O Governo britânico aprovou a venda do Telegraph Media Group ao grupo alemão Axel Springer, avançou esta terça-feira o The Guardian, pondo fim a um processo de incerteza que se arrastava há vários anos em torno de um dos títulos mais influentes da imprensa do Reino Unido.
Segundo a mesma publicação, a ministra da Cultura, Lisa Nandy, concluiu que não existem motivos suficientes para remeter a operação para uma investigação aprofundada por parte do regulador dos media britânico, a Ofcom, nem para uma intervenção com base em alegações de interesse público ou de influência estrangeira.
Nandy terá indicado que, com base na informação atualmente disponível, não pretende intervir no negócio, embora a decisão possa ainda ser revista caso surjam novos elementos relevantes.
A aprovação abre caminho à conclusão da aquisição do grupo britânico pela Axel Springer, um dos maiores conglomerados de media da Europa, proprietário de títulos como o Politico e o Business Insider. O grupo alemão tem vindo a afirmar a intenção de reforçar a presença internacional do Telegraph, com especial enfoque no mercado norte-americano.
O presidente executivo da Axel Springer, Mathias Döpfner, descreveu a operação como uma oportunidade para consolidar o posicionamento do jornal como uma referência de centro-direita no espaço anglófono, prometendo investimento na redação e expansão global.
De acordo com o The Guardian, o negócio ainda carece de algumas aprovações regulatórias noutros países europeus, mas o grupo alemão espera concluir a aquisição até ao final do segundo trimestre de 2026.
O Telegraph, um dos jornais de referência no Reino Unido, tem estado envolvido num processo de venda prolongado desde 2023, após o grupo Barclays ter perdido o controlo da publicação devido a dívidas superiores a mil milhões de libras. Desde então, várias tentativas de aquisição falharam ou foram travadas por preocupações regulatórias e de concentração de mercado.
A entrada da Axel Springer marca, assim, o desfecho de um processo complexo e reabre o debate sobre a crescente concentração dos media e a preservação do pluralismo editorial no Reino Unido.














