A produção artesanal de aguardentes em Moçambique pode representar um sério risco para a saúde pública. A conclusão é de Gercílio Luís Chichava, que analisou na Escola de Ciências da Universidade do Minho (ECUM) amostras de aguardente tradicional – nipa, sope ou xindere – recolhidas nas províncias de Manica, Sofala e Gaza.
Produzidas sem regulamentação, controlo e garantia de segurança, aquelas bebidas apresentaram níveis elevados de cobre, um metal que, se ingerido em excesso, pode causar problemas neurológicos, hepáticos e renais. “Quem as consome tem em geral bochechas inchadas, irritações nos olhos e na pele, envelhece depressa e já não trabalha para sustentar a família, mas para obter bebida”, referiu o investigador, nos laboratórios do Departamento de Química da ECUM, vindo ao abrigo do Programa Erasmus+.
Aquelas aguardentes são frequentemente produzidas em tambores corroídos, com utensílios contaminados, água não tratada e resíduos alimentares, o que contribui para elevados níveis de contaminação química e microbiológica, explicou. A ausência de um procedimento padronizado leva a que cada produtor utilize proporções variáveis de ingredientes – como cana-de-açúcar, melaço, caju ou outras frutas e restos de comida –, para “acelerar a fermentação e aumentar o teor alcoólico”.
Os limites legais recomendados de álcool no produto final, que devem variar entre 37,5% e 50%, dependendo da origem da aguardente, não são respeitados em geral. “Analisei aguardentes com teores fora deste intervalo”, explicou o autor de 21 anos, que foi tutorado pela professora Dulce Geraldo.












