De folhas de oliveira de Trás-os-Montes se faz a Lusipure

Casos & EstratégiasEntrevista
Maria João Vieira Pinto
18/07/2026
11:04
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Maria João Vieira Pinto
18/07/2026
11:04
De folhas de oliveira de Trás-os-Montes se faz a Lusipure

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Ângelo Luís e Audrey Coppede trabalharam toda a vida na área financeira, em particular em private equity. Há uns anos tiveram um sonho: criar uma marca portuguesa de cosmética premium com base em matérias-primas locais e um nível elevado de exigência científica. Depois da ideia, veio o desenvolvimento de todo o conceito, idealização da marca, procura de parceiros e formulação dos primeiros produtos. No início do ano, a Lusipure apresentou-se finalmente ao mercado com um portefólio que inclui cuidados de rosto centrados na hidratação e no conceito de skin longevity, numa abordagem de rotinas simples e em que “less is better”.

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As folhas de oliveira chegam de Trás-os-Montes, as algas de Aveiro, e a formulação é garantida por laboratórios referenciados, para que nada se perca. «Desenvolver um produto premium implica encontrar um equilíbrio muito rigoroso entre eficácia comprovada, tolerância cutânea e experiência sensorial. Tivemos sempre o cuidado de não acelerar esse processo, avançando apenas quando sentimos que o resultado estava verdadeiramente ao nível do que pretendíamos», destacam, enquanto recordam que «a Lusipure nasceu de uma convicção simples: as matérias-primas naturais portuguesas têm qualidade para competir no segmento premium internacional. Faltava valorizá-las com o nível de exigência científica e estética adequado».

Foi precisamente isso que decidiram construir e o que os leva já hoje a afirmar não verem «os grandes players como uma ameaça directa, mas como uma referência em termos de exigência». Ou não acreditassem que existe espaço para marcas com «uma visão clara e bem executada».

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O que leva alguém ligado à área financeira a decidir lançar uma marca de cosmética? O percurso anterior de ambos trouxe-vos conhecimentos sobre o sector?

Viemos ambos do sector financeiro, com experiência em investimento no private equity, nomeadamente no Grupo Rothschild & Co. Esse percurso deu-nos uma forte disciplina de execução e visão de longo prazo, mas não tínhamos qualquer experiência prévia na indústria da cosmética. Foi um processo de aprendizagem constante. Nesse percurso, pudemos contar com parceiros laboratoriais altamente qualificados, reconhecidos há muitos anos no sector, que foram fundamentais para garantir o rigor científico e a qualidade dos produtos. A Lusipure nasceu de uma convicção simples: as matérias-primas naturais portuguesas têm qualidade para competir no segmento premium internacional. Faltava valorizá-las com o nível de exigência científica e estética adequado. Foi isso que decidimos construir.

Nesse percurso, e desde a ideia inicial, quais foram os primeiros trabalhos a que se entregaram?

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Os primeiros trabalhos centraram-se na construção das bases da marca: definição do posicionamento, selecção de parceiros laboratoriais, escolha das matérias-primas e desenvolvimento das primeiras formulações. O projecto nasceu há quase três anos e exigiu desde o início um trabalho muito estruturado, tanto ao nível da formulação como da identidade da marca. A prioridade foi sempre construir bases sólidas, que nos permitissem desenvolver a Lusipure com consistência e um nível de exigência alinhado com o segmento premium.

Houve dificuldades maiores?

As maiores dificuldades passaram, antes de mais, pela identificação dos parceiros certos, tanto ao nível dos laboratórios como das explorações agrícolas biológicas portuguesas, que fossem capazes de responder ao nosso nível de exigência e ao caderno de especificações que definimos. Em paralelo, a construção da identidade da marca e o equilíbrio da comunicação também foram desafios importantes, num projecto onde tudo estava a ser criado de raiz. Por fim, desenvolver um produto premium implica encontrar um equilíbrio muito rigoroso entre eficácia comprovada, tolerância cutânea e experiência sensorial. Tivemos sempre o cuidado de não acelerar esse processo, avançando apenas quando sentimos que o resultado estava verdadeiramente ao nível do que pretendíamos.

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Aliás, desde o primeiro momento que sempre souberam que conceito e tipo de produtos queriam desenvolver… porquê?

Desde o início que tínhamos uma visão clara: desenvolver uma marca que combinasse ingredientes naturais portugueses com ciência cosmética avançada.

No entanto, a verdade é que o conceito foi sendo afinado ao longo de todo o processo. E percebemos rapidamente que não queríamos ser apenas uma marca natural mas, sim, posicionarmo-nos na intersecção entre a naturalidade, a ciência e a exigência premium.

Mas o que vos levou a essa escolha e como chegam à definição do conceito?

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A definição do conceito resultou de uma reflexão estratégica sobre o mercado e sobre aquilo que acreditávamos ainda não estar totalmente explorado em Portugal.

Identificámos uma oportunidade no segmento premium científico, onde a combinação estruturada entre matérias-primas naturais e biotecnologia avançada ainda é limitada. A partir daí, construímos um posicionamento assente em três pilares: Pureza, Ciência e Elegância.

Dizem que esta é “uma marca que combina o património natural lusitano com a ciência de ponta, criando fórmulas que realçam a beleza da pele, ao mesmo tempo que honram a alma da terra”. Na prática, como é que se traduz?

Na prática, traduz-se num trabalho muito rigoroso de selecção de parceiros, tanto ao nível das matérias-primas como dos laboratórios, capazes de responder ao nosso nível de exigência. Para além da selecção, existe também um acompanhamento muito próximo de todo o processo de desenvolvimento, desde a formulação até ao produto final, com o objectivo de garantir consistência, qualidade e eficácia. A nossa ambição é conseguir expressar, através de cada fórmula, a quintessência da riqueza natural portuguesa valorizada pela ciência, sem perder a sua autenticidade.

A marca tem estado a ser desenvolvida com base em colaborações com laboratórios internacionais. Como é que definiram estes parceiros?

A escolha dos parceiros foi orientada por critérios exigentes de inovação, domínio de activos de alta performance e experiência comprovada no desenvolvimento de produtos premium. Privilegiámos laboratórios com expertise em biotecnologia marinha e vegetal, reconhecidos pelo seu trabalho junto de marcas do segmento de luxo.

Também são eles que dão o garante para a qualidade dos produtos?

Esses parceiros são fundamentais para garantir a qualidade dos produtos, mas acompanhamos todo o processo de forma muito próxima, assegurando que cada desenvolvimento está alinhado com os nossos padrões. É precisamente este nível de exigência, tanto na selecção dos parceiros como no acompanhamento do desenvolvimento, que constitui um dos principais factores de diferenciação da Lusipure em termos de qualidade de produto.

E as matérias-primas…?

Privilegiamos matérias-primas de origem portuguesa sempre que possível. As folhas de oliveira são provenientes de explorações biológicas certificadas em Trás-os-Montes e as algas da costa atlântica, nomeadamente da região de Aveiro.

A selecção baseia-se em critérios de qualidade, rastreabilidade e respeito pelos ecossistemas. Utilizamos igualmente outras matérias-primas naturais, seleccionadas com o mesmo nível de exigência pelos nossos laboratórios, com um sourcing exclusivamente europeu, como, por exemplo, em França.

A Lusipure posiciona-se como uma marca de cosméticos premium, conforme referem. Isso significa que os seus preços se enquadram em que patamar?

Os nossos produtos situam-se actualmente numa faixa de preço entre os 39 e os 98 euros. Ainda assim, procuramos manter um posicionamento de preço competitivo e atractivo, sobretudo tendo em conta a qualidade dos ingredientes e a complexidade das formulações. Acreditamos que oferecemos um equilíbrio muito forte entre qualidade, performance e valor no segmento premium.

O portefólio actual inclui cuidados de rosto centrados na hidratação e no conceito de skin longevity, que privilegia a preservação da qualidade e do equilíbrio da pele ao longo do tempo. Temos já novos produtos em fase de formulação, mas a filosofia da marca passa por desenvolver a gama de forma progressiva e coerente, privilegiando sempre qualidade em detrimento de quantidade.

Acreditamos numa abordagem clara e essencial, com rotinas simples “less is better” que respondem às necessidades reais da pele sem excesso de complexidade.

Os produtos começaram a chegar ao mercado no início do ano. Qual a sua evolução, até à data, ao nível das vendas?

A marca foi lançada no início de 2026 e encontra-se numa fase inicial de desenvolvimento. Estamos focados na construção de notoriedade, credibilidade e prova social, antes de uma aceleração comercial mais significativa.

Para isso, têm investido na sua comunicação!

A comunicação tem sido feita através de imprensa, conteúdos digitais e colaborações estratégicas.

O facto de partilharem um tabuleiro onde estão jogadores de peso mundial não vos preocupa?

Não vemos os grandes players como uma ameaça directa, mas como uma referência em termos de exigência. A Lusipure posiciona-se de forma diferenciada, com uma identidade própria e uma forte ligação a Portugal. Acreditamos que existe espaço para marcas com uma visão clara e bem executada.

 

Este artigo faz parte da edição de Abril (n.º 357) da Marketeer.






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