Produzir milhares de vídeos de produto para redes sociais sem depender dos custos e dos tempos associados aos modelos tradicionais de produção. Foi este o desafio que a Naviu ajudou a resolver para a idealo, uma das maiores plataformas europeias de comparação de preços, através de um pipeline de geração de vídeo baseado em inteligência artificial.
O caso é um dos exemplos da forma como a tecnológica fundada pelo português Diogo Guerner, atualmente sediada em Berlim, procura trabalhar com empresas: não apenas através da implementação de ferramentas de IA, mas desenvolvendo soluções à medida para resolver problemas concretos de negócio. Neste caso, a tecnologia permitiu à idealo escalar a produção de conteúdos de vídeo para canais como TikTok e Instagram, reduzindo significativamente o custo face aos modelos tradicionais.
É também este tipo de experiência que a Naviu quer agora aproximar de Portugal, sendo que, depois de mais de 50 projetos realizados para cerca de 30 clientes em aproximadamente dez países, a empresa pretende reforçar a ligação ao mercado português, tanto através da contratação de talento como da conquista de novos clientes.
Da produção de conteúdos à transformação do negócio
A Naviu posiciona-se como uma empresa tecnológica “AI-native”, reunindo numa mesma equipa gestores de produto, designers, engenheiros de software e especialistas em inteligência artificial. A proposta passa por acompanhar as empresas desde a identificação do problema ou oportunidade até à definição, desenvolvimento, lançamento e evolução da solução.
Para uma área como o marketing, esta abordagem pode traduzir-se em aplicações que vão muito além da utilização de ferramentas generativas para produzir uma imagem ou um texto. O projeto desenvolvido para a idealo é disso exemplo: a IA é integrada num processo de produção capaz de responder à necessidade de gerar conteúdos em escala, adaptados a canais digitais onde a quantidade e a velocidade de publicação ganharam importância.
“Depois de vários anos a trabalhar a partir de Berlim e com empresas de diferentes mercados, queremos criar mais pontes com Portugal. Queremos continuar a crescer internacionalmente, mas acreditamos que há uma oportunidade muito concreta para juntar talento português a projetos internacionais e, ao mesmo tempo, ajudar mais empresas portuguesas a acelerar a sua transformação através de software e inteligência artificial”, diz Diogo Guerner, fundador e CEO da Naviu, citado em comunicado.
A empresa tem vindo a crescer a um ritmo anual de cerca de 40% nos últimos quatro anos e já trabalhou com organizações como a idealo, o Volksbank Berlin e a Lufthansa Innovation Hub, na Alemanha, a Fence, em Espanha, e a Fullvenue, em Portugal. Os projetos abrangem áreas como desenvolvimento de produtos digitais, automatização de processos, modernização tecnológica e criação de ferramentas internas baseadas em IA.
Portugal como mercado e como fonte de talento
A aposta em Portugal terá duas dimensões. Enquanto, por um lado, a Naviu pretende contratar entre cinco e dez pessoas no país nos próximos 12 meses, para funções como Product Manager, Tech Lead, Product Designer e Product Engineer, por outro, quer aumentar a presença comercial e alcançar um milhão de euros de faturação em Portugal até 2028. Dos atuais 17 elementos da equipa, nove são portugueses, sendo os restantes profissionais oriundos da Alemanha, Brasil e Suécia.
“Portugal é uma aposta natural para nós. Temos talento tecnológico de enorme qualidade, pessoas com uma enorme dedicação e um forte sentido de missão. É também um país bastante digitalizado, com empresas que têm uma elevada apetência para o digital e que estão cada vez mais disponíveis para perceber como podem aplicar inteligência artificial de forma concreta nos seus negócios”, afirma Diogo Guerner.
A ligação a Portugal não é, contudo, uma novidade, pois antes de fundar a Naviu, Diogo Guerner acompanhou o crescimento de uma startup tecnológica até à aquisição e, atualmente, mantém ligações ao ecossistema empreendedor português. É também mentor de fundadores na Berlin Startup School e na Unicorn Factory Lisboa.
A experiência acumulada na Alemanha serve agora de ponto de partida para uma nova fase. “Queremos construir uma empresa cada vez mais internacional a partir de Berlim, mas Portugal faz parte desse crescimento. Temos já uma forte presença de talento português dentro da Naviu e queremos reforçá-la, ao mesmo tempo que aumentamos o trabalho com empresas nacionais. A nossa ambição é trazer para Portugal aquilo que aprendemos a fazer com empresas de diferentes mercados e ajudar a transformar essa experiência em resultados concretos”, conclui.












