Há datas que dificilmente escapam ao calendário e a inspeção do carro é uma delas. Há um prazo, uma obrigatoriedade e consequências para quem o deixa passar. Já a manutenção da própria saúde parece funcionar de forma diferente, com exames a serem adiados, consultas a serem marcadas apenas quando surge um problema e o histórico clínico a acabar disperso entre hospitais, laboratórios e clínicas.
É precisamente neste contraste que assentou a mais recente campanha da Octo Health, que colocou convocatórias nos para-brisas de quem estacionou em zonas como a Baixa, o Chiado, a Avenida da Liberdade ou o Príncipe Real. E não eram para levar o automóvel à inspeção.
A peça publicitária – identificada como tal e sem qualquer validade oficial – convocava os destinatários para uma “Consulta de Inspeção Pessoal”. Na designação surgia “ausência prolongada de acompanhamento do estado de saúde” e nas observações, referências a exames adiados, sinais e sintomas ignorados, histórico clínico desorganizado e à ideia de uma manutenção feita apenas quando algo falha.
No campo destinado à data da próxima inspeção, a resposta não era um dia específico, mas sim “antes de ser preciso”. Já onde poderia estar o valor de uma coima, surgia a expressão “custo real imprevisível”.
A ideia da campanha parte de uma pergunta simples: se existe um sistema que obriga, avisa e regista a manutenção periódica das máquinas que conduzimos, porque é que não existe um equivalente para o corpo que nos transporta? “Marcamos a inspeção do carro com meses de antecedência, guardamos a fatura da revisão e sabemos ao dia quando caduca. Depois, o exame que o médico pediu fica numa gaveta durante dois anos. Não é falta de informação, é falta de sistema”, diz Catarina Kemper, CEO e fundadora da Octo Health, citada em comunicado.
A comparação ganha força quando se olha para os números: em Portugal, são realizadas cerca de 6,4 milhões de inspeções periódicas a veículos por ano. Do outro lado, apenas 17% dos portugueses fazem todos os exames preventivos recomendados para a sua idade e sexo, segundo os dados citados pela campanha.
É precisamente este comportamento que a campanha procurou expor, o de a prevenção tender a ser adiada até deixar de ser prevenção. A ação serviu ainda para apresentar a proposta da Octo Health, plataforma que pretende funcionar como uma espécie de memória clínica pessoal, reunindo informação como exames, análises, consultas e receitas, organizando-a numa linha temporal.












