forma a cultura interna se traduz, de facto, em melhores resultados para os clientes?

Uma cultura forte gera equipas motivadas, colaborativas e alinhadas com os objectivos do cliente. A distinção como Great Place to Work não é apenas um selo, reflecte-se no nosso dia-a-dia, na forma como pensamos as soluções para os nossos clientes, como nos relacionamos entre equipas e como tomamos decisões.

O mercado de media está a ser profundamente impactado pela tecnologia e pela automação. Em que aspectos continua a residir o verdadeiro valor humano numa agência como a Media Gate?

A tecnologia acelera processos e oferece dados, mas não substitui a análise crítica, visão estratégica e criatividade. O verdadeiro valor humano está na capacidade de interpretar informações, gerar insights e construir histórias.

Quando olham para o futuro, que tipo de transformação – tecnológica, organizacional ou de modelo de negócio – consideram inevitável para continuar a crescer como empresa portuguesa num mercado global?

No plano tecnológico, a adopção de inteligência artificial e automação será essencial para ganhar eficiência. Do ponto de vista organizacional, as equipas serão cada vez mais multidisciplinares e ágeis para responder de forma rápida às necessidades do mercado.

E em termos de modelo de negócio, o foco irá cada vez mais para a criação de valor e resultados mensuráveis. O desafio é crescer mantendo a nossa identidade, a proximidade com os clientes e a capacidade de entregar soluções que façam sentido num contexto global altamente competitivo.

Este artigo faz parte do Caderno Especial “Empresas 100% Portuguesas”, publicado na edição de Abril (n.º 357) da Marketeer.




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