Empresas de reciclagem têxtil antecipam problemas em 2025 devido à ‘fast fashion’

Notícias
Marketeer com Lusa
30/12/2024
09:34
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30/12/2024
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Empresas de reciclagem têxtil antecipam problemas em 2025 devido à ‘fast fashion’

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Com a entrada em vigor da diretiva europeia que obriga os municípios à recolha seletiva de resíduos têxteis, agendada para janeiro, as empresas de reciclagem antecipam dificuldades de resposta, preocupadas com o aumento da ‘fast fashion’.

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A partir de 01 de janeiro, os municípios têm de assegurar um sistema de recolha seletiva e reciclagem/reutilização de resíduos têxteis, um cenário que, não sendo novo para uma parte deles, promete, segundo as empresas contactadas pela Lusa, exigir o aumento da capacidade de resposta.

Sediada em Gondomar, no distrito do Porto, a Wippytex está desde 2008 no mercado da reciclagem de têxteis, trabalhando atualmente com 30 autarquias, entre câmaras municipais e juntas de freguesia, de Viana do Castelo a Lisboa.

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Para o efeito, a empresa coloca na rua contentores de recolha de têxteis – os denominados roupões -, seguindo-se a circularidade que determina que uma pequena parte seja para reutilização e a maior parte para reciclagem, explicou à Lusa o diretor da empresa, Luís Fernandes.

“Na parte da reciclagem fazemos a transformação em novos produtos: panos para limpeza, absorventes e novo fio”, explicou o responsável, referindo que, no caso do algodão, “após ser recolhido das t-shirts, é desfibrado e enviado para fazer fio reciclado”.

Segundo Luís Fernandes, em 2023 a Wippytex recolheu cerca de 3.000 toneladas de material, sendo certo que esses números irão crescer em 2024, impulsionados pelo maior consumo da ‘fast fashion’ (roupa de consumo rápido).

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“A percentagem que vai para incineração é de cerca de 10%”, disse, alertando que o setor “está a atravessar uma crise” provocada pela “saturação do mercado”, que “já não tem espaço para reciclar”.

De acordo com o representante, “muitas associações que se movem no espaço da União Europeia dizem que há um pré-colapso neste setor”.

“E nós não sabemos se vamos conseguir reciclar toda esta quantidade de têxtil”, salientou.

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Luís Fernandes recorreu aos números para clarificar os seus receios: em 2023, segundo um relatório de uma associação do setor, foram buscar à natureza 32 milhões de toneladas de algodão e só foram incorporadas 317 mil toneladas de fibras recicladas naturais de algodão.

No mercado desde 1952, a Sasia – Reciclagem de Fibras Têxteis trabalha diretamente com empresas do setor na área do pré-consumo, reciclando mensalmente cerca de 2.000 toneladas de material, revelou à Lusa o administrador Miguel Silva.

“Temos a maquinaria de última geração. Estamos relativamente preparados para aumentar a quantidade que resulte da aplicação da norma de 2025, pois vai aparecer no mercado um grande volume de material de pós-consumo, mas não será logo no início”, advertiu o responsável da empresa sediada em Ribeirão, concelho de Vila Nova de Famalicão, distrito de Braga.

A entrada dos municípios na equação, segundo Miguel Silva, num primeiro momento não implicará nada na atividade normal da empresa, pois caberá às autarquias fazer a seleção dos produtos para reciclar, pelo que a Sasia só intervirá num segundo momento, o da reciclagem.

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Afirmando-se convicto de que a ‘fast fashion’ vai continuar “porque as empresas querem fabricar para elas e desde que tenham mercado não vão parar”, o administrador admite que o futuro possa passar “por fabricar materiais mais sustentáveis, amigos do ambiente, e incorporar as fibras recicladas nesses produtos, que é o que o cliente final pede e exige e que as marcas podem incorporar”.

Com o propósito de atalhar esse caminho de sustentabilidade, a empresa está envolvida em “muitos projetos da economia circular”.

“Estamos a participar em projetos internacionais para estudar novas aplicações para esses resíduos pós-consumo que vão surgir no mercado em quantidade. A fase seguinte será escalar a quantidade que vai aparecer no mercado e a sua função”, disse.

Dos projetos em desenvolvimento, revelou estarem a ser estudadas “aplicações para a construção, de isolamento para a parte acústica, e para a indústria automóvel”. Trata-se, indicou, de “duas aplicações que podem consumir grandes quantidades” de material têxtil reciclado.




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