“Diria que o traço essencial da minha ‘marca’ é a autenticidade”, Rafaela Ferreira, “Chef Revelação 2025”

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Sandra M. Pinto
20/02/2026
11:09
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Sandra M. Pinto
20/02/2026
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“Diria que o traço essencial da minha ‘marca’ é a autenticidade”, Rafaela Ferreira, “Chef Revelação 2025”

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A gastronomia portuguesa ganhou recentemente uma nova estrela: Rafaela Ferreira, distinguida como “Chef Revelação 2025”. Apaixonada pelo prazer de comer bem, Rafaela transformou essa paixão numa carreira marcada por exigência, rigor e autenticidade. Com experiências enriquecedoras em estágios no Hotel Casa da Ínsua e no restaurante estrelado Feitoria, aprendeu a importância da técnica, da organização e da valorização dos produtores locais.

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Por Sandra M. Pinto

Hoje, à frente da cozinha do restaurante Exuberante, Rafaela alia conforto, sabor e inovação, conquistando tanto clientes quanto a crítica especializada. Nesta entrevista, partilha o seu percurso, o estilo de cozinha que a define, a forma como lidera a sua equipa e como construiu uma marca pessoal sólida no panorama gastronómico nacional.

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Pode contar-nos como surgiu a paixão pela cozinha e o que a motivou a seguir esta carreira?
Acho que a paixão pela cozinha foi uma feliz consequência da paixão que tenho por comer bem.

Durante os seus estágios no Hotel Casa da Ínsua e no restaurante Feitoria, quais foram os principais desafios que enfrentou e as maiores aprendizagens?
Os desafios foram os mesmos: conseguir adaptar-me e ter maturidade para enfrentar uma cozinha a sério, exigência, pressão e tudo o que envolve a profissão. As aprendizagens foram muito diferentes, na Casa da Ínsua participei na preparação e produção de serviços grandes para 200/300 pessoas e isso foi muito importante para eu conseguir ganhar organização, método e resistência. Trabalhar para esse volume obriga-nos a planear bem e a antecipar problemas. No Feitoria, um restaurante estrelado, aprendi muito a nível de rigor, perfecionismo, muitas técnicas novas, método e consistência.

Trabalhar ao lado de um chef com estrela Michelin, como o André Cruz, influenciou a sua forma de cozinhar? De que maneira?
Claro! E muito. Trabalhar ao lado do chef André não só influenciou como cozinho, mas também como vejo e valorizo os produtores com que trabalhamos. O Chef André respeita muito a tradição, a qualidade do produto e a relação com o produtor e sem dúvida que trago esses princípios sempre comigo.

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Ao assumir a liderança da cozinha do Exuberante, quais foram os maiores desafios que encontrou?
Abrir um restaurante, dentro de um hotel, e começar a pensar nele ainda em fase de obra foi muito desafiante. Acho que esse foi mesmo um dos maiores desafios: gerir expectativas, resolver problemas que iam surgindo e, ao mesmo tempo, manter a visão clara do que queria que o restaurante fosse desde o primeiro dia. Foi um processo muito desafiante, porque tudo estava a nascer ao mesmo tempo: conceito, equipa, carta, identidade e ao mesmo tempo lidar diariamente com os imprevistos próprios de uma obra.

Como descreveria o seu estilo de cozinha e a identidade que pretende transmitir aos clientes do Exuberante?
A cozinha que fazemos no exuberante é uma cozinha direta, de conforto… sem filtros. Bom produto, comida gulosa e pessoas felizes à mesa.

De que forma lidera e inspira a sua equipa na cozinha?
Lidero pelo exemplo. Gosto de estar presente, de trabalhar lado a lado com a equipa e de mostrar, na prática, o nível de exigência que procuro. Acredito que a coerência é fundamental: não posso pedir rigor, compromisso e entrega se não os der primeiro.

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O selo de restaurante “Recomendado” pelo Guia Repsol em 2025 representa um reconhecimento importante. Qual foi a sensação ao receber esta distinção tão pouco tempo após assumir a cozinha?
Foi muito bom! Foi sentir que ainda tínhamos (e temos!) muito caminho a percorrer, mas que estávamos na direção certa.

Hoje é reconhecida não só como chef, mas também como uma “marca” no panorama gastronómico. Como define a sua imagem profissional?
Acho que a minha imagem profissional está assente em 4 pilares muito importantes: autenticidade, proximidade, profissionalismo, consistência. Autenticidade, porque é o que realmente nos diferencia uns dos outros. Proximidade, porque acredito numa liderança presente, acessível e humana e também nas relações com os colegas de profissão. Profissionalismo, porque levo muito a sério a responsabilidade de representar um restaurante, uma equipa e um projeto. Isso reflete-se no rigor, na preparação e na forma como encaro cada serviço. E consistência, porque mais importante do que momentos pontuais é manter o nível todos os dias.

De que forma construiu a sua identidade enquanto chef e líder de cozinha? Há algum traço que considera essencial na sua “marca”?
A minha identidade enquanto chef e líder foi-se construindo ao longo dos anos ainda antes de ser chef. Foi-se construindo em casa com os meus pais como exemplo, com os chefes que tive, com as cozinhas onde passei e claro pelos desafios que fui aceitando. Como se diz em inglês “It takes a village to raise a child” e para mim para nos consolidarmos enquanto líderes também. Diria que o traço essencial da minha “marca” é a autenticidade.

Até que ponto é importante para si gerir a sua presença nas redes sociais e comunicação com o público?
As redes sociais são cada vez mais uma ferramenta de valor para partilhar o que fazemos e criar proximidade com quem nos segue.
Confesso que não sou tão assídua quanto deveria nas publicações, mas gosto de alimentar a minha página não só enquanto chef do Exuberante, mas também enquanto pessoa. Gosto de partilhar o que andamos a fazer de novo no Exuberante, fornecedores que visito, mas também as minhas férias na neve, aquele restaurante novo muito bom que fui na folga, um poema que me marcou…

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Considera que os prémios e reconhecimentos, como o “Chef Revelação 2025”, influenciam a sua notoriedade e estratégias de marketing pessoal?
Claro que sim. Prémios são um excelente indicador de confiança para o consumidor e isso agrega muito muito valor para a minha carreira e para o meu posicionamento.

Acredita que a história pessoal e o percurso de um chef são importantes para cativar clientes e fãs?
Sim. Quer pelas experiências quer pelas conexões. Saberem de onde viemos, o que somos, o que nos motiva ou seja associar uma “pessoa real” à imagem do chef cria uma conexão e empatia e, para mim, é fundamental. Se não somos só seres humanos que cozinham coisas.

Como recebeu a notícia de ter sido distinguida como “Chef Revelação 2025”? Qual é o significado desta distinção para si?
Foi uma grande emoção para ser sincera. Ver reconhecido o trabalho que tenho feito nos últimos anos e que estou a consolidar agora no Exuberante com a minha equipa foi muito especial.

Sente que este reconhecimento muda a sua visão sobre o futuro ou a forma como encara a cozinha?
Não. Este prémio traz-me mais confiança. Mas a visão sobre o futuro e a cozinha que fazemos mantem-se sólida.

Que objetivos de posicionamento e crescimento tem para si nos próximos anos?
Neste momento concentro-me em consolidar o trabalho que tenho feito no Exuberante. Os desafios e objetivos para o futuro são evoluir sem perder a identidade que me define.

Que conselho daria a outros jovens chefs sobre construir uma marca pessoal forte e reconhecível no mercado gastronómico nacional?
Eu acredito realmente que serem autênticos é o fator chave. Somos todos diferentes e , para mim, é aí que mora o ouro. Assumir com autenticidade aquilo que somos e em que acreditamos, quer enquanto pessoas quer enquanto profissionais será sempre o nosso maior diferencial. Somos pessoas para pessoas.




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