Os diamantes produzidos em laboratório estão a ganhar cada vez mais espaço no mercado europeu e Portugal surge entre os países onde esta tendência mais cresce. Dados divulgados pela Catawiki revelam que os compradores portugueses adquiriram quase o triplo de joias com este tipo de diamantes no primeiro semestre de 2026 face ao mesmo período do ano passado, confirmando uma mudança nos hábitos de consumo de luxo.
Só em junho, o número de compras realizadas por portugueses aumentou 135% em comparação com o mesmo mês de 2025, a maior subida registada entre os principais mercados da plataforma de compra e venda de objetos especiais.
A tendência acompanha a evolução do mercado europeu, onde os diamantes produzidos em laboratório estão a consolidar-se como uma alternativa cada vez mais procurada. Desde que a Catawiki lançou esta categoria, em 2024, as vendas cresceram mais de 5.500% e as pesquisas pelos chamados “diamantes de laboratório” aumentaram mais de 500%.
Segundo a plataforma, estes diamantes estão a conquistar sobretudo uma nova geração de consumidores, que privilegia o design, a dimensão das pedras e a relação entre qualidade e preço, sem encarar necessariamente a joia como um investimento.
“O maior equívoco é pensar que os diamantes produzidos em laboratório são falsos. Na realidade, têm as mesmas propriedades físicas, químicas e óticas dos diamantes naturais. O que muda é apenas a sua origem“, explica Chumeng Weng, especialista em joalharia da Catawiki, citado em comunicado.
Produzidos através de processos tecnológicos que replicam as condições naturais de formação dos diamantes, apresentam a mesma dureza, brilho e resistência das pedras extraídas das minas, mas chegam ao mercado por valores significativamente mais baixos.
Essa diferença de preço está também a alterar o perfil das compras. De acordo com a Catawiki, os consumidores optam cada vez mais por pedras de maiores dimensões e por joias mais marcantes, como anéis de grandes quilates, colares ou tennis bracelets, uma tendência impulsionada também pelas redes sociais e pela popularização de estilos vistos em celebridades e passadeiras vermelhas.
A plataforma sublinha, contudo, que o crescimento desta categoria não está a substituir os diamantes naturais. Pelo contrário, ambas coexistem no mercado. Enquanto os diamantes naturais continuam associados à raridade e ao investimento, os produzidos em laboratório são vistos sobretudo como uma forma mais acessível de entrar no universo da joalharia de luxo.
Os especialistas recomendam, ainda assim, que os consumidores verifiquem sempre a certificação das pedras, tal como acontece com os diamantes naturais. Certificados emitidos por entidades como a GIA, IGI ou HRD garantem uma avaliação independente das características e da qualidade de cada diamante.
Com previsões que apontam para um mercado europeu superior a 10 mil milhões de dólares já este ano e um crescimento anual acima dos 12%, tudo indica que os diamantes produzidos em laboratório estão a deixar de ser uma tendência de nicho para se afirmarem como uma categoria cada vez mais relevante no setor da joalharia.












