Egeac: Autenticidade, turismo e inovação na cultura

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29/07/2026
08:33
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Egeac: Autenticidade, turismo e inovação na cultura

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Lisboa consolida-se como destino cultural de referência na Europa

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Lisboa tem vindo a reforçar o seu lugar entre os principais destinos europeus para festivais e eventos culturais de grande dimensão, um percurso que Pedro Moreira, presidente do Conselho de Administração da Egeac – Lisboa Cultura, descreve como o resultado do cruzamento entre autenticidade cultural, programação contemporânea e um uso qualificado do espaço público. Segundo o responsável, os últimos anos ficaram marcados por uma profissionalização crescente do sector e por uma diversificação da oferta, que vai do património imaterial, como o fado ou as marchas populares, a propostas de cariz mais internacional.

As Festas de Lisboa surgem, nesse contexto, como um exemplo paradigmático. Pedro Moreira sublinha que o evento se mantém «profundamente enraizado nas comunidades», ao mesmo tempo que tem vindo a ganhar uma capacidade crescente de projecção internacional, visível no aumento sucessivo de jornalistas e fotógrafos estrangeiros presentes na Avenida da Liberdade e nas restantes iniciativas promovidas pela entidade. A inauguração da árvore de Natal é apontada como outro momento que, nos últimos anos, tem atraído uma atenção especial por parte dos media e do público, tanto nacional como internacional.

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Este crescimento de visibilidade não é, no entanto, isento de desafios. Numa oferta cultural cada vez mais alargada e competitiva, o presidente da Egeac – Lisboa Cultura considera que o principal desafio passa por manter a distinção sem comprometer aquilo que designa como a «alma» de Lisboa. Isso implica, na sua perspectiva, um investimento continuado em qualidade artística, curadoria exigente e identidades claras para cada iniciativa, associado a uma gestão cuidada do espaço urbano que evite a saturação e assegure sustentabilidade a médio e longo prazo. «Relevância exige propósito, e não apenas escala», resume.

Entre o turismo e as comunidades locais

Um dos equilíbrios mais delicados na gestão da programação cultural de Lisboa é o que se estabelece entre a atracção turística e a preservação da ligação às comunidades locais. Pedro Moreira é claro ao afirmar que esse equilíbrio está no centro da missão da Egeac – Lisboa Cultura, e volta a apontar as Festas de Lisboa como exemplo de um modelo que privilegia a proximidade: um evento feito «com e para os bairros», com participação activa das colectividades locais. É precisamente essa autenticidade, argumenta, que se torna factor de atracção para os visitantes, por se tratar de um traço distintivo face ao que se verifica noutras capitais europeias e mundiais. Na sua visão, a lógica correcta não é o turismo a moldar a programação, mas antes a programação a ser reconhecida e valorizada pelo turismo.

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Questionado sobre o impacto económico e simbólico destes grandes eventos, o presidente da Egeac reconhece que este é significativo, quer ao nível da dinamização de sectores como a restauração, a hotelaria ou o comércio local, quer na criação de valor reputacional para a cidade. Ainda assim, sublinha que o mais relevante não são apenas os números, mas o efeito estruturante que estas iniciativas geram: a criação de hábitos culturais, a formação e diversificação de públicos, o reforço do sentimento de pertença e a projecção de Lisboa como cidade criativa. Quanto à quantificação financeira desse impacto, admite que ainda é prematuro apresentar valores concretos, considerando que, «financeiramente, esse impacto é muito difícil de calcular» e que, para já, «ainda é cedo para cálculos, mas os números virão».

O modelo de acesso gratuito em espaço público, marca distintiva de boa parte da programação cultural lisboeta, é outro dos temas abordados. Pedro Moreira considera-o essencial à democratização do acesso à cultura, mas reconhece que a sua sustentabilidade exige equilíbrio financeiro e parcerias sólidas. O caminho passa, na sua óptica, pela diversificação das fontes de financiamento, pelo reforço do apoio institucional e por um envolvimento inteligente das marcas, que não descaracterize os conteúdos culturais, mas sempre através de um diálogo constante com as entidades e parceiros envolvidos, sejam públicos ou privados.

Neste âmbito, o papel das marcas é encarado como o de parceiras fundamentais, sobretudo quando contribuem para melhorar a experiência do público a nível logístico, de conforto ou de inovação, e quando respeitam a identidade cultural dos eventos que patrocinam. Pedro Moreira destaca ainda a sua relevância na ampliação da promoção das iniciativas e no diálogo que se estabelece quando associam a sua imagem aos eventos. Quanto ao que distingue uma activação de marca verdadeiramente eficaz, aponta dois factores centrais: integração e autenticidade. «Uma boa activação não interrompe a experiência cultural, mas acrescenta valor, dialoga com o contexto e é percebida como natural pelo público», explica.

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Sobre a evolução tecnológica que tem transformado os festivais privados, o presidente da Egeac – Lisboa Cultura defende que os eventos em espaço público devem acompanhar essa evolução, mas sem a imitar. Na sua leitura, o espaço público desempenha um papel próprio, associado à inclusão, à acessibilidade e à construção de comunidade, pelo que a tecnologia deve ser vista como um elemento de enriquecimento da experiência, sem nunca substituir o foco na relação directa entre artistas, território e público.

Património vivo e novas gerações

A forma como o fado e as marchas populares são comunicados às gerações mais jovens é outro dos pontos centrais da estratégia da Egeac – Lisboa Cultura. Pedro Moreira defende que estes patrimónios devem ser assumidos como algo vivo, e não como objectos a preservar de forma estática. Isso implica, na sua visão, programação contemporânea, cruzamentos com outros géneros e linguagens, e formatos participativos que permitam às novas gerações apropriar-se destas tradições.

Como exemplo concreto, recorda a iniciativa “Música no Castelo”, realizada durante as Festas de Lisboa, que levou ao Castelo de São Jorge dois espectáculos de fado com Pedro Moutinho e Sofia Hoffmann, e com Gisela João acompanhada pelo grupo coral Fio à Meada. Também as Marchas Populares são apontadas como prova de que os mais jovens procuram e valorizam referências, aderindo às tradições que também eles pretendem preservar, ainda que com toques de modernização e inovação.

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Quanto à crescente procura por experiências participativas por parte das novas gerações, Pedro Moreira encara esse fenómeno mais como um estímulo do que como uma dificuldade. Na sua perspectiva, esta tendência obriga a Egeac – Lisboa Cultura a inovar, a experimentar novos formatos e a abrir espaço à co-criação com o público. Lembra, aliás, que Lisboa já tem uma tradição de participação enraizada, visível nas marchas e nos arraiais populares, que constitui uma base rica para continuar a evoluir.

O futuro dos festivais em Lisboa

Olhando para o panorama internacional, Pedro Moreira identifica cidades como Barcelona, Berlim ou Copenhaga como referências na forma como integram a cultura no espaço urbano, combinando programação local com projecção global. Ainda assim, sublinha que Lisboa possui uma vantagem única: uma identidade cultural forte e facilmente reconhecível, à qual se soma um clima que permite ao público desfrutar das actividades culturais ao ar livre ao longo de boa parte do ano.

Quanto às tendências que deverão marcar o futuro dos festivais, o presidente da Egeac – Lisboa Cultura aponta uma maior preocupação com a sustentabilidade, o desenvolvimento de experiências híbridas entre o físico e o digital, uma programação mais distribuída pelo território e uma valorização crescente da participação do público. É precisamente com esta visão que a Egeac – Lisboa Cultura está já a preparar o próximo ciclo de iniciativas culturais, que arranca em Setembro com as Festas na Rua.

O programa, que tem início a 4 de Setembro e se prolonga por um mês, inclui uma oferta musical diversificada, das orquestras pop à Orquestra Gulbenkian, passando por concertos de jazz e sunsets com DJ em jardins da cidade, entre outras propostas.

Pedro Moreira destaca que esta programação se constrói sempre numa relação próxima com os parceiros da Egeac – Lisboa Cultura, que contribuem de forma singular para o reforço da oferta cultural de Lisboa, numa lógica de continuidade, proximidade e inovação que, segundo o próprio, deverá continuar a orientar o trabalho da entidade nos próximos anos.

Este artigo faz parte do Caderno Especial “As Marcas na Música e os Festivais Verão” da edição de Julho (n.º 360) da Marketeer.






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