A Google anunciou ter conseguido interromper as operações de um grupo de hackers com ligações à China que, ao longo de quase uma década, atacou pelo menos 53 organizações em 42 países. A ação foi divulgada pelo Google Threat Intelligence Group, responsável pela deteção e neutralização da ameaça, e noticiada pela reuters.
O grupo, conhecido como UNC2814 ou “Gallium”, tinha como alvo principal instituições governamentais e empresas de telecomunicações. De acordo com a Google, os ataques incluíam roubo de dados sensíveis, monitorização de comunicações e instalação de “portas traseiras” em sistemas informáticos para recolher informação detalhada sobre os alvos, como números de identificação, datas de nascimento e dados de contacto.
Os hackers utilizavam plataformas legítimas, como o Google Sheets, para gerir operações maliciosas, o que dificultava a sua deteção. A Google esclareceu que nenhum dos seus produtos foi comprometido diretamente, e que a interrupção das operações envolveu a desativação de infraestruturas e contas usadas pelos invasores.
Segundo Charley Snyder, gestor sénior do Threat Intelligence Group, o grupo estava ativo em, pelo menos, 22 países no momento da intervenção. A operação da Google surge num contexto de crescente vigilância global sobre ataques cibernéticos patrocinados por Estados e grupos com ligações internacionais.
Um porta‑voz da embaixada chinesa afirmou que a China combate atividades ilegais de hacking e defendeu a necessidade de cooperação internacional, rejeitando tentativas de politizar questões de cibersegurança.
Esta operação é distinta de outra campanha de elevado perfil ligada à China, conhecida como Salt Typhoon, que visava organizações e figuras políticas nos Estados Unidos.












