No último ano, o cabaz alimentar definido pela ASAE aumentou 29%, um valor que transformou as idas ao supermercado num verdadeiro exercício de sobrevivência financeira. As famílias queixam-se de preços incomportáveis e multiplicam-se as acusações no espaço público: consumidores apontam o dedo às grandes cadeias de distribuição, acusando-as de aproveitar a crise para registar lucros recorde.
Do lado das empresas, a resposta é diferente. Os principais grupos de retalho garantem estar a absorver parte dos aumentos vindos dos produtores, tentando travar o impacto direto nos preços finais.
Num cenário de preços voláteis e promoções cada vez mais difíceis de acompanhar, as aplicações de comparação de preços tornaram-se ferramentas indispensáveis. Uma das mais populares é a Super Save, uma aplicação portuguesa lançada em 2022, no auge da crise inflacionista provocada pela guerra entre a Rússia e a Ucrânia.
Desenvolvida por três engenheiros nacionais, a app é gratuita e agrega dados atualizados das maiores cadeias do país — Continente, Pingo Doce, Auchan, Lidl, Aldi e Intermarché, entre outras. A Super Save permite comparar preços por unidade, quilo ou litro, acompanhar o histórico de cada produto e até partilhar listas de compras com familiares ou amigos.
Outra alternativa é a Lisie, que funciona de forma mais direta: basta introduzir o nome ou o código de barras de um produto para ver, em segundos, quanto custa em cada supermercado.
Além das aplicações, há quem recorra aos tradicionais vales e cupões de desconto disponíveis online. Sites como Vales de Descontos, Poupadinho e com Vales, Caça-Promoções e Forretas disponibilizam códigos, promoções e passatempos que ajudam a poupar alguns euros em cada compra.
O site Para Mim, por exemplo, oferece reembolsos, amostras e passatempos, além de permitir que os consumidores partilhem opiniões sobre produtos de grandes marcas como a Nestlé ou a Danone.
Também as grandes superfícies reforçaram as suas plataformas digitais, com apps e revistas próprias, como as do Continente, Pingo Doce e Lidl, que incluem descontos exclusivos e campanhas semanais.
Entre listas partilhadas, códigos de barras e vales digitais, os consumidores portugueses reinventam-se para enfrentar a nova realidade. As estratégias de poupança multiplicam-se, mas a incerteza mantém-se.











