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Está na hora dos Publishers Digitais pensarem como a TV (e como o YouTube)

OpiniãoNotícias
Marketeer
22/08/2025
11:05
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Opinião de Fernando Parreira, CRO@InsurAds, fundador Click-Academy + ROI Rebels

Há muito que os publishers digitais se queixam de que os CPMs não chegam para sustentar as redações, o desporto, o entretenimento ou até os grandes projetos de investigação. E, verdade seja dita, continuar a insistir em formatos de display — cada vez menos valorizados, menos criativos e com menos atenção por parte dos consumidores — é continuar a remar contra a maré.

Se olharmos para os modelos que realmente funcionam, eles têm uma coisa em comum: interrupções publicitárias programadas. A televisão sempre viveu disso. O YouTube construiu o seu império em cima disso. As redes sociais — Instagram, TikTok, Facebook — seguem a mesma lógica. E o utilizador já está treinado para aceitar este modelo. Não gosta? Talvez não. Mas aceita.

O paradoxo é que os publishers digitais ainda não tiveram a coragem de aplicar esta lógica aos seus próprios conteúdos. Continuamos a ter artigos recheados de banners, que o utilizador aprende a ignorar, em vez de explorarmos o vídeo — que, em CPMs, vale várias vezes mais.

E não estamos a falar de replicar os erros da televisão, com breaks de minutos que só servem para afastar público. Um modelo realista poderia ser algo tão simples como: 6 segundos de vídeo publicitário a cada 60 segundos de leitura. É uma interrupção mínima, mas que garante atenção e abre espaço a formatos criativos.

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Se pensarmos bem, este tempo de interrupção é até muito mais conservador do que o que vemos hoje em televisão ou em redes sociais. E se o mercado já está habituado a pagar CPMs robustos pelo vídeo digital, por que razão os publishers continuam a não capitalizar esse potencial?

Como diferentes meios usam interrupções publicitárias

Meio

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Frequência de interrupção Duração típica

CPM médio (estimado)

Notas principais

Televisão

A cada 8-12 minutos 3-15 minutos 2,00€-3,00€

Breaks longos, experiência pesada para o utilizador

YouTube

A cada 4-6 minutos 6-30 segundos 4,00-10,00€

Skippable/non-skippable, aceitação já consolidada

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Redes Sociais

A cada 3-5 conteúdos 5-10 segundos 3,00€-8,00€

Modelo intrusivo, mas com consumo massivo

Publishers Digitais

Display disperso 0,50€-3,00€

Baixa atenção, criatividade limitada

Proposta

A cada 60 segundos de leitura

6 segundos

4,00€-8,00€ (potencial)

Interrupção curta, sustentável e com maior valorização

 

Claro que isto exige coragem, tecnologia e sobretudo uma visão clara: assumir que a experiência de consumo de conteúdo digital pode (e deve) ter momentos de pausa para publicidade. Em vez de tentar esconder anúncios em cantos de páginas, que tal começar a dar-lhes o espaço e a atenção que o mercado já reconhece noutros meios?

No fundo, a pergunta é simples: os publishers querem continuar a ser a exceção, ou querem finalmente jogar o mesmo jogo que a televisão, o YouTube e as redes sociais já dominam há anos?




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