Um grupo de acionistas da Estée Lauder avançou com processos judiciais contra membros da família fundadora e vários administradores, alegando práticas de enriquecimento ilícito associadas à venda de ações com base em informação privilegiada.
Segundo o jornal económico espanhol Cinco Días, as ações judiciais foram apresentadas nos Estados Unidos, nomeadamente nos estados de Nova Iorque e Delaware, abrangendo cerca de duas dezenas de responsáveis ligados à empresa, incluindo elementos da família Lauder.
Em causa estão operações de venda de ações realizadas em 2022, num valor aproximado de 295 milhões de dólares. Os acionistas defendem que estas transações ocorreram num período em que os títulos estariam sobrevalorizados, numa altura em que a empresa alegadamente não refletia no mercado sinais de fragilidade no seu desempenho.
Entre os nomes referidos está Ronald Lauder, que terá vendido participações avaliadas em cerca de 215 milhões de dólares pouco tempo após a divulgação de previsões consideradas positivas. Posteriormente, o valor das ações registou uma queda acentuada, acumulando perdas significativas.
Os investidores acusam ainda a administração de falhas ao nível da transparência e do cumprimento dos deveres fiduciários, sustentando que foi utilizada informação não pública para evitar prejuízos e obter ganhos indevidos.
De acordo com a mesma fonte, uma das questões centrais do caso prende-se com o impacto da quebra de vendas no mercado chinês, em particular no canal “daigou”, cuja relevância terá sido subestimada nas comunicações ao mercado.
O caso surge numa fase desafiante para a Estée Lauder, que enfrenta pressão sobre o desempenho e escrutínio acrescido sobre as suas práticas de governação. Os acionistas procuram agora compensações pelos alegados danos, num processo que poderá prolongar-se no tempo.














