Eles querem democratizar o croquete

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Maria João Vieira Pinto
22/08/2026
16:03
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22/08/2026
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Eles querem democratizar o croquete

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Há muitas ideias e projectos que nascem à mesa, em conversa. E muitas marcas que surgem a propósito da mesa e do que nela se serve. A Casa do Croquete é caso disso, ou não fosse o próprio, o croquete, produto bem presente na gastronomia portuguesa, de norte a sul. Mas, começando por contar a história que tem por base, claro, almoços de amigos, partilha de histórias e encontro de gostos do que tem de melhor a nossa cozinha. Até que num momento, em particular, o tema do croquete se destacou mais ainda, havendo quem já tivesse feito a sua “rota”. Depois, foi o cruzamento de maiores vontades, saberes e receitas.

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Resultado de tudo isto? Num ano, já venderam perto de 200 mil croquetes, confere Ricardo Oliveira, habitué das casas mais afamadas deste petisco nacional, que se juntou nos cozinhados com o irmão António, cozinheiro que já passara por cozinhas como Pap’Açorda ou Solar dos Presuntos, e com Miguel Costa, outro apreciador e comedor quase profissional de croquetes, para “servir” a marca.

«O meu irmão, o António, era chef de cozinha e, por coincidência, em todos os sítios por onde tinha passado já tinha feito croquetes. Mostrou automaticamente interesse pelo projecto e foi aí que tudo arrancou. Começámos logo a trabalhar nos testes, um processo que durou cerca de oito meses até chegarmos ao produto que temos hoje», conta o fundador, enquanto explica que o que os levou nesta viagem foi o gosto que sempre tiveram pelo salgado e o facto de acreditarem «que o croquete é o equivalente ao pastel de nata no universo dos salgados, um ícone português com enorme potencial e por ser um produto com muito pouco desperdício». Só não sabiam, na altura, o trabalho que ia dar a produzi-los…

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Assim como não imaginavam, também, a resposta do mercado, confirmando que as expectativas estavam completamente desfasadas da realidade. «A adesão foi tão rápida que, numa fase inicial, rapidamente percebemos que tínhamos de mudar para uma cozinha maior para conseguir dar resposta à procura, o nosso maior desafio até ao momento.» De resto, não só investiram numa cozinha de produção, como abriram a segunda casa e escritório.

Os fundadores da Casa do Croquete

Mas o que é que distingue o croquete desta Casa? Para além da sua confecção demorar dois dias, Ricardo Oliveira revela os ingredientes: «Pode ser a quantidade de carne. Num croquete da Casa do Croquete sente-se mesmo a carne, a fibra, os fios e essa é, na nossa opinião, a grande diferença. E vemos isso reflectido na reacção dos clientes: quando mordem e sentem a textura da carne, a resposta é muito positiva. Por esta razão mantemos o processo de produção bastante manual, de forma a não partirmos as fibras da carne.»

Sendo que as novidades são constantes e ao tradicional, de novilho, junta-se o de bacalhau com broa, o vegetariano de feijão branco e espargos, de ossobuco, bochecha e, mais recentemente, o de camarão. Isto, para além do de arroz-doce. Quanto aos clientes, esses são maioritariamente famílias portuguesas, em particular pais jovens que procuram um produto simples para um almoço ou jantar rápido. Isto porque, para além de poder consumir o dito numa das lojas da marca, acompanhado da indefectível mostarda, também pode levar o produto em jeito de take away ou congelado.

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Continuar a crescer com sabor

No primeiro ano, a Casa do Croquete instalou-se no Bairro de Alvalade, em Lisboa, a que se seguiu uma segunda abertura, este ano, na Avenida Columbano Bordalo Pinheiro, onde também funciona agora a cozinha de produção. Mas a ambição, confere Ricardo, é «abrir mais espaços», sempre com passos estruturados e conscientes, já que, diz, «a expansão tem de ser feita de forma a não desequilibrar o negócio e, acima de tudo, a garantir que a qualidade da produção se mantém. Crescer sim, mas sem comprometer aquilo que nos trouxe até aqui».

O foco, esse é Lisboa, acreditando os três “croqueteiros” que ainda há muito espaço para crescer na cidade e que faz mais sentido consolidar a presença antes de pensar noutros mercados. «É algo sobre que conversamos e que está no horizonte, mas que não vemos como um passo a curto prazo.»

Até à data, a loja de Alvalade é a que responde pela maior garfada da facturação. «Nos próximos tempos prevemos que o B2B e a loja da Columbano comecem a ganhar cada vez mais expressão nas nossas contas. O B2B é uma área em crescimento e na qual estamos a apostar de forma consistente», confere, revelando que uma das apostas dá pelo nome de eventos, especialmente festivais com grande afluência de público português, onde acreditam poder vir a reforçar a comunicação e notoriedade da marca. Comunicação essa que tem tido como maior base as redes sociais, com destaque para o Instagram.

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Com cerca de 10 variedades a sair bem quentes, todos os dias, a verdade é que o chef da Casa tem mais algumas receitas a “cozinhar”, ou não soubesse que os clientes gostam de novidade. A ideia, por aqui, é por isso continuar a surpreender, mas sem perder o fio condutor: «Queremos que as novas propostas se mantenham sempre dentro do espírito tradicional que nos define, sendo um bom exemplo dessa inovação o recente lançamento das nossas pipocas de croquete de one bite, para comer de uma vez só», explica.

E como é que, no final de toda esta refeição, definiria a Casa do Croquete, Ricardo? «Diria que é uma casa tradicional com espírito jovem e manteria a expressão que nos acompanha desde o início: democratizar o croquete. Queremos dar acesso a um produto muito bom, a toda a gente. Não temos a ambição de ter o melhor croquete de Portugal, mas sim a de termos um salgado de grande qualidade que seja acessível e que qualquer pessoa possa desfrutar. Quanto ao produto em si, descrevê-lo-ia como um croquete em que se sente, de verdade, a carne. Essa é a nossa marca e é o que as pessoas reconhecem quando o provam pela primeira vez.»

Já provou?

 

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Este artigo faz parte da edição de junho (n.º 359) da Marketeer






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