A aposta das marcas de grande consumo nas recargas para produtos de higiene pessoal, como gel de duche e champô, tem vindo a consolidar-se como resposta às exigências de sustentabilidade e racionalização de custos. No entanto, uma análise publicada pela revista francesa 60 Millions de Consommateurs questiona até que ponto a promessa ecológica e económica corresponde, de facto, a uma melhoria da experiência real do consumidor.
Segundo a investigação, 59% dos consumidores franceses adquiriram pelo menos uma recarga em 2024, sinal de que o conceito já entrou nas rotinas de compra. A proposta é simples e passa por reutilizar o frasco original e adquirir apenas o conteúdo, reduzindo plástico e, teoricamente, o preço por litro.
Contudo, a análise revela que encontrar a recarga certa pode tornar-se um processo complexo, sendo que nem sempre existe correspondência entre fragrâncias, formatos ou marcas, e em várias situações as recargas disponíveis nas prateleiras não coincidem com os frascos em exposição. O resultado é frustração e perda de conveniência, que é um fator crítico em categorias de compra rápida.
Um dos principais argumentos das recargas é a poupança com, em alguns casos, o preço por litro pode ser 10% a 20% inferior ao do produto convencional. No entanto, essa vantagem depende de promoções em vigor, da comparação efetiva por volume e da forma como os fabricantes calculam a redução anunciada.
Além disso, muitas recargas apresentam volumes superiores aos frascos tradicionais, o que pode implicar um desembolso inicial mais elevado e menor praticidade no armazenamento doméstico, pelo que a perceção de poupança nem sempre corresponde a uma economia líquida evidente.
Do ponto de vista ambiental, as recargas são também frequentemente promovidas com mensagens como “menos 80% de plástico” mas estes valores são calculados pelas próprias marcas e podem não considerar toda a cadeia de produção ou a reciclagem efetiva das embalagens. Algumas recargas utilizam mesmo materiais multicamadas difíceis de reciclar, o que reduz a eficácia do argumento ecológico.
Perante estas limitações, o modelo de venda a granel surge como uma alternativa consistente, tendo em conta que neste sistema o consumidor reutiliza o mesmo frasco e abastece-o diretamente no ponto de venda, eliminando praticamente a necessidade de nova embalagem.












