EUA espia informações de utilizadores do Google, Facebook e Apple

National-Security-Agency--008_2A Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla original) e o FBI têm tido acesso directo a emails, fotografias, dados de login, histórico de pesquisa e conversas pessoais (voz e vídeo) através dos servidores de nove gigantes tecnológicas, tais como Microsoft, Google, Apple, YouTube ou Facebook. A informação foi avançada pelo jornais The Washington Post e The Guardian, que divulgaram ontem à noite um documento que até aí seria secreto, e já foi confirmada pela administração Obama.

O programa de recolha de dados, cujo nome de código é PRISM, permite o acesso das autoridades norte-americanas aos servidores da Microsoft, Yahoo, Google, Facebook, PalTalk, AOL, Skype, YouTube e Apple. Nasceu em 2007, durante a administração Bush, e continua activo, confirmou o Governo norte-americano, que atesta a legalidade do programa e justifica a sua existência com o combate ao terrorismo.

De acordo com o The Guardian, o documento (em formato de apresentação PowerPoint, com 41 slides) afirma explicitamente que o programa tem sido executado com o consentimento e colaboração das nove empresas. Porém, até ao momento, das empresas implicadas no programa secreto que já se manisfestaram, todas negaram o seu envolvimento. «Nunca ouvimos falar do PRISM», afirmou Steve Dowling, porta-voz da Apple. «Não damos a nenhuma agência governamental acesso directo aos nossos servers, e qualquer entidade que queira ter acesso aos dados dos consumidores deve ter um mandado dos tribunais», reiterou.

Por sua vez, a Google esclareceu em comunicado que se preocupa “profundamente com a segurança dos dados dos utilizadores. Nós fornecemos dados pessoais ao Governo dentro dos parâmetros da lei, e revemos todos esses pedidos com cuidado. De vez em quando, as pessoas alegam que nós criámos uma ‘porta dos fundos’ para o Governo entrar nos nossos sistemas, mas a Google não tem qualquer portas dos fundos para que o Governo aceda aos dados privados dos utilizadores”.

Segundo o The Guardian, a legislação dos EUA permite copiar informações de clientes de empresas que residam fora do país ou de norte-americanos cujas comunicações incluam pessoas que estejam fora dos EUA. Nos restantes casos é necessária autorização do tribunais, salvo algumas situações especiais.

James Clapper, director nacional dos serviços de espionagem, confirmou que o programa PRISM não é direccionado aos cidadãos norte-americanos, mas estrangeiros. «A informação recolhida através deste programa é das mais importantes e valiosas que temos ao nosso dispor e é usada para proteger a nação de uma grande variedade de ameaças», afirmou, num comunicado emitido pela Casa Branca.

As notícias sobre o programa PRISM surgem depois de, na quarta-feira, o The Guardian ter divulgado o controlo pela administração norte-americana de registos de milhares de chamadas da operadora Verizon.

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