Conselho de Redação do Público demite-se e aponta “atropelos” aos valores do jornal

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Marketeer com Lusa
07/04/2025
17:49
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Os membros eleitos do Conselho de Redação (CR) do Público apresentaram a demissão, deixando críticas à direção editorial e “apontando atropelos aos mais elementares e essenciais valores” do jornal, segundo um comunicado a que a Lusa teve acesso.

Na nota, os membros eleitos do CR anunciaram a sua “demissão dos cargos para os quais foram eleitos no presente mandato”, explicando que o fazem por “ser inevitável perante a postura da Direção Editorial (DE) ao ignorar os apelos partilhados com o diretor sobre diversos temas, quer por iniciativa própria” quer “a pedido de jornalistas da redação”.

“Face a um processo continuado de desvalorização do CR enquanto órgão de debate ao longo de várias direções, entendemos a demissão como inadiável quando se têm multiplicado atropelos aos mais elementares e essenciais valores do Público”, destacaram, constatando que “as promessas da DE em dar atenção a algumas das preocupações partilhadas nas reuniões dão lugar a recidivas” que consideram “danosas para o Público e a sua reputação, bem como para a qualidade do seu jornalismo”.

Contactada pela Lusa, a direção do Público garantiu que “escuta com muita atenção as recomendações do Conselho de Redação e considera que tem um papel essencial na vida do Público”.

Por isso, espera que “no mais curto espaço de tempo seja possível realizar eleições e ter um órgão em plenitude de funções. Quaisquer problemas e críticas levantadas por este órgão são para ser discutidos no seio da redação”, rematou.

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Os membros eleitos do CR destacaram que entre os problemas para os quais tentaram “sensibilizar mais do que um membro da Direção está a pulverização dos princípios jornalísticos do Público”, salientando que “está em curso um desvio preocupante na linha editorial”.

“Enquanto se exige um padrão ético e deontológico para o jornal produzido pelas secções, pela Redação representada neste órgão, aplica-se outro, antagónico, para projetos de que o jornal é parceiro”, referiram, salientando que tudo o que saia no jornal “tem de estar comprometido com o seu Livro de Estilo e, a montante, de respeitar o Código Deontológico do Jornalista, o que nem sempre tem sucedido com o Público Brasil”.

Os subscritores apontam “princípios inalienáveis como o combate ao sensacionalismo, o respeito pela privacidade dos cidadãos em assuntos manifestamente desprovidos de interesse público, a rejeição do tratamento discriminatório de pessoas, incluindo em função da ascendência ou território de origem, ou a retificação de informações inexatas”.

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No comunicado, os membros eleitos do CR deram conta de que “algumas notícias recentes sobre desaparecimentos e custódias de crianças constituem sintomas exacerbados desta inflexão, com precipitações e enviesamentos ideológicos ou sensacionalistas que não passariam no crivo Público”, apontando várias “interpelações e mensagens” ao diretor ou a outros membros da direção sobre estes temas.

No entanto, lamentaram, “os problemas não foram tratados com a atenção e a coragem devidas”, indicando que muitas das recomendações “foram total ou parcialmente ignoradas”.

Os membros do CR indicaram ainda uma “frustração e indiferença” na redação, tendo instado “por mais do que uma vez a DE a promover uma maior mobilização e um mais ativo e participativo debate sobre as orientações e os objetivos estratégicos do jornal”.

Por fim, “concluído um processo de rescisões que levou à saída de jornalistas matriciais para o Público, faltam igualmente sinais de uma ideia para o futuro”, indicaram os membros eleitos do CR, garantindo que não ficam “indiferentes às métricas do tráfego e das assinaturas”, mas salientando que esse não deve ser “o único desígnio” do jornal.

“O enfraquecimento aparentemente inexorável de algumas secções, bem como a insistência numa reorganização apenas funcional da Redação, sem orientações ou apostas editoriais claras, e sobretudo sem uma auscultação verdadeiramente empenhada e transversal do coletivo de jornalistas que a compõe, são, para nós, manifestações inquietantes”, destacaram.

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Ainda assim, acreditam que “das próximas eleições pode sair um Conselho de Redação ativo e combativo, capaz de influenciar de forma mais produtiva a reflexão editorial”, que, na sua opinião, é hoje “tão urgente quanto imprescindível, e de robustecer um projeto editorial fundamental para a qualidade da nossa vida em democracia”.

O comunicado é assinado pelos membros eleitos do CR Ana Dias Cordeiro, Camilo Soldado, Inês Nadais, Joana Amaral Cardoso, João Pedro Pincha, Pedro Crisóstomo, Samuel Alemão e Sofia Neves.

No final do ano passado, o Público abriu um programa de rescisões voluntárias, segundo anunciou a administração do jornal, apontando uma “revisão na estratégica” do periódico.

O programa resultou na saída de 20 trabalhadores, a maioria jornalistas, o que deixou a Direção do Sindicato dos Jornalistas preocupada com a “degradação das condições de trabalho no jornal”.




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