De Taylor Swift ao Campeonato do Mundo de Futebol: o fenómeno dos grandes eventos que movem o turismo

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29/10/2025
12:00
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De Taylor Swift ao Campeonato do Mundo de Futebol: o fenómeno dos grandes eventos que movem o turismo

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Para milhões de viajantes, o verdadeiro destino não é apenas uma cidade ou uma praia, mas sim uma experiência ao vivo que os conecta com algo maior: um espetáculo, uma comunidade, uma paixão, como destacado pela Merca2.0. O turismo internacional já não se limita a destinos conhecidos ou praias paradisíacas. Hoje em dia, os eventos em grande escala, desde concertos de superestrelas até torneios desportivos, tornaram-se os principais impulsionadores do movimento turístico global. Viajar para viver uma experiência única, irrepetível e socialmente partilhável é uma motivação poderosa, especialmente para as novas gerações, como observa a Merca2.0.

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De acordo com o relatório The Era of Experiential Travel da Statista, a participação em eventos musicais, desportivos e culturais consolidou-se como uma das principais razões para viajar, especialmente entre os millennials e centennials.

Os números falam por si. O relatório da Statista revela que o turismo ligado a eventos não só representa um elevado volume de viajantes, mas também um gasto considerável por pessoa. Estes visitantes tendem a gastar mais em alojamento, transporte, alimentação e consumo local, em comparação com o turista médio.

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Um dos casos mais emblemáticos é o do Campeonato do Mundo da FIFA 2026, que será realizado nos Estados Unidos, Canadá e México. Estima-se que este evento gere mais de 7.500 milhões de dólares em gastos turísticos, com uma parte significativa proveniente de viajantes internacionais que se deslocam especificamente para assistir aos jogos ou eventos associados ao torneio.

Por outro lado, fenómenos musicais como a The Eras Tour de Taylor Swift tiveram um efeito multiplicador semelhante. Cada cidade que recebeu a cantora norte-americana experimentou um aumento na taxa de ocupação hoteleira, nos gastos em restaurantes, transportes e no comércio. Em muitos casos, os fãs planeiam as suas férias em torno da digressão, voando de outras cidades ou países apenas para assistir a um concerto.

Além dos concertos de figuras como Taylor Swift, Beyoncé ou Coldplay, e torneios globais como o Campeonato do Mundo, existem outros eventos que atraem milhões de turistas todos os anos:

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Festivais de música como o Coachella (EUA), Primavera Sound (Espanha) ou Lollapalooza (América do Sul).

Competições desportivas como os Jogos Olímpicos, a Fórmula 1, a Liga dos Campeões ou o Super Bowl.

Eventos culturais globais, como a Feira do Livro de Frankfurt, o Festival de Cinema de Cannes ou o Carnaval do Rio de Janeiro.

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Conferências, convenções e feiras temáticas, como a Comic-Con, o SXSW ou as exposições mundiais.

Todos estes eventos geram um impacto turístico de curto e longo prazo: activam a economia local de forma imediata e posicionam o destino como uma referência internacional.

Qual é o perfil dos viajantes que se deslocam para eventos?

Este tipo de turismo é dominado por pessoas entre os 18 e os 40 anos, com forte conectividade digital, presença nas redes sociais e grande disposição para gastar em experiências memoráveis. Segundo a Statista:

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83% dos viajantes da Geração Z e 77% dos millennials afirmam que estariam dispostos a viajar mais se houvesse um evento de interesse no destino.

Não se trata de turistas tradicionais, mas de viajantes experienciadores, que priorizam o que acontece no local em vez do que ele oferece.

Tendem a planear as suas viagens com antecedência, mas também são capazes de decidir de forma impulsiva se o evento o justificar.

Além disso, este público busca partilhar a experiência nas redes sociais, o que transforma cada evento num escaparate turístico para o destino anfitrião.

Qual é o papel das plataformas digitais neste fenómeno?

A tecnologia facilitou enormemente a planificação e a reserva de experiências associadas a eventos. Plataformas como GetYourGuide, Viator, Klook e até Airbnb Experiences desenvolveram catálogos especializados para que os utilizadores encontrem atividades relacionadas com festivais, concertos ou competições.

Estas plataformas permitem:

Reservar passeios temáticos ou experiências antes do evento.

Adquirir bilhetes e passes prioritários.

Combinar alojamento com actividades locais.

Explorar itinerários feitos à medida de um evento ou artista.

Até os hotéis e as companhias aéreas começaram a oferecer pacotes especiais para capitalizar a chegada de milhares de visitantes motivados por eventos concretos.

Como podem os destinos preparar-se para atrair turistas de eventos?

Os destinos que desejam atrair este tipo de viajante devem adotar uma lógica de “experiência em primeiro lugar”, ou seja, devem desenhar as suas estratégias em torno dos eventos que podem motivar a viagem. Algumas ações chave incluem:

Calendários de eventos públicos e privados com ampla promoção internacional.

Alianças com promotores de concertos, festivais e competições desportivas.

Campanhas direcionadas a fãs e comunidades online específicas (futebol, K-pop, literatura, tecnologia, etc.).

Serviços de transporte, alojamento e experiências temáticas integradas e fáceis de reservar.

Infraestrutura tecnológica para atender picos de demanda, facilitar pagamentos e oferecer conectividade.

É também fundamental que os destinos compreendam as motivações do viajante contemporâneo: ele quer viver algo irrepetível e partilhá-lo instantaneamente.

Qual é o impacto económico e cultural do turismo de eventos?

Para além dos números de receitas diretas, o turismo associado a eventos tem um efeito de posicionamento da marca-país ou cidade. Cada concerto, torneio ou festival coloca o destino sob os olhares do mundo, especialmente quando é partilhado massivamente nas redes sociais ou nos meios de comunicação.

Além disso, permite diversificar a economia do turismo:

Desestacionaliza o fluxo de visitantes.

Descentraliza o turismo para zonas menos tradicionais.

Gera oportunidades para negócios locais (restaurantes, transporte, cultura).

Estimula o desenvolvimento de infraestruturas e conectividade.

Do ponto de vista cultural, estes eventos permitem aos visitantes imergirem na identidade local e ao mesmo tempo construírem experiências globais partilhadas.




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