A celebrar três décadas em Portugal, o Canal Hollywood reafirma-se como uma marca de referência no universo do cinema em casa e não faltam motivos e iniciativas para celebrar.
Num contexto marcado pela fragmentação do consumo e pela ascensão do streaming, a estratégia do Canal Hollywood passa hoje por conjugar a força da curadoria linear com novas experiências físicas e eventos ao vivo.
Para Paulo Bénard Guedes, director do canal, a consolidação do Canal Hollywood junto do público português assenta numa relação de proximidade e consistência ao longo destes 30 anos. Nas suas palavras, «o Canal Hollywood sempre teve o público português como foco, adaptando a sua programação e comunicação e criando uma conexão com os seus telespectadores». E, por isso mesmo, é sua convicção que quando os espectadores pensam em cinema em casa é automática a associação ao Canal Hollywood, «um primeiro passo na procura de um filme em casa».
Para o responsável, esta relação de confiança com o público deve-se a uma aposta que não se limita à exibição de grandes produções norte-americanas. A marca construiu a sua identidade através de uma curadoria cuidada e de um «packaging adaptado e original», sustentado por «uma procura constante por um catálogo de filmes diversificado e de qualidade». Essa consistência tornou-se parte do ADN do canal e esse é certamente um dos factores de sucesso junto da sua audiência. «Acreditamos que o Canal Hollywood evoca memórias e é uma referência cultural», partilha o director, acrescentando que «a consistência da sua programação ao longo de décadas construiu uma relação de familiaridade e confiança, em que o público sabe o que esperar e onde encontra conforto».
RELEVÂNCIA NUM MERCADO FRAGMENTADO
Num ecossistema cada vez mais fragmentado e dominado por plataformas digitais, manter a relevância de um canal linear exige uma estratégia bem definida. Nesse contexto, Paulo Bénard Guedes sublinha que o modelo tradicional continua a ter espaço, sobretudo quando apoiado pelas ferramentas tecnológicas actuais: «Acreditamos que o consumo linear apoiado pelas funcionalidades das set top boxes continua relevante.»
Perante audiências cada vez mais dispersas – e públicos jovens que são difíceis de captar –, a resposta passa por uma curadoria estratégica. «Procuramos, através de uma curadoria cuidada de conteúdos, oferecer ao telespectador um mix de blockbusters recentes, filmes que puxam pela nostalgia e que são difíceis de conseguir apanhar nas plataformas de streaming, e empacotar em especiais de programação direccionados e focados, poupando o espectador à procura, por vezes entediante e difícil, de escolher um filme para ver», complementa.
O Canal Hollywood mantém uma posição de liderança no segmento de filmes no cabo, sustentada, segundo o director do canal, numa marca consolidada e previsível no melhor sentido do termo: selecção de qualidade e diversificada, além de consistente. Paulo Bénard Guedes não tem dúvidas: «O espectador sabe com o que contar com o Canal Hollywood, uma marca consolidada que associa o nome ao cinema em casa.»
DO CATÁLOGO AO “CANAL DE EVENTOS”
O perfil do espectador de cinema em televisão mudou profundamente ao longo destes 30 anos. Actualmente, é mais exigente, mais conhecedor, com acesso a um número quase infinito de conteúdos e habituado à personalização dos mesmos. Essa transformação levou o canal a redefinir o seu posicionamento: «Isto obriga-nos a dar mais e melhor e ser extremamente direccionados na nossa oferta.» Isso passa pela procura dos melhores filmes e novos conceitos, pretendendo ser um canal de eventos de cinema em vez de ser apenas um “catálogo de filmes”, criando diferenciação no sector. A ambição é evidente: deixar de ser apenas um repositório de filmes e assumir-se como um programador de experiências cinematográficas.
Essa lógica de expansão ganha expressão concreta em iniciativas que vão para além do contexto de televisão. Jorge Ruano, director Comercial e de Marketing da Dreamia – empresa detentora do Canal Hollywood, a par do Canal Panda, Casa e Cozinha, Biggs, entre outros –, destaca o jogo de tabuleiro “Missão Hollywood” como exemplo da estratégia de extensão de marca. «A motivação principal foi levar a experiência do Canal Hollywood para um novo território, físico e interactivo, que complementasse a experiência televisiva. Queríamos que o cinema saísse do ecrã e entrasse nas casas das pessoas de uma forma diferente, divertida e partilhada», adiantou.
Na verdade, esta aposta insere-se numa visão mais ampla, nunca esquecendo o verdadeiro ADN do canal: «No Canal Hollywood celebramos o cinema todos os dias, e quisemos levar essa paixão para fora do ecrã.» A liderança e o posicionamento da marca Canal Hollywood justificavam o delineamento de novos caminhos num território onde conseguissem trazer valor, e a categoria Brinquedos e Jogos de Tabuleiro, cada vez mais focada nos adultos, era um terreno fértil onde podiam inovar. «O jogo “Missão Hollywood” é uma forma de transformar o amor pelos filmes numa experiência partilhada, onde todos se podem sentir parte de uma grande produção. Este jogo traduz o espírito do Canal Hollywood: entretenimento, emoção e união em torno do cinema, sendo uma oportunidade para juntar famílias e amigos à volta da mesa.»
Num contexto digital e “por vezes efémero”, as experiências físicas têm um papel crucial na construção de uma marca televisiva. É por isso que «este projecto é um investimento na longevidade e versatilidade da marca, mostrando que o Canal Hollywood pode ser consumido e amado em múltiplas dimensões ». Para Jorge Ruano, esta é uma forma de proximidade com o público: «É a materialização do nosso compromisso de “colocar o cliente no centro”, oferecendo-lhe mais do que um serviço, uma experiência enriquecedora.»
SOZINHO EM CASA EM CONCERTO
A estreia de “Sozinho em Casa em Concerto”, em parceria com a Lisbon Film Orchestra, marcou um momento determinante na estratégia da Dreamia e do Canal Hollywood. Com um espectáculo que procura trazer ao público experiências diferentes e inesquecíveis, é algo que tira a marca da sua zona de conforto. Jorge Ruano não tem dúvidas sobre esta iniciativa. Esta é a concretização máxima da visão de levar o cinema para fora do ecrã e transformá-lo numa experiência inesquecível.
O projecto sucede a outras iniciativas, como o “Hollywood in Concert”, que nas seis edições anteriores juntou mais de 2000 espectadores por espectáculo. Em 2025, “Sozinho em Casa em Concerto” elevou a fasquia: «Superou as expectativas, juntando perto de 7000 espectadores.» Este número «valida a nossa aposta e a receptividade do público». O objectivo é evoluir de canal de televisão para “um ecossistema de entretenimento”, sendo que a grande ambição para o futuro «passa por transformar esta iniciativa numa tradição anual».
A par destas acções diferenciadoras e complementares da programação linear, a Dreamia mantém uma ligação à actualidade cinematográfica internacional, através da iniciativa “Palpites dos Óscares”, que celebra já algumas edições. «Os Palpites dos Óscares nasceram há 15 anos, de uma premissa simples: criar engagement com o nosso público em torno do maior evento cinematográfico do ano.»
Criada em 2011 como um passatempo, a iniciativa cresceu até se tornar «a maior sondagem sobre os Óscares em Portugal », oferecendo o prémio de uma viagem para duas pessoas a Los Angeles. Em 2026, registou nove mil participações únicas e resultou como a maior sondagem sobre o que os portugueses pensam sobre a cerimónia e sobre as suas apostas e previsões. «No ano passado, os portugueses acertaram 13 de 23 categorias, o que demonstra o difícil que é predizer os vencedores», admite Jorge Ruano, deixando no ar uma previsão para a edição deste ano: «De acordo com os últimos números disponíveis aquando do fecho desta edição (a 3 de Março), a maioria apostou em “Batalha Atrás de Batalha”, como Melhor Filme, Timothée Chalamet, como Melhor Actor, e Jessie Buckley como Melhor Actriz.» De acordo com o responsável, a iniciativa posiciona o Canal Hollywood como uma referência, ao mesmo tempo que contribui para a fidelização e crescimento do CRM com o canal. Ao fim de tantas edições, o desafio é só um: «Precisamos de continuar a ser criativos e eficientes na sua divulgação, mantendo um número de participações muito elevado.»
CINEMA NACIONAL E FUTURO
Embora a marca evoque Hollywood, a aposta no cinema português é igualmente assumida como estratégica e um pilar da cultura e identidade do canal. Nesse contexto, durante o evento “Encontros do Cinema Português”, organizado pela NOS Audiovisuais, o Prémio Canal Hollywood distingue o filme nacional com maior potencial comercial. «Como canal líder do cinema em Portugal, sentimos que temos a responsabilidade de colaborar para o desenvolvimento da indústria da qual fazemos parte e fazemo-lo de diferentes formas.»
O prémio inclui 5.000 euros para investimento na promoção e divulgação do filme, e 50.000 euros em campanha de publicidade nos canais Dreamia, recebendo a iniciativa mais de 30 candidaturas anuais. «Esta é a prova de que o Canal Hollywood não é apenas sobre Hollywood, mas sobre o amor pelo cinema em todas as suas vertentes», conclui.
Quanto ao papel da Dreamia, como produtora de canais dirigidos aos mercados português e africanos de expressão portuguesa, Jorge Ruano aponta para a continuidade e adaptação: «Pretendemos ser a produtora de Pay-Tv líder em Portugal e a parceira de referência com uma oferta totalmente pensada especificamente para os mercados onde trabalhamos.»
Trinta anos depois, o Canal Hollywood procura afirmar-se não apenas como destino de cinema em casa, mas como plataforma de experiências que atravessam ecrãs, palcos e mesas de jogo – mantendo no centro aquilo que sempre o definiu: a relação de confiança e proximidade com o público.
Este artigo faz parte do Caderno Especial “Cinema e Cinema em Casa”, publicado na edição de Março (n.º 356) da Marketeer.














