A inteligência artificial está a redesenhar não só processos e operações, mas também a própria estrutura de liderança das empresas. Um novo relatório da IBM revela que 76% das organizações já criaram a função de Chief AI Officer (CAIO), um cargo executivo dedicado à gestão da transformação em inteligência artificial.
De acordo com a análise citada pela CNBC, este valor compara com apenas 26% em 2025, evidenciando uma rápida adoção deste novo papel nas estruturas de topo das empresas.
O estudo indica ainda que 59% dos inquiridos esperam um aumento da influência dos Chief Human Resources Officers (CHRO), num contexto em que a adoção de IA está a gerar mudanças profundas na gestão de talento, formação e cultura organizacional.
A criação do cargo de CAIO surge num momento em que as responsabilidades ligadas à inteligência artificial estão dispersas entre funções como Chief Technology Officer, Chief Information Officer e Chief Data Officer, o que, segundo analistas citados pela CNBC, tem gerado alguma sobreposição de funções e indefinição na governação da IA.
Neste contexto, várias empresas começaram a criar uma função dedicada exclusivamente à coordenação da estratégia de inteligência artificial, como é o caso do HSBC e do Lloyds Banking Group.
Ainda assim, a consultora Gartner considera que o papel não deverá tornar-se universal, defendendo que a criação de novos cargos de topo implica custos elevados e nem todas as organizações terão dimensão para os justificar.
Para a IBM, o Chief AI Officer não é apenas uma função tecnológica, mas sim um elemento estratégico para garantir que a inteligência artificial é integrada em toda a organização, influenciando decisões, operações e execução.
Especialistas citados pela CNBC, como Vivek Lath, da McKinsey & Company, referem que a IA está a provocar “uma das maiores transformações organizacionais desde a revolução industrial e digital”.
O relatório destaca ainda o reforço do papel dos recursos humanos, com 59% dos inquiridos a preverem um aumento da sua influência. A literacia em IA entre trabalhadores é apontada como um dos principais desafios da adoção tecnológica, sendo a componente cultural mais relevante do que as limitações técnicas.
Analistas alertam, no entanto, que a automatização pode ter impactos distintos nas funções de RH, dependendo do grau de maturidade estratégica das organizações.














