Com o mundo a assistir à ascensão de discursos autoritários e retrocessos democráticos, a Amnistia Internacional Portugal apresenta uma peça simbólica que transforma memória histórica em alerta contemporâneo. Chama-se “Eleutéria 25 – A Cadeira da Liberdade” e foi desenvolvida pela FCB Lisboa, em colaboração com o designer Nuno Lacerda, para assinalar o 25 de Abril e reforçar a importância da vigilância cívica.
À primeira vista, a Eleutéria 25 parece um objeto simples mas a sua forma revela uma intenção clara, ao se tratar de uma cadeira deliberadamente instável, construída para tombar. O nome, de origem grega, significa “liberdade” e remete para o berço da democracia. A peça traduz o princípio essencial de que “quando os direitos humanos a liberdade não são respeitados, o poder não deve permanecer”, enquadra-se em nota de imprensa.
A inspiração histórica é evidente, com a cadeira a evocar a queda de António de Oliveira Salazar, em 1968, quando o mesmo perdeu o equilíbrio e sofreu o acidente que precipitaria o fim da sua presença ativa no regime. Seis anos depois, Portugal conquistaria a liberdade com a Revolução de 25 de Abril.
“Uma cadeira feita para cair, que lembra que o poder não se deve eternizar”, resume Nuno Lacerda, citado em comunicado. “Um lembrete de que o poder não deve ser permanente nem absoluto”, acrescenta João Godinho Martins, diretor-geral da Amnistia Internacional Portugal.
Mais do que um objeto artístico, a Eleutéria 25 é assim “um exercício de desequilíbrio calculado”, tendo sido concebida para negar conforto, estabilidade e permanência, ou seja, tudo aquilo que um poder autoritário procura garantir para si próprio. A peça funciona como metáfora visual e física da fragilidade das democracias quando estas deixam de ser defendidas.
A obra estará exposta no ponto da Amnistia Internacional durante o desfile do 25 de Abril, na Avenida da Liberdade, convidando quem passa a refletir sobre o estado atual das liberdades no mundo.
“O projeto demonstra o papel da criatividade como ferramenta de intervenção cívica, capaz de transformar referências históricas em mensagens contemporâneas.”, afirma ainda Edson Athayde, CEO da FCB Lisboa.












