«Em 2021, 100% do design da Tommy Hilfiger vai ser digital»

A Tommy Hilfiger transformou a sua icónica marca (vermelha, branca e azul) numa entidade totalmente digital. Um conceito revolucionário que estabelece uma nova referência na revenda, pela voz de Daniel Grieder, CEO Global e PVH Europa, no último dia do Web Summit.

O estilista norte-americano Tommy Hilfiger criou uma marca de roupa popular na década de 90. A entrada em cena foi ousada, em 1984, uma campanha de publicidade em Times Square, Nova Iorque, anunciava a marca como “A próxima grande novidade da moda americana”.

35 anos depois, como é que a marca se mantém actual? «No mundo de hoje é importante continuar ao lado da inovação e da disrupção. E nós fazemos isso», esclarece Daniel Grieder, o CEO desde 2008, na empresa há 15 anos. É a Daniel Grieder que se atribui a criação do Digital Showroom, um conceito revolucionário que estabeleceu uma nova referência no sector na venda ao distribuidor, a “Loja do Futuro”, que combina compras tradicionais com inovação digital, experiências de personalização exclusiva e, mais recentemente, o design de produtos 3D, projectado para apoiar a transformação da cadeia de valor da marca para aumentar a velocidade do mercado e integrar mais rapidamente as ideias dos consumidores nas novas colecções.

«Dentro de dois anos, 100% do design vai ser digital», confessa, actualmente estão a meio do caminho. E faz questão de referir que não basta criar roupa tecnológica e salas digitais é necessário levar consigo os colaboradores. Assim, a marca tem apostado em formação, principalmente da equipa de design. «Já estamos a digitalizar a nossa cadeia de valor. Podemos agora comprar digital. Antes, o design acontecia no papel, seleccionávamos todos os detalhes, depois ia para a fábrica, criávamos as peças e o designer verificava, se não gostasse teria de criar tudo de raiz. Agora, desenhamos tudo no computador, num dia seleccionamos os padrões e cores e enviamos directo para a fábrica e produz-se directo. E o design 3D parece mais real do que uma fotografia», garante.

«Somos a primeira empresa de moda a fazer isto. Temos uma equipa de designers que cria conteúdo e uma academia para dar formação», diz, enquanto explica que o projecto “do manual para o digital” não aconteceu do dia para a noite. «Antes eram centenas de pessoas a criar tudo. Hoje é muito simples. É uma ideia muito disruptiva», refere.

«Devemos ser disruptivos sem ser disruptivos no negócio. A marca adora ser empreendedora. Todos os colaboradores são incentivados a participar e a apresentar ideias. Aliás as ideias surgem sempre internamente. Hoje temos um vendedor habituado a vender tanto na loja como através do espaço digital [Digital Library]».

Este passo tem tido ganhos em tempo e custos. «O design digital mostra-nos que seremos muito mais sustentáveis. Não temos de criar tantos samples. Customer centric é a chave». E refere que quer partilhar estes segredos com a indústria da moda e desenhar para outras empresas. «Todo o mundo vai beneficiar».

Texto de TitiAna Amorim Barroso

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