“Gostaríamos de combater a ideia de alarme público”, diz António Barreto

conhecer-a-criseFoi hoje lançado o “Conhecer a Crise”, um portal de dados estatísticos desenvolvido pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, que pretende fornecer um retrato actual e pormenorizado da realidade sócio-económica de Portugal.

O portal agrega dados estatísticos de diversas fontes de informação. Para além de entidades oficiais, como o Banco de Portugal, o Instituto Nacional de Estatística (INE) e o Instituto de Informática e Estatística da Segurança Social (IIESS), o “Conhecer a Crise” nasce de parceiras com organizações civis e empresas sociais como o Banco Alimentar, a consultora Nielsen e a empresa de serviços de pagamento Unicre.

A base de dados disponibiliza, no lançamento, cerca de 125 indicadores sócio-económicos, agrupados em oito temas. O objectivo de conceber uma base de dados tão múltipla foi o de evitar análises simplistas da conjuntura nacional, retratando todos os lados da crise económica. «Esta crise tem muitas dimensões. Tem a dimensão da carência absoluta ou da queda vertical, mas também tem a dimensão das pessoas que tentam reorganizar a sua vida, adaptar-se, alterar os seus comportamentos», afirmou António Barreto, presidente da Fundação Francisco Manuel dos Santos, na apresentação do portal, que decorreu em Lisboa.

Com a criação deste portal, a fundação pretende «contribuir para lutar contra alguns inimigos nossos. Um deles é o exagero, porque impede a razão. Gostaríamos de combater esta ideia de que há uma espécie de alarme público», reitera António Barreto. «Mas há também o exagero da indiferença, que é o ‘não há de ser nada’, o ‘está tudo bem’», ressalva o sociólogo, para quem a «tendência de estagnação [económica] vai persistir durante pelo menos mais seis ou 12 meses».

Ao contrário da base de dados Pordata, também desenvolvida pela Fundação Franscisco Manuel dos Santos, que apenas disponiliza dados anuais, a “Conhecer a Crise” contém tabelas de dados mensais e trimestrais (a par das anuais), permitindo fazer análises a curto prazo. O portal possibilita ainda a partilha de indicadores por mail ou nas redes sociais, e a criação de páginas pessoais, que juntam os dados escolhidos pelos utilizadores, numa rubrica denominada “A crise como eu a vejo”.

O portal “Conhecer a Crise” foi realizado por Alice Ramos, do Insituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, e a concepção do site é da View.

Escrito por Daniel Almeida

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