Foi um prazer descobrir esta casa

 

José Avillez e o argentino Estanis Carenzo juntaram-se para nos dar prazer! E não tenha qualquer dúvida que conseguiram

Texto de Maria João Vieira Pinto

Quando recebemos um convite para experimentar a Casa dos Prazeres, de José Avillez, é inevitável não começar por sorrir. Para depois confirmar que, claro que sim, queremos ir e provar.

É toda uma nova experiência aquela que se serve no n.º 13 da Rua Nova da Trindade, em Lisboa. A começar pela entrada. Não, não espere bater à porta ou ter alguém a abri-la com pompa e circunstância. Sim, o espaço é de estrelas – e de medusas –, mas todos os luxos e pormenores são desconstruídos e os melhores prazeres quase que se experimentam à mão.

Se quer ir à Casa dos Prazeres terá, primeiro, que passar pelo Rei da China. Confuso? Não fique. São poucos metros quadrados onde cabe toda uma zona de cozinha, um balcão com três ou quatro bancos, mais outro que se vira para a rua. Uma espécie de food truck que não está sobre rodas e onde o chef argentino, Estanis Carenzo – que José Avillez foi buscar para a parceria e assinatura destes dois espaços –, desenhou uma carta que nos remete para um qualquer mercado de rua em terras da Ásia. Mas o Rei da China vai ter que ficar para outra altura!

Entre, passe por um pequeno corredor, e chegue a uma primeira sala onde se iniciam os prazeres da casa. Os primeiros levam o nome de cocktail e podem começar por ser provados num bar que quer remeter (e consegue) para um clube de Xangai dos anos 40.

O melhor vem a seguir, claro. Três medusas de cores vibrantes, suspensas no tecto, conduzem quem chega por dois lanços de escadas até ao andar de cima. Aqui, é como se estivéssemos em casa. A decoração é simples, com sofás em veludo, luz no ponto certo e irrepreensível selecção musical (que passa em baixos acordes, só em jeito de complemento). À semelhança dos restantes espaços do Grupo Avillez, o serviço é irrepreensível. Com o menu na mão – que se reparte entre “pequenos pratos”, como umas amêijoas à bulhão pato de férias no Sudeste Asiático, “pratos e caris”, acompanhamentos e sobremesas –, partilhámos que não comemos carne. Apesar de grande parte das sugestões não ser de peixe, «não há qualquer problema», confirmam. Entreguemo-nos então nas mãos do chef. Que foi o que fizemos melhor!

Para iniciar hostilidades, um Kinilaw de água, o prato filipino que deu origem ao ceviche, e uma beringela assada com bacalhau fumado. O primeiro talvez com um pouco de acidez a mais, para mim, mas o segundo quase em forma de pecado, tal o contraste, mas boa combinação de ingredientes e texturas. É verdade que entrámos no reino do prazer do gosto, e assim seguimos. O filete ao vapor com aromáticos (onde se destaca o funcho) é generoso em tamanho e sabor. Aliás, mais que generoso, já que se vai desfazendo e como que desaparecendo do prato sem darmos por isso.

Já o caril verde é, como o nome sugere, verde ou em jeito vegetariano, com a batata- -doce a ganhar protagonismo. Não torça o nariz e experimente que lhe vai fazer querer voltar. E embora não haja grande tradição de sobremesas por terras asiáticas, a verdade é que nesta casa também há prazer nos doces. Experimentámos e aplaudimos o pudim de coco com granizado de romã, assim como o pão-de-ló japonês kasutera com gelado de mel de cana.

Foi um prazer, chefs!

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