Fazer marketing onde o produto quase não se vê

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<a class="nc-op-nome" href="https://marketeer.sapo.pt/colunista/nadia-dias/">Nádia Dias</a><span class="nc-op-cargo">, strategic marketing & market development manager da Neutroplast</span>
27/07/2026
20:02
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Nádia Dias, strategic marketing & market development manager da Neutroplast
27/07/2026
20:02
Fazer marketing onde o produto quase não se vê

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Opinião de Nádia Dias, strategic marketing & market development manager da Neutroplast

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Fazer marketing na indústria das embalagens é, em muitos aspetos, um exercício de discrição. Ao contrário de setores onde o produto é o protagonista da comunicação, aqui o verdadeiro valor está frequentemente naquilo que não se vê: na performance técnica, na conformidade regulamentar, na fiabilidade logística e na capacidade de integrar cadeias de abastecimento altamente exigentes.

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Num contexto essencialmente B2B, a comunicação enfrenta um desafio central: como transformar especificações técnicas em propostas de valor claras, relevantes e diferenciadoras? Como tornar visível aquilo que, por natureza, foi desenhado para ser funcional, seguro e, muitas vezes, imperceptível para o consumidor final?

A primeira dificuldade é a própria natureza do produto. Uma embalagem raramente é um fim em si mesma. É um meio. Protege, transporta, conserva, garante integridade e conformidade. No entanto, estas funções críticas não são facilmente traduzíveis em narrativas tradicionais de marketing. Não há emoção imediata, não há consumo direto, não há experiência sensorial evidente.

A isto soma-se um segundo desafio: o público-alvo altamente especializado. Em marketing B2B industrial, não comunicamos para um consumidor genérico, mas para profissionais técnicos, departamentos de qualidade, procurement, regulatory affairs e gestão industrial. Isto exige uma comunicação muito mais informada, rigorosa e sustentada em dados. A credibilidade é mais importante do que a criatividade pela criatividade.

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Outro ponto crítico é a complexidade dos ciclos de decisão. Ao contrário dos mercados de consumo, onde a decisão pode ser rápida e emocional, aqui os processos são longos, estruturados e multifatoriais. Uma decisão de parceria pode envolver validações técnicas, auditorias, testes de compatibilidade, requisitos regulamentares e alinhamento com múltiplas equipas. O marketing, por isso, não pode ser apenas persuasivo, tem de ser consistente ao longo de todo o ciclo de decisão.

Ao mesmo tempo, o marketing industrial está a mudar. A sustentabilidade, a economia circular e a rastreabilidade deixaram de ser temas periféricos para se tornarem critérios centrais de decisão. Isto abre espaço para uma comunicação mais transversal, onde a embalagem deixa de ser apenas um componente técnico e passa a ser também um elemento de responsabilidade ambiental e de estratégia corporativa.

Neste cenário, o papel do marketing não é apenas comunicar o que a empresa faz, mas ajudar o mercado a compreender porque isso importa. É um trabalho de educação, de contextualização e de construção de valor a longo prazo.

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Trabalhar marketing numa indústria B2B como a das embalagens é, por isso, um desafio permanente de equilíbrio: entre técnica e emoção, entre detalhe e visão, entre rigor e narrativa. Mas é precisamente nesse equilíbrio que reside a oportunidade de fazer a diferença.






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