A empresa de media de Donald Trump está a preparar um novo serviço que permitirá a bancos, fundos de investimento e empresas de negociação financeira receberem as publicações mais relevantes da Truth Social antes dos restantes utilizadores. A iniciativa, apresentada como uma nova fonte de receitas para a plataforma, está já a gerar forte polémica nos Estados Unidos, com especialistas em ética e responsáveis políticos a acusarem o presidente norte-americano de transformar a sua atividade oficial numa oportunidade de negócio.
O serviço, denominado Truth API (também referido como Truth PSI em alguns relatos iniciais), promete fornecer acesso em tempo real – e em apenas alguns milissegundos – às publicações das dez contas mais influentes da Truth Social, refere o The Guardian. Entre elas encontra-se naturalmente Donald Trump, cujas mensagens têm vindo a provocar reações imediatas nos mercados financeiros, sobretudo quando abordam temas como tarifas, política comercial, conflitos internacionais ou decisões económicas.
A Trump Media & Technology Group (TMTG), empresa-mãe da Truth Social, pretende disponibilizar o serviço a partir de 1 de agosto e afirma que já tem clientes interessados. Segundo a empresa, a solução destina-se a organizações para as quais “o custo de um atraso na informação” pode traduzir-se em perdas financeiras, como bancos, fundos de investimento ou empresas de trading algorítmico.
A novidade levanta, contudo, questões que vão muito além da tecnologia. Uma das críticas mais contundentes e elencadas pelo The Guardian surge de Kathleen Clark, especialista em ética governamental da Washington University School of Law, que considera que o modelo representa uma exploração direta da função presidencial para benefício financeiro.
“Está a vender acesso privilegiado e acelerado à informação sobre aquilo que faz enquanto presidente“, afirmou a especialista ao jornal britânico, classificando a iniciativa como “mais um exemplo de corrupção descarada” e de utilização imprópria do poder público para enriquecimento pessoal.
As críticas assentam no facto de Donald Trump ser simultaneamente o utilizador mais seguido da plataforma e o maior acionista da empresa cotada que controla a Truth Social. Assim, qualquer aumento de receitas da plataforma poderá refletir-se diretamente no valor da sua participação financeira.
Nos últimos meses, Trump tem utilizado a Truth Social como principal canal para anunciar posições sobre tarifas, imigração, conflitos internacionais e outras decisões políticas com impacto económico imediato. Em diversos momentos, estas publicações provocaram oscilações nos mercados financeiros, levando investidores e analistas a acompanharem a plataforma de forma permanente.
A TMTG defende, por sua vez, que o novo serviço responde a uma necessidade existente no mercado. Segundo a empresa, muitas organizações recorrem atualmente a métodos não oficiais para monitorizar a plataforma, incluindo sistemas automáticos de recolha de dados (“scraping”), pelo que o lançamento de uma API oficial permitirá disponibilizar informação de forma licenciada, rápida e fiável.












