Elife quer “ouvir” o sotaque digital dos portugueses para separar conversas por região

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14/08/2026
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Elife quer “ouvir” o sotaque digital dos portugueses para separar conversas por região

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Como distinguir uma conversa portuguesa de uma conversa brasileira quando ambas acontecem em português? A pergunta, aparentemente simples, representa há anos um desafio para quem trabalha com social listening no mercado nacional. A Elife acredita ter encontrado uma nova resposta: em vez de olhar apenas para onde o utilizador diz estar, analisar a forma como escreve.

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É esta a lógica do novo Filtro de Região, integrado na plataforma Buzzmonitor, que permite classificar publicações de acordo com a sua origem geográfica provável através de padrões linguísticos. A ferramenta foi desenvolvida para ultrapassar uma das limitações das análises digitais em mercados que partilham a mesma língua, como Portugal e Brasil.

O “recorte” geográfico era, até agora, ou um problema de engenharia ou uma renúncia a dados. Havia sempre de escolher: ou se aceitava a contaminação ou se aceitava a perda. Nenhuma das duas descreve bem um mercado”, enquadra Breno Soutto, head of Insights do Elife, citado em comunicado.

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Quando a localização deixa de estar no perfil

O problema identificado pela empresa está relacionado com a forma tradicional de segmentar uma pesquisa nas redes sociais. Procurar conversas sobre determinado tema em português pode gerar um volume elevado de resultados, mas uma parte significativa será proveniente do Brasil. Mas restringir a pesquisa através da localização, por outro lado, pode reduzir demasiado a amostra, o que acontece por a localização declarada nos perfis ser um dado limitado e nem sempre estar disponível através das APIs das plataformas.

A solução desenvolvida pela Elife passa, por isso, por mudar o objeto de análise: em vez de perguntar onde está o utilizador, a ferramenta procura perceber de onde parece ser através da linguagem utilizada.

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Para isso, o novo filtro considera mais de 700 padrões linguísticos regionais, incluindo léxico, ortografia, construção frásica e referências culturais e institucionais locais. Cada publicação é classificada individualmente e apenas os resultados identificados com “elevada confiança” entram na base final de análise. A empresa acrescenta que cada publicação analisada fica documentada numa ficha de auditoria, permitindo acompanhar o critério utilizado na classificação.

Do comando técnico à pergunta em linguagem natural

Outra alteração está na forma como os dados podem ser explorados. Segundo a Elife, a análise deixa de depender exclusivamente de configurações técnicas realizadas por equipas especializadas e pode ser solicitada diretamente na interface da ferramenta através de linguagem natural.

A consequência é particularmente relevante para o social listening, uma vez que pesquisas mais abrangentes podem ser utilizadas para construir bases de dados maiores sem que o aumento do volume implique necessariamente uma maior contaminação geográfica. A partir daí, os dados filtrados podem alimentar outras funcionalidades da Buzzmonitor, como listening, análise de temas, comparação com concorrentes, gestão de crises, análise do buzz de campanhas ou identificação de tendências emergentes.

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Combinadas com o filtro regional, estas ferramentas permitem uma análise muito mais aprofundada sobre o que se diz sobre determinada marca no digital, permitindo tomar decisões estratégicas”, defende Breno Soutto.

O que dizem os portugueses sobre as férias?

A primeira aplicação prática da nova funcionalidade procurou precisamente demonstrar essa capacidade. A Elife partiu de uma pesquisa ampla pelo termo “férias”, em português, recolhendo 39.742 publicações de perfis abertos entre 7 de julho e 6 de agosto de 2026. Depois de aplicado o Filtro de Região para Portugal, a base final ficou reduzida a 6.488 publicações classificadas com elevada confiança como portuguesas.

A análise permitiu identificar destinos, marcas e temas que marcaram a conversa digital sobre as férias de verão em Portugal. Lisboa lidera as referências, com 16,4%, seguida pelo Algarve (14,8%) e pelo Porto (7,8%). O Alentejo surge em quinto lugar, com 4,4%, associado sobretudo a ideias de tranquilidade e a uma alternativa potencialmente mais acessível.

Mas a análise também mostra que a relação dos portugueses com estes destinos está longe de ser exclusivamente positiva, com Lisboa a surgir simultaneamente como montra turística e como uma cidade considerada demasiado cara para quem lá vive. O Algarve mantém o estatuto de destino incontornável do verão, mas também é alvo de críticas relacionadas com os preços. Já Espanha aparece ainda à frente de vários destinos nacionais, frequentemente utilizada como termo de comparação em matéria de preços.

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Entre as cadeias hoteleiras, a Hilton foi a mais mencionada, representando 0,9% das publicações analisadas. Mas o dado esconde duas narrativas distintas: por um lado, referências a promoções para a época balnear; por outro, a polémica relacionada com o licenciamento em Cascais. Segue-se a Vila Galé, com 0,6% das referências, associada a diferentes localizações, parcerias com eventos desportivos e códigos promocionais, com a A InterContinental (0,4%), a fechar o pódio, surgindo sobretudo ligada à restauração na região de Lisboa.

O caso FlixBus domina a conversa sobre marcas

Entre marcas e plataformas, a FlixBus representa 3,3% das menções, mas, neste caso, o volume está fortemente concentrado num único episódio: o caso de uma menina de 11 anos que ficou numa área de serviço depois de o autocarro ter retomado a viagem. A conversa gerada pelo episódio foi, segundo a análise da Elife, maioritariamente negativa.

A Airbnb, com 2%, aparece em segundo lugar entre as marcas mais mencionadas, enquanto a GNR, com 1%, surge associada sobretudo a fiscalizações e ocorrências. Já a Rede Expressos, com 0,5%, beneficiou da situação envolvendo a FlixBus, sendo apresentada em várias conversas como alternativa.

Mais do que uma fotografia sobre os destinos escolhidos pelos portugueses, a análise procura demonstrar o potencial de uma ferramenta capaz de separar volume de relevância geográfica. Num mercado como o português, onde a língua partilhada com outros países pode distorcer as pesquisas de social listening, a aposta da Elife passa por, antes de perceber apenas o que as pessoas dizem, ser preciso conseguir perceber quem está, efetivamente, a falar.

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