Estudo revela: «pandemia acelerou envelhecimento do cérebro, mesmo sem infeção por covid-19»

Especial Covid-19Notícias
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24/07/2025
21:15
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A pandemia de covid-19 pode ter envelhecido o cérebro humano em cerca de 5,5 meses, mesmo em pessoas que nunca foram infetadas pelo vírus. A conclusão é de um estudo inédito da Universidade de Nottingham, no Reino Unido, publicado na prestigiada revista Nature Communications.

A investigação aponta que os efeitos do período pandémico, nomeadamente o isolamento social, o stress psicológico, as dificuldades económicas e as preocupações com a saúde, contribuíram de forma significativa para este fenómeno de envelhecimento cerebral precoce.  “Embora tenhamos observado uma aceleração global no envelhecimento cerebral, identificar regiões específicas estava fora do escopo da nossa análise atual”, afirmou o neurocientista Ali-Reza Mohammadi-Nejad, que liderou o estudo.

Os investigadores usaram imagens cerebrais de cerca de mil adultos saudáveis do UK Biobank, um dos maiores bancos de dados médicos do mundo. Com tecnologia de inteligência artificial, estimaram a “idade cerebral” dos participantes, comparando-a com a idade real de cada um.

A comparação revelou que, após o período pandémico, muitos cérebros aparentavam estar biologicamente mais velhos do que seria esperado. Esta avaliação baseia-se na análise da substância cinzenta e branca do cérebro, responsáveis, respetivamente, pelas funções cognitivas e pela comunicação entre diferentes áreas cerebrais.

O estudo demonstrou que o envelhecimento cerebral não está ligado apenas à infeção pelo vírus SARS-CoV-2, já que os participantes que não foram infetados também apresentaram alterações significativas.

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O estudo reforça o que outros indicadores sociais e económicos já sugerem: os efeitos da pandemia foram mais severos entre as populações mais vulneráveis.

Apesar dos dados preocupantes, os investigadores alertam que não é possível afirmar, neste momento, se as alterações são permanentes ou se o cérebro pode recuperar com o tempo. Novas rondas de exames no UK Biobank poderão ajudar a responder a essa questão.

Adicionalmente, embora o estudo não tenha testado soluções, o líder da investigação sugere que práticas como atividade física, bom sono, estimulação cognitiva e socialização podem ser benéficas para a saúde cerebral.

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