Apesar da incerteza económica e da volatilidade dos mercados financeiros, o mercado da arte mostrou-se resiliente em 2025, com leilões que alcançaram valores recorde e consolidaram o colecionismo como refúgio de valor. Segundo o Relatório de Arte Contemporânea 2025 (HAT 100), da seguradora Hiscox, embora as vendas de arte contemporânea tenham recuado 27% face ao ano anterior, os compradores concentraram-se em peças únicas e de alta qualidade, elevando lotes específicos a cifras históricas.
Entre as obras que marcaram o ano destacam-se:
“O Retrato de Elisabeth Lederer”, de Gustav Klimt, confiscado pelos nazis e recuperado na década de 1980, tornou-se a obra de arte moderna mais cara alguma vez leiloada, atingindo 236,4 milhões de dólares em Nova Iorque.
Uma sanita em ouro maciço de 18 quilates, do artista Maurizio Cattelan, alcançou 12,1 milhões de dólares, confirmando o apetite por arte contemporânea irreverente e provocadora.
Um relógio de ouro do Titanic, pertencente a Isidor Straus, bateu recordes para objetos ligados ao famoso navio, sendo vendido por cerca de 2 milhões de euros.
O icónico “Ovo de Inverno” de Fabergé, desaparecido em 1975 e reaparecido em 1994, atingiu 26 milhões de euros, refletindo o interesse por peças de luxo histórico e arte decorativa.
No domínio histórico, uma moeda espanhola do século XVII leiloada por 2,4 milhões de euros triplicou o seu valor anterior, evidenciando o crescimento da numismática como investimento alternativo.
A cultura popular também marcou presença: uma garrafa de Dom Pérignon Vintage 1961, servida no casamento de Carlos e Diana, foi vendida entre 67.000 e 80.000 euros, e o vestido branco plissado de Marilyn Monroe, usado em “O Pecado Mora ao Lado”, atingiu 5,6 milhões de dólares, tornando-se a peça de moda mais cara alguma vez leiloada.
Finalmente, um retrato de George Washington, de Gilbert Stuart, foi vendido por 2,8 milhões de dólares, superando estimativas e reforçando o valor de peças com peso histórico e simbólico.
De obras-primas da arte moderna a relíquias históricas e peças insólitas, 2025 consolidou-se como um ano em que raridade, proveniência e narrativa foram tão importantes quanto o próprio valor financeiro, mostrando que o colecionismo continua a fascinar e a desafiar limites.












